
No último AA podemos ler a notícia acima digitalizada, intitulada “Câmara viabiliza Cooperativa do Porto da Espada", a qual eu adjectivo de notícia “curta”. É curta, não pelo seu escasso tamanho, mas sim pelas informações que não nos transmite; pelas questões que ficam por responder…
Antes de especificar tais questões, devo dizer, desde já, que considero que a Cooperativa do Porto da Espada é uma “Associação” importante para o Marvão. É importante, desde logo, pelo simples facto de ser uma “Associação” e depois, sobretudo, porque associa agricultores e, consequentemente, defende produtos agrícolas do concelho, preservando a sua produção e facilitando a sua colocação no mercado.
E parece-me, ainda, que o presidente da Câmara tem razão quando afirma que: “…se a Cooperativa não tiver viabilidade todo o concelho fica mais pobre…” e “...a Cooperativa é quase já o único comércio existente e se fechasse portas a aldeia ficava mais pobre e prejudicada...”.
Por isso, considero que é obrigação da Câmara apoiar a Cooperativa do Porto da Espada como, aliás, já apoiou recentemente!
No entanto, gostava de ver esclarecidas algumas questões neste negócio:
1 – A Cooperativa vende o seu património à Câmara e depois… continua a existir? Se sim, como desenvolverá, então, a sua actividade sem património?
2 – A Câmara adquire o património da Cooperativa e fica a geri-lo, eventualmente alterando o seu estatuto? Que tipo de entidade será constituída então?
3 – Ouvia-se dizer que o buraco (passivo) da Cooperativa rondava os €20.000,00. Então qual a necessidade desta alienar todo o património, encaixando €90.000,00?
4 – Se o passivo é inferior a €90.000,00, para onde vai o remanescente? Irá a Cooperativa adquirir outro património? E qual?
5 – Será que o passivo da Cooperativa é de €90.000,00 e a alienação de todo o seu património foi a única forma encontrada para o liquidar? A Cooperativa não conseguia gerar recursos para manter a sua viabilidade? E como, e com quem, vai a Câmara gerir esse património de forma a inverter essa situação?
4 – Adquirir todo o seu património era a única forma de a Câmara viabilizar a Cooperativa?
Não conheço quaisquer pormenores desta operação. Tive conhecimento dela apenas através desta notícia do AA, de onde me surgiram estas questões. Estas e, eventualmente, outras questões deveriam ser esclarecidas para que esta operação não pareça uma "negociata" em época de eleições…
Este será, naturalmente, um assunto abordado na próxima Assembleia Municipal!
Grande Abraço
Bonito Dias