Estamos à tua espera companheiro...

http://www.ionline.pt/conteudo/140081-a-crise-e-um-negocio
por Nuno Ramos de Almeida, Publicado em 29 de Julho de 2011
O milionário Warren Buffett, o terceiro homem mais rico do mundo de 2011 segundo a revista “Forbes”, comentou um dia as reduções multimilionárias aos impostos dos mais ricos dos EUA, fazendo notar que a sua empregada doméstica tinha uma taxa de imposto maior que ele. Para Buffett era claro que se vive uma guerra de classes e que, diz ainda, a classe dele “está a ganhar esta guerra”.
Quando ouvimos que a crise toca a todos e que é uma espécie de peste negra que une a pátria esbaforida em uníssono, devemos perceber que no barco não estamos todos. Parte daqueles cujos interesses comandaram o Titanic luso já estão em bom porto.
Segundo a revista “Exame”, os ricos estão mais ricos. As 25 maiores fortunas em Portugal somam 17,4 mil milhões de euros, 10,1% do PIB português, o que corresponde a uma subida de 17,8% face a 2010 . Quando nos falam em crise pedem-nos sacrifícios, mas são sempre os mesmos que os fazem. Quem trabalha vai passar a ser despedido com uma mão à frente e outra atrás, os transportes vão aumentar, a saúde será tendencialmente paga a preço de custo e o ensino superior será só para quem tem dinheiro. Esta crise é uma revolução política que dará aos mais ricos todo o poder e muito mais dinheiro.
Nuno Bragança escreveu em “A Noite e o Riso”: “Os pobres são os degraus da escada que conduz os ricos ao céu.” Uma coisa é certa, no fim desta crise os ricos estarão no paraíso. Adivinhe quem vai estar no inferno.
Esta é a minha estreia no Fórum Marvão. Apesar de ser um potencial colaborador desde a primeira hora, nunca me tinha por aqui alongado porque sendo capataz de uma finca virtual que funciona como meu órgão de comunicação oficial desde 2007, não me pareceu correcto vir para aqui ocupar tempo de antena que tão bem sido utilizado pelos habituais participantes.
Desta vez vai ter mesmo de ser porque a ocasião assim o justifica e porque o local é o mais apropriado. A minha intenção é comentar uma notícia aqui publicada mas faço-o através de um post porque já passaram alguns dias e porque não me foi possível reagir a tempo e horas através de um comentário.
E faço-o porque me choca que a notícia da renúncia de João Bugalhão ao seu mandato de membro da Assembleia Municipal de Marvão não tenha aqui surtido qualquer tipo de feedback. Nem mensagens de solidariedade, nem aplausos da crítica… nada! Absolutamente nada. Como se fosse um acontecimento menor, um fait divers… Mas não é.
Este acontecimento espelha para mim, muito do sentir e do pensar das gentes de Marvão. Da forma como se posicionam perante a vida, as suas contingências e os seus protagonistas, frequentemente aplaudidos quando sob as luzes da ribalta mas facilmente pontapeados para fora da composição quando deixam de interessar.
Parece-me importante esclarecer desde já que existe uma forte relação de amizade que me une ao João, de há muitos anos a esta parte. Com o passar do tempo, aprendemos a cultivar a empatia inicial e creio que aprendemos a valorizar e a apreciar aquilo que mais estimamos um no outro e temos de alguma forma, crescido e aprendido juntos, sempre salvaguardando a diferença de idades e o conhecimento que cada um tem da vida e do seu tempo. Mas essa amizade nunca nos toldou a clarividência nem nunca nos impediu de sempre expressarmos, com a frontalidade que penso que nos é reconhecida a ambos, aquilo que pensávamos acerca um do outro, dos seus actos e opiniões. De certeza que as discussões ganham às palmadas nas costas (das quais não somos grandes adeptos) mas tenho certo que sabemos que cada um tem no outro um porto de abrigo e uma opinião certeira e isenta.
Eu sei que o João não é fácil. Tem aquele terrível hábito de dizer sempre o que pensa e quem o conhece bem sabe que por baixo daquela carapaça de homem maduro se esconde um enfant terrible que anda sempre deserto de encontrar a próxima grande causa pela qual lutar. Num meio pequeno, circunspecto, intriguista, invejoso e interesseiro como o nosso, essa veleidades pagam-se caro e eu, apesar de mais jovem, expliquei-lho muitas vezes. Em vão… e ainda bem. Mas quem pensa que o João é só isso pensa mal porque ele é o contrário de tudo aquilo que aparenta ser: é sensível, preocupado e cuidadoso quando parece ser arrogante; é humilde e generoso quando parece emproado e vaidoso; tem (ainda hoje) um profissionalismo e uma dedicação à prova de bala… enfim… tem muita coisa que me levam ao ponto ao que quero chegar que é o seguinte: o João Bugalhão decidiu afastar-se e Marvão perdeu, para já, um homem que lhe faz falta.
Eu explico: faz falta porque durante todos estes anos, como ele diz e bem, lutou sempre pelo bem comum sem nunca ter pedido nada em troca, ao contrário de MUITA GENTE que para aí anda. Faz falta porque a assembleia perdeu a sua voz crítica dentro do marasmo instalado, alguém que pensava pela sua cabeça, que estudava os assuntos concelhios, que fazia as suas análises e se batia pelo que achava justo. Daquilo que eu pude observar, posso garantir que a assembleia perdeu o único membro (a par do Fernando Dias) digno desse nome. O resto são cabeças a dizer sim e braços no ar. Mal vamos se vamos por aí. O caminho está agora livre. A barra está aberta, como dizem os brasileiros.
O Bugalhão pode hoje fazer pouca (ou nenhuma) falta a algumas pessoas, mas fez muita falta quando foi preciso bater o pé à distrital do PSD e fazer peito e frente por uma concelhia titubeante à procura de um candidato que assim que vislumbrou o poder se apressou a empurrá-lo para trás.
O Bugalhão faz falta a Marvão e a muitos que trazem esta terra no coração porque foi ele o mentor deste espaço público chamado “Fórum Marvão” que está aberto a todos e tem pugnado ao longo dos anos por fazer com que das discussões nasça sempre uma luz, por mais ténue e fosca que seja. Os que vivem longe e por aqui passam para matar saudades e saber um pouco mais da sua terra sabem que tem sido ele o isento e abnegado timoneiro desta empreitada. Quanto mais não fosse, só por isso já valia a pena.
Eu sei que por esta altura, muita mente mais mesquinha já se entretém a conjecturar intrigas palacianas, a fazer “filmes” para saber porque raio é que este vem para aqui com esta conversa. Eu esclareço: não há nenhuma intenção subliminar, nenhum trunfo escondido na manga, numa jogada estratégica nas entrelinhas. Há apenas um homem que diz aquilo que pensa e acredita e faz aqui uma merecida e reconhecida homenagem a quem muito a merece.
E a ti, João, publicamente te peço que faças o que achas melhor mas que nunca te afastes e muito menos baixes os braços. Eu sei que jamais o farás. A vida dá muitas volta e tu sabe-lo bem. Nesta histórias nem sempre ganham os melhores, os mais qualificados, os certos para os lugares certos. Mas há-de haver um dia… em que a coisa tem de virar!
Já que aqui estou… mais dois apontamentos:
Um para louvar a publicação do livro da nossa estimada Teresa Simão que depois de muitos e longos anos de trabalho e dedicação conseguiu finalmente deixar para a posteridade a sua obra sobre o nosso falar de Marvão que estou certo que será incontornável para todos aqueles que queiram saber mais sobre a nossa ancestral cultura. É um verdadeiro prazer ser teu contemporâneo e poder assistir a este teu êxito retumbante. Parabéns!
Outro comentário, este derradeiro, para expressar a minha natural estupefacção pela rocambolesca história do concurso camarário que tinha mesmo de ser aberto porque era imprescindível colmatar uma lacuna em termos de pessoal mas afinal foi anulado porque quem ganhou não foi a pessoa que era para ganhar. Meus amigos… estamos no apogeu do ridículo. Se o Fellini fosse vivo, aposto que correria a comprar os direitos da coisa e se apressaria a filmá-la. Luziria que nem ginjas no seu bizarro universo cinematográfico. Depois disto já nada me surpreende que esta gente já provou que é capaz de tudo. Vender o castelo aos chineses, vender a coutada aos canadianos… tudo é possível. “Abra-se o concurso que é urgente…mas afinal anule-se que já não faz falta antes que ganhe quem a gente não quer”. Hilariante!
"A Moody's cortou ontem, em véspera de leilão, o ‘rating’ português para ‘Ba2’. Duvida das metas do défice, aponta para novo pacote de ajuda."
"Lixo: desperdício; qualquer objecto ou substância indesejada. A definição é do dicionário e, aos olhos da Moody's, serve para classificar a economia portuguesa. A agência cortou ontem o ‘rating' de Portugal para ‘Ba2', tornando-se assim a primeira a colocar a notação financeira do País em "lixo". O corte surgiu em véspera de um leilão de dívida e a Moody's justifica-o com duas razões: a situação da Grécia vai obrigar Portugal a reestruturar dívida e o País vai ser incapaz de cumprir as metas do défice acordadas com a ‘troika'.
Mas o que leva uma agência de ‘rating' a cortar a notação de um país em quatro níveis, em véspera de um leilão de dívida, ignorando um programa de Governo apresentado na semana passada, que reforça inclusive a austeridade para além do acordado com a ‘troika'? A Moody's explica: "O crescente risco de que Portugal vá precisar de uma segunda ronda de assistência financeira, antes de regressar aos mercados"; "a possibilidade crescente de que os credores privados sejam chamados a participar [numa reestruturação] como pré-condição" para esse segundo pacote de ajuda; e "os receios de que Portugal não seja capaz de atingir totalmente a redução do défice e a estabilização da dívida definida no acordo com o FMI e a União Europeia".
In : http://economico.sapo.pt/noticias
O Ponto 8, sobre o Protocolo com a UNIFE para a construção de 37 Fogos para Habitação Social. A versão simplificada do Protocolo resume-se no seguinte:
O município faculta os terrenos de implantação dos 37 Fogos, faz as infra-estruturas; a UNIFE constrói os apartamentos; a Câmara faz a selecção das famílias carenciadas; em conjunto estabelecem o valor das rendas; as famílias de acordo com os seus rendimentos pagam uma percentagem; a Câmara mensalmente paga um subsidio do restante com dinheiros públicos (que ninguém sabe quanto é); a UNIFE fica proprietária dos fogos durante 70 anos.
Algumas dúvidas e argumentos apresentados pela oposição:
- Tendo Marvão, de acordo com os dados do INE 1 478 famílias e 3 003 alojamentos, (2 alojamentos/famíla) justifica-se a criação de um projecto de habitação social, com custos de cerca 3 milhões de euros (37 x 80 mil euros cada), que os marvanenses vão ter de pagar, sobretudo com impostos, nos próximos 70 anos?
- Não seria melhor apostar na Recuperação de algumas casas degradadas, já que elas existem, em vez de estar a fazer novo, com todas as implicações ambientais que a isso obrigam.
- Qual vai ser o valor total mensal que o município vai ter de pagar à UNIFE para ajudar nas rendas?
- E se essa famílias carenciadas, não puderem cumprir os seus compromissos devido ao agravamento da crise que se prevê? Paga o município a totalidade? Faz despejos?
A maioria dos esclarecimentos foi vaga e passou-se à votação. A proposta foi aprovada com 8 votos a favor do PSD; 6 votos contra (4 do PS, 1 do “Juntos por Marvão” e o meu); e uma abstenção de um dos Membros do PS. Não votou Gomes Esteves, porque teve necessidades pessoais de sair mais cedo da Reunião.
Para o último Ponto Assuntos Diversos estavam guardadas duas surpresas:
- Um voto de indignação apresentado por José Garraio, em nome pessoal, devido à forma como se portaram determinados elementos que fazem parte da AM. Que revelaram ao longo de toda a Sessão um total desrespeito pelas opiniões críticas, com comportamentos de troça em relação às intervenções de pessoas que estão ali a pensar e discutir o que acham melhor para o concelho de Marvão, com atitudes de sorrisos “trocistas e de gozo” permanente, de alguém que não sabe ostentar o poder e perceber o que é o Sistema Democrático e a Democracia.
- Na última intervenção da AM, apresentei a minha Renúncia ao Cargo de Membro da actual Assembleia por não me rever nesta prática de fazer política.