quinta-feira, 16 de junho de 2011

Hipótese Alternativa: Será Xenótimo?

Figura 1 - Grãos de xenótimo presentes em amostras aluvionares


Este Post, surge na sequência de artigos de Pedro Sobreiro e Jaime Miranda, publicados no Blog “vendo o mundo de binóculos do alto de Marvão”, de um artigo no Alto Alentejo da autoria de Samuel Mimoso; e pretende ser mais um contributo da discussão sobre o fenómeno de aquisição de terrenos por desconhecidos no concelho de Marvão, onde se inclui o prédio da Coutada propriedade da Câmara Municipal.

Este Post deveria ser de leitura obrigatória e na íntegra por Vítor Frutuoso (Presidente da CM de Marvão), Luís Vitorino e José Manuel Pires (Vereadores da CM de Marvão), José Luís Bengala (Presidente da Junta Freguesia de Santo António das Areias), e António Mimoso (Presidente da Junta de Freguesia de Beirã).

Gostaria ainda que o meu amigo Samuel Mimoso, enquanto jovem jornalista que escreveu um artigo no seu Jornal sobre o tema, desse também uma vista de olhos. Em nome de um jornalismo sério, que não deveria ser apenas o eco de notícias encomendadas. Mas que deveria questionar-se sobre o que nos querem vender, e investigar de forma isenta a razão das coisas. Um jornalismo que não deveria viver de Avenças dos organismos que encomendam notícias, limitando-se a noticiar e fotografar pequenos factos de eventos festivos de forma acrítica, mas ir mais além, contribuindo com a sua critica para que este país avance e progrida.

Este artigo é o Resumo de um Estudo, publicado na Revista Electrónica de Ciências da Terra em 2010, da autoria de Rute Salgueiro, Diogo Rosa, Carlos Inverno e Daniel Oliveira, sobre “ Ocorrência de xenótimo em amostras aluvionares da região centro leste de Portugal (Zona Centro Ibérica/Zona de Ossa Morena) ”, onde Santo António das Areias é identificado como a zona de maior frequência deste elemento.


RESUMO:

Foi identificado, possivelmente pela primeira vez em Portugal, xenótimo aluvionar em concentrados de bateia colhidos numa campanha de prospecção de terras raras desenvolvida pelo ex-IGM no centro-leste deste país.
O xenótimo ocorre em grãos sub-rolados de dimensão média ≈250μm, em concentrações mais significativas em Nisa, Sto António das Areias e Marvão. A geologia regional e o cortejo mineral das amostras sugerem proveniência do xenótimo dos maciços graníticos de Penamacor e Nisa e ainda das Arcoses da Beira Baixa e níveis de cascalheiras plio-plistocénicas com intercalações argilo-arenosas.

PALAVRAS-CHAVE: xenótimo, aluvionar, terras raras, ZCI/ZOM.

1. INTRODUÇÃO

A identificação de xenótimo resultou do estudo de 1962 amostras de bateia colhidas na Beira Baixa e Alto Alentejo (norte), no âmbito de uma campanha de prospecção dirigida à identificação de horizontes portadores de minerais de terras raras, no período de 1995-2007 (Inverno et al., 2007). Considerando a geologia predominante na área de colheita das amostras aluvionares patente na carta Geológica de Portugal à escala 1/500 000, a distribuição destas permite agrupá-las de acordo com o estabelecido na Tabela 1.

O xenótimo (YPO4), é um dos poucos minerais de ítrio conhencidos.
Compostos de ítrio são usados como substâncias luminescentes em ecrãs, sistemas laser e como catalizadores na polimerização de etileno (Hammond, 1995) e poderão vir a ter aplicação em cerâmicas supercondutoras.

O fornecimento de ítrio proveniente de placers de monazite e xenótimo é vasto (reservas mundiais de 540.000 t de Y2O3). Em 2003, a produção foi dominada pela China, com 2300 t de Y2O3, tendo o resto do mundo produzido um total de apenas 100 t (USGS, 2004).

No entanto, antecipa-se que a procura de ítrio continuará a crescer se a sua utilização em supercondutores estáveis a temperatura ambiente for confirmada, e se estes supercondutores começarem a ter aplicações comerciais. Esta segunda geração de supercondutores, baseada em óxido de ítrio, cobre e bário, é denominada de YBCO.

De acordo com a revista 3M, uma análise indica que o mercado potencial para supercondutores nos EUA, Japão e na Europa atingirá os 122 mil milhões de dólares americanos em 2020 (Morrison, 1999), sendo de antever portanto subidas de preços do ítrio, que custa actualmente ≈ 45 USD/kg.

Ciente da importância das terras raras (lantanídeos, ítrio e escândio), em aplicações de ponta, nomeadamente as tecnologias de energias renováveis e de veículos híbridos, bem como da sua posição dominante no mercado, a China começou a restringir a exportação destes elementos e dos seus minérios, através da aplicação de taxas à exportação e, inclusive, proibindo a sua exportação. A imposição de quotas à exportação cada vez mais restritas por parte da China torna fundamental o aparecimento de produtores alternativos, pelo que a identificação de xenótimo no nosso país é de particular relevância.




(Clicar para ver melhor)



2. XENÓTIMO

O xenótimo com susceptibilidade magnética aproximadamente de 18,9x10-6 C.G.S.M.E (Parfenoff et al., 1970), ocorre na fracção magnética das amostras estudadas sob a forma de grãos rolados a sub-rolados de cor verde clara ou castanha amarelada de brilho resinoso, por vezes reconhecendo-se parte das formas cristalográficas tetragonais prismáticas longas ou curtas, bipiramidais (Fig. 1), tal como é descrito por Dana e Ford (1932); a dimensão média destes grãos é ≈250μm.

Para além das características físicas e morfológicas, a confirmação da identidade deste mineral foi dada por difractometria de raios X. O xenótimo ocorre em maior número de amostras no Grupo 2 e 3, atingindo 58% em Nisa e 78% em Sto António das Areias; na maioria das amostras o xenótimo representa ≤1 a 5% (Tabela 2) do volume da fracção magnética;
contudo, em Sto António das Areias e Marvão (Grupo 3) atinge valores do intervalo de 5 a 25% desta fracção.

3. DISCUSSÃO E CONCLUSÕES

O estudo de minerais pesados permitiu o reconhecimento de xenótimo (e outros minerais de interesse económico) na região centro de Portugal.

Os valores mais elevados de concentração de xenótimo foram obtidos nas amostras do Grupo 2 e 3 (Nisa, Sto António das Areias e Marvão).

As diferenças entre o cortejo mineral dos diferentes grupos são o reflexo da geologia regional.

Assim, na região de Penamacor-Monsanto e de Nisa-C. Vide-Marvão (Grupo 1, 2 e 3) o xenótimo mostra uma derivação granítica dominante, ocorrendo nas redes de drenagem (com máximo em Sto. António das Areias) dos maciços graníticos de Penamacor e de Nisa, respectivamente, quase sempre associado à monazite clássica.

Complementarmente, algumas amostras do Grupo 2 indicam uma forte associação do xenótimo às Arcoses da Beira Baixa e a níveis de cascalheiras plio-plistocénicas com intercalações argilo-arenosas nas mesmas áreas (Inverno et al., 2007). Não são, por outro lado, produtivos em xenótimo os quartzitos radioactivos ordovícicos de Penha Garcia e Portalegre (Grupos 1 e 3-4, respectivamente), ricos em monazite nodular (Inverno et al., 1998).

4 comentários:

Jornal Alto Alentejo disse...

Senhor Bugalhão

Tenho dificuldade, eu que até sou assumidamente bruto, em confundir frontalidade com má educação.

Julgo que é a segunda vez que respondo em público a alguém, e curiosamente no mesmo local; porque acho que o devo fazer e não devo deixar passar sem resposta o que o senhor escreveu, apesar de achar que o que diz não mereceria resposta. Por isso a resposta, sendo para si, só existe por respeito aos marvanenses que passam por este espaço.

Se o artigo que o Samuel escreveu é bom ou mau, se conseguiu ir ou não ao fundo da questão, é uma coisa. Se o senhor gosta ou não do artigo, é outra coisa.

Mas seja o que for, esse ser um pretexto para o senhor partir para a ofensa às pessoas e às organizações é outra coisa muito diferente e que me escuso de qualificar, até porque é bem reveladora da personalidade de quem o faz.

Curiosamente, pelos vistos o tal artigo que o senhor vilipendia e que usa para atacar o jornalista e o jornal Alto Alentejo, que aliás usa abundantemente neste espaço, teve o mérito de pôr as pessoas a falar do assunto. E até a descobrirem-se algumas coisas novas que nós, assumidamente, desconhecíamos, como quase todos.

Fizemos o que pudemos: ouvimos quem devíamos ouvir, no caso a quem conseguimos chegar em nome da empresa (que obviamente nos levanta suspeitas), e ao presidente da Câmara. E expressámos as dúvidas que se levantam nas pessoas.

E esperamos ir mais longe, quando seja possível, até porque um artigo jornalístico não é, nunca é um produto definitivo.

A diferença, no jornal, é que não emitimos opiniões. Questionamos e ouvimos as partes.

Mas, para que esteja tranquilo, fique sabendo que não vivemos à conta de avenças, o que aliás nada teria de ilegítimo desde que fosse transparente, nem produzimos por "encomenda" de alguém, como acusa; e acredito igualmente que o senhor não seja subvencionado por alguém para dizer bem ou mal do que seja, nem produza o que escreve sob encomenda, coacção ou a mandado de outrém.

Não tenho satisfações a dar-lhe, mas também não tenho qualquer problema em dizer-lhe que enterramos dinheiro nosso para prestar um serviço público. E se fotografamos acriticamente coisas de somenos importância, na sua opinião, fique também a saber que os carros que usamos para nos deslocarmos são nossos, quando os partimos é a nossa carteira e o nosso corpo que pagam, o (muito) gasóleo que consumimos pagamo-lo nós também, as máquinas que utilizamos foram compradas por nós com o nosso dinheiro, as páginas que imprimimos somos nós quem as paga, o escritório que usamos é nosso, os computadores e as secretárias também, e não vivemos de subsídios, de esquemas, de tráfico de droga, de contrabando, de lavagem de dinheiro nem de reformas do Estado.

(continua)

Jornal Alto Alentejo disse...

(continuação)

E ainda fazemos os possíveis por ter os nossos impostos em dia, damos emprego e oportunidade a vários jovens da nossa região, mantemos nove postos de trabalho directos e temos a teimosia de aqui continuar a prestar um serviço que julgamos válido e de interesse social e colectivo. E tentamos tratar as terras por igual. E somos uma voz pública do concelho de Marvão, tal como de outros.

Por último, o nosso estatuto editorial explica ao que vimos desde há cinco anos, e o nosso percurso de cerca de 20 anos é garante disso em toda a região que teimamos em servir, apesar de podermos facilmente ter maiores proveitos noutras aqui próximas, com muito mais instituições de espírito aberto e muito maior número de empresas a querer fazer publicidade. Basta-nos ir para Abrantes ou para Évora, e trabalhamos menos e ganhamos mais (e olhe que os convites não nos faltam). Mas escolhemos estar aqui e aqui ficaremos, porque esta é a nossa terra.

E não, não fazemos o jornalismo que outros quereriam que fizéssemos. Fazemos o jornalismo que entendemos - com humildade e terra a terra - e é o nº de exemplares que vendemos todas as semanas que diz o que os leitores pensam de nós.

Cometemos erros, aceitamos críticas, aceitamos reparos, tal como aceitamos ajudas e sugestões. Mas não pactuamos com a censura, e não sofremos intimidações nem pressões, porque isso só sente quem é permeável.

E não ofendemos ninguém nem levantamos suspeições sobre quem quer que seja. Quanto à má educação, essa não podemos deixar de a sentir mas sabemos fazer-lhe frente. Ofender-nos?, isso só nos ofende quem nós deixarmos…

E obviamente que não aceitamos lições sobre jornalismo a não ser de quem tenha estatura e estrutura para no-las dar. Com esses aprendemos sempre.

Por último, creio que saiba que, ao contrário das rádios e das televisões, os jornais são um mundo totalmente aberto. E que fazer um jornal é a coisa mais fácil do mundo. Assim sendo, sugiro-lhe que faça o senhor um jornal e aplique na prática a si próprio os conselhos que quis dar ao Samuel.

Eu sei que não o faz, mas se o fizer pode ter a certeza de que eu não utilizarei um blog para o insultar dizendo que o seu jornalismo vive de avenças e de encomendas.

É que sabe qual é a diferença? É que nós não usamos os nossos jornais para expressar as nossas opiniões; cedemos espaço para que outros o façam e tratamos jornalisticamente as questões: ouvimos as partes e relatamos o que cada uma diz, deixando a interpretação aos leitores.

Manuel Isaac Correia

Migs Vil disse...

Os ditos canadianos são o Klondikegoldcorp.com que estõ interessados nas terras raras de Marvão. Mas podem ter a certeza que Marvão nunca será beneficiado por ter estas terras raras e ficará com sua beleza natula destruida.

http://www.klondikegoldcorp.com/wp-content/uploads/mineral-exploration-in-portugal.pdf

Migs Vil disse...

http://www.klondikegoldcorp.com/wp-content/uploads/mineral-exploration-in-portugal.pdf