domingo, 21 de dezembro de 2008

Orçamento e Plano para 2009


Logo no primeiro dia em que iniciei a apanha da azeitona, constatei haver um roncar estranho que ecoava na Beirã.

O meu companheiro de faina logo se apressou a esclarecer tratar-se de barulho proveniente de uma máquina alisadora de terreno, ruído esse justificado pela necessidade de terraplanar as terras descarregadas na área definida para o aumento do Bairro e zona a lotear.

Como havia chegado de noite não vi que os trabalhos estavam a avançar.
Também fui informado de que, à data do início do processo, havia muitos interessados nos lotes.

Pois é. Mas isso foi antes ... só que entretanto correu o tempo e mesmo admitindo ter havido inscrições o certo é que o mundo mudou e muita premissa se alterou.

Veja-se o raciocínio e a razão.
O ministro das Obras Públicas bateu o pé durante meses pelo aeroporto da OTA. Em sua defesa veio o nosso Primeiro acrescentar que ao serem solicitadas mais estudos, nunca se faria obra neste País. Felizmente que a razão veio ao de cima e afinal o aeroporto vai para o ‘deserto’ da margem sul e pessoalmente espero que a concretizar-se prossiga um crescimento modular e moderado para o bem de todos os nossos filhos e netos que o vão ter de pagar.
Retornando ao nosso cantinho de concelho do fim do mundo, que não chegou a ver a luz das verbas vindas da Europa Comunitária e onde o numero de munícipes é cada vez menor, onde os empregos crescem mas nos concelhos vizinhos e onde a REMAX e a ERA disputam os avisos de venda de imóveis, que razões leva à criação de espaços de loteamento e bairros mesmo que económicos?

Dirão uns que se tem de cumprir uma promessa eleitoral. Outros afirmarão que é normal que as administrações gostem de deixar uma marca da sua actuação.

Pois é. Compete aos governantes saber gerir a ‘coisa pública’ mas também saber moldá-la ao sabor das necessidades, explicando-a e ouvindo conselhos. E se é certo que nas grandes cidades se recebe muito pelo que se loteia e autoriza a construir também não é menos verdade que se assistem a projectos de co-financiamento para recuperar os imóveis em estado de abandono com vista à sua re-ocupação.

Os ventos da economia global já se fazem sentir e os seus indicadores não são de há dias. Os juros para empréstimo já são altos há alguns anos e a vontade de emprestar é muito pequena por razões internacionais e não só. Mesmo quem empresta a juros altos exige hoje um fiador. Importa pois que a matéria se discuta e os governantes sejam chamados à razão.
Mas nós o que fazemos?
Quantos imóveis tem já o Concelho devolutos e com alcatrão à porta?
Quantos anos têm de devoluto os imóveis da Fronteira dos Galegos a ostentar as portas escancaradas, vidros partidos e a degradação a entrar por tudo quanto é sitio?


Pois é. Assim não vamos lá.
Se queremos mostrar serviço, o Concelho tem bem por onde. Conviria ser mais aplicado nas soluções deixando as grandezas para o Sr Ministro das Obras Públicas.

Agora que se aproxima o Orçamento e o Plano de Investimento para 2009 no nosso Concelho é a correcta altura para ser tudo muito ponderado.
Vêm aí maus ventos, e se continuarmos a aplicar tudo em matéria não produtiva nunca seremos nada e o despovoamento será inevitável.

Também é o último Orçamento deste ciclo autárquico. É também altura de Natal e de bolos, mas cuidado porque lá diz o dito: ‘com papas e bolos se enganam os tolos’.

Boas Festas e o melhor 2009 possível são os meus votos.

Um comentário:

Kasa disse...

Em 12/11/1972, Américo Thomaz, fez um périplo pela zona de Portalegre e de uma assentada, inaugurou a então, Escola de Enfermagem de Portalegre e a Estação Fronteiriça de Marvão.
Construiram-se ali, 20 fogos e 16 edifícios com uma área coberta de 3450m2, em 20 hectares de terreno com as mais elementares infraestruturas (um luxo para a época):(redes de energia, abastecimento de águas, estação depuradora de esgotos, distribuição de gás, telefones externos e internos, antenas de telecomunicações, etc.) O custo total do empreendimento foi de 33 000 contos.
Quem não se lembra do Posto de Turismo, da agência bancária, do balcão do ACP, do Restaurante??
A propósito, onde pára a Tapeçaria de Portalegre, de um cartão da autoria de Guilherme de Camarinha,que estava exposta no átrio do Posto de Turismo, por cima do balcão?
Hoje, o bairro está, como o colega bloguista o retratou...dá pena e não é certamente, um bom cartão de visita para quem entra em Portugal e se depara com aquele cenário.
Para quando uma intervenção de fundo? Quem assume a responsabilidade da requalificação daquele espaço?