sexta-feira, 20 de abril de 2012

Pedradas no charco...



Entre 1995 e 1996 um Presidente da Câmara Municipal de Marvão (eleito pelo Partido Socialista), teve uma espécie de agouro ou visão ou, como diz o povo, “um espírito santo de orelha” e decidiu que, sendo Marvão um sítio bonito, quiçá até original em Portugal, o poderia internacionalizar através de uma candidatura a património da humanidade tão em voga por essa época. Assim o cogitou e assim o fez.

Os resultados são aqueles que todos sabemos. Em 2006, já com outro Presidente, eleito agora pelo Partido Social Democrata (PSD) a ocupar a cadeira do poder, e para que não se visse essa candidatura passar pela desonra de ser chumbada pela Unesco, decidiu-se, habilmente, pela sua retirada. As argumentações para o possível chumbo foram diversas e a gosto dos justificantes.

No entanto, o que ficou dessa candidatura, para além de alguma divulgação e publicidade externa de Marvão foram custos e despesas, talvez exageradas nunca contabilizadas ou divulgadas para um pequeno município que vive das receitas do Orçamento Geral do Estado que talvez devesse pensar noutras prioridades, sem que alguém tenha assumido a responsabilidade do fracasso e, muito menos, pelos custos de tal aventura.

Entre 1996 e 2006 (período da anterior candidatura), eu acompanhei por dentro a vida PSD, sei perfeitamente aquilo que pensavam alguns dos actuais dirigentes executivos sobre esse Projecto, que apenas o não manifestaram publicamente e em programas eleitorais por não parecer, na altura, estrategicamente vantajoso. Mas posso assegurar que, tal candidatura, era tudo menos o ser considerada importante e muito menos estruturante para o concelho, ao contrário do que pensavam os políticos promotores.

Foi assim, com muita surpresa, que em 2011 vi os actuais dirigentes do executivo abraçarem de novo um Projecto de Candidatura de Marvão a Património Mundial, sobre a qual, anteriormente, manifestavam imensas dúvidas. O que prova, mais uma vez, que em política, o que ontem era mentira, hoje já pode ser verdade, desde que sejamos nós a conduzir o desígnio.

Quanto a mim, tenho as maiores dúvidas sobre o êxito deste Projecto, já que anualmente apenas é aceite uma candidatura por país e, Marvão é muito “pequenino” para se impor no panorama nacional, onde candidaturas idênticas brotam como cogumelos.

Não quero dizer com estes argumentos que Marvão não possui características de beleza e singularidade que deveriam merecer tal distinção. O que quero defender é de que será muito difícil, ou mesmo muito pouco provável que tal venha a ser reconhecido, por mais que algum “maltês” disso nos queira convencer. Sejamos realistas e não andemos a desbaratar recursos, certamente, essenciais para outras prioridades.

Por agora vou aqui deixar algumas questões, num debate que deveria ser público e abrangente (que o Presidente diz que existe) e que mereceriam ser tidas em conta, já que se o Projecto falhar, os rostos daqueles que enveredaram por mais esta aventura, terão que nos prestar contas, pois numa qualquer um cai; em duas é preciso ter pouco tino, ou interesses particulares!

Aqui ficam pois as dúvidas que me assaltam:

- Quem assume a paternidade do actual Projecto: Vítor Frutuoso, José Manuel Pires, Francisco Ramos? O Ray (rei), não é de certeza, porque apenas veio passar umas férias à Pousada...

- Este Projecto nasceu de uma necessidade colectiva manifestada pelos marvanenses, ou da cabeça de qualquer iluminado que gosta de aparecer nos “media”?

- Porque não se envolve a população marvanense neste Projecto, e continuamos a ver apenas meia dúzia de elementos da elite nas sessões desta candidatura?

- Porque não se envolvem os concelhos limítrofes neste Projecto, já que os benefícios do êxito de uma candidatura destas seriam de toda a Região, quer portugueses ou mesmo espanhóis?

- Qual é o orçamento deste Projecto? De onde virá o dinheiro? E qual o impacto do custo benefício?

- Quem irá na altura da decisão prestar contas, já que duvido que os promotores deste Projecto, na altura da decisão, ainda por cá andem para serem responsabilizados? Já no passado assim sucedeu!

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Novidades # 10



Sábado à noite não sou tão só
Somente só
A sós contigo assim
E sei dos teus erros
Os meus e os teus
Os teus e os meus amores que não conheci
Parasse a vida
Um passo atrás
Quis-me capaz
Dos erros renascer em ti
E se inventado, o teu sorriso for
Fui inventor
Criei o paraíso assim
Algo me diz que há mais amor aqui
Lá fora só menti
Eu já fui de cool por aí
Somente só, só minto só
Hei-de te amar, ou então hei-de chorar por ti
Mesmo assim, quero ver te sorrir...
E se perder vou tentar esquecer-me de vez, conto até três
Se quiser ser feliz...
Se há tulipas
No teu jardim
Serei o chão e a água que da chuva cai
Para te fazer crescer em flor, tão viva a cor
Meu amor eu sou tudo aqui...
Sábado à noite não sou tão só
Somente só
A sós contigo assim
Não sou tão só, somente só

São Marcos 2012

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Vamos a contas: Entrevista de Vitor Frutuoso ao Jornal Alto Alentejo

O Jornal Alto Alentejo publica hoje uma grande entrevista de Vítor Frutuoso, Presidente da Câmara Municipal de Marvão, onde este aborda a situação do concelho.

Vítor Frutuoso, num balanço de 2 Mandatos aborda nesta entrevista diversos temas, dos quais destaco:

- Política de desenvolvimento económico do concelho (Habitação, emprego, eventos, etc.)
- Balanço dos Projectos executados
- Perigo de extinção do concelho
- Desempenho da Oposição e algumas contestações
- Futuros Projectos
- Situação financeira do município e sua independência
- Nova Candidatura a Património Mundial
- Parcerias com as Associações do concelho
- Impasse do Campo de Golfe e Aldeamento
- As célebres vedações e os projectos “duvidosos” para esses terrenos

Por fim Vítor Frutuoso deixa a certeza que se irá candidatar a um 3º Mandato à CM de Marvão.

Espera-se com esta Entrevista/Ponto de Situação, que exista alguma reacção por parte da Oposição (se é que ela existe), e que venha concordar ou contrapor Vitor Frutuoso.

Aqui deixo a Entrevista, num “trabalho de recortes” muito aplicado e esforçado, espero que dê para ler! Se quiserem a coisa na íntegra, comprem o Jornal.



(Para ler clicar em cima das imagens com botão do lado direito do "rato" e abrir "Hiperligação")

Novidades # 9

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Estóreas de contrabando: O Palindro

Em tempos, já por aqui andei a narrar pequenas estórias sobre contrabando e contrabandistas, que me chegaram por relatos que fui ouvindo durante a minha infância. A maioria deles pelo meu pai, quando ao canto da chaminé relembrava com os amigos de aventura e entre dois copos de aguardente, episódios vividos ao longo da sua experiência de contrabandista.

Ontem, durante o percurso da IV Rota do Contrabando, enquanto percorria alguns desses trilhos e veredas, então usados nessas actividades no passado, ao deparar-me com uma pequena manada de vacas que por ali pastavam descansadamente, veio-me à memória uma dessas estóreas, talvez uma das mais fabulosas que ouvi, pela voz do seu protagonista de nome José Rosado, que todos conhecíamos por Zé Passarito, mas que o meu pai tratava sempre pelo “Palindro”, vá lá saber-se porquê!

O “Palindro” era uma dessas personagens prodigiosas, capazes de inventar duas intrujices em cada frase que proferisse, fazendo-se acreditar por quem o ouvisse e, o mais impressionante era que ele próprio parecia chegar ao ponto de acreditar nas suas próprias patranhas.

Num serão, desses inícios de noite frios e pachorrentos, dizia o “Palindro” para o meu pai:

- Oh Manel, bota aí mais uma branquinha que vou-te contar uma que nunca te contei. Numa noite em que eu e mais sete camaradas íamos levar umas cargas de café à Fontanheira, ali numa tapada da Ramila eis que, de repente, nos aparece por detrás duma giesta, uma magana de uma vaca enorme, preta como noite, a investir direita a nós! Olha, só tive tempo de bradar aos outros camaradas, que o melhor era a gente, entre todos, agarrá-la, antes que ela escangalhasse o primeiro que apanhasse. Assim aventei e assim o fizemos. Largámos as “carguitas” do café, e, entre todos, lá segurámos o bicho. Claro que, comigo a ir à córnea!
Só que após termos a sorte terminada, começámos a pensar. E agora? Quando a largarmos ela vai apanhar pelo menos um, e, duma valente “sova” esse não se vai safar!
Foi então que eu me lembrei de dizer para o “Pingas”, que estava no lombo da bicha:
- Eh pá dá aí uma pedra! Assim que apanhei o calhau nas unhas dei com ele num dos olhos da vaca, e, enquanto ela ficou a coçar o olho, nós agarrámos no café, e fugimos todos!

O meu pai já conhecedor do que a “casa” gastava, ainda lhe respondeu:
- Oh Palindro, isso foi mesmo assim?

Claro que o Palindro não se desmanchou e logo contrapôs, que era tão verdadinha como ele se chamar Zé Passarito! E que, se desconfiava, perguntasse ao seu cunhado Julião Pena, que também ia no grupo.

Só que o Mané Bugalhão conhecia bem a manhosice desses dois, e jamais arriscaria tal pergunta ao cunhado do Vale Carvão, cuja resposta ele já conhecia de ginjeira:

- Pois, pois, Manel, hum, hum..., esse” passarito” é mesmo danado para estóreas...

sexta-feira, 13 de abril de 2012

Nova Candidatura de Marvão a Património Mundial

De acordo com a Rádio Portalegre a Candidatura de Marvão a Património da Humanidade deverá ser entregue à UNESCO em 2013 - Ray Bondin




"O Embaixador Ray Bondin, coordenador do dossier de candidatura de Marvão a Património Mundial apontou hoje o ano de 2013 para a entrega do documento à UNESCO.

Em declarações exclusivas à Rádio Portalegre, Ray Bondin, afirmou que se trata de uma “candidatura forte” e que Marvão tem condições para ser eleito Património da Humanidade.

O município de Marvão avançou com uma candidatura a Património da Humanidade, pela UNESCO, em 1996, mas acabou por retirá-la 10 anos depois, na sequência de um parecer negativo, para evitar que fosse anulada.

Em fevereiro do ano passado o município decidiu iniciar um novo processo de candidatura, sob a coordenação de Ray Bondin, embaixador de Malta na UNESCO e presidente do Comité Internacional das Cidades Históricas (CIVVIH), organismo integrado no Conselho Mundial de Monumentos e Sítios (ICOMOS).

Conquistada aos Mouros por D. Afonso Henriques, Marvão recebeu o primeiro foral, concedido por D. Sancho II, em 1226.

A sua importância como centro militar foi testada nos séculos XII e XIII e mais tarde serviu de "sentinela" atenta às disputas territoriais com Castela.

Do seu vasto património cultural consta o castelo (Monumento Nacional), uma importante e imponente obra da arquitetura militar, cuja atual configuração remonta, em grande parte, ao reinado de D. Dinís.

Realce também para a Rua do Espírito Santo (Antiga Rua Direita), onde ainda se conserva a casa do Governador, além dos ferros forjados em destaque nos varandins graníticos.

A Igreja do Espírito Santo, com um portal renascentista e uma janela Manuelina, e o Pelourinho do século XVI (Imóvel de Interesse Público) fazem igualmente parte do património local, tal como o Convento de N. S. da Estrela, por onde passou a ordem dos Franciscanos."

III Torneio de Judo de Marvão



quinta-feira, 12 de abril de 2012

Fui Contrabandista....

Simulacro na Escola da Portagem







De acordo com os responsáveis envolvidos no simulacro de incêndio, todos os objectivos preconizados foram atingidos com êxito. Foi não só testado o Plano de Emergência Interno da Escola assim com a operacionalidade dos Bombeiros de Marvão.

Deixamos algumas fotos para ilustrar o exercício.

Bibliotecas e Arquivos à deriva...

O mundo dos outros...

1 - Transparêcia na política

Hoje fui surpreendido pela blogosfera regional, ao deparar-me, com esta iniciativa democrática de divulgação pública da vida política local, no caso uma Reunião do Órgão Executivo do Município de Arronches. A bem da transparência, como exemplo e para vosso conhecimento aqui deixo este vídeo.

Que pena em Marvão as coisas não se passarem assim!



2 - Convívio de Velhas Guardas


Do Facebook das Velhas Guardas de São Mamede recolhemos o seguinte artigo:

"Sábado dia 7 de Abril de 2012, sábado de Páscoa deslocámo-nos a S. António das Areias para defrontarmos os veteranos do GD Arenense, num excelente relvado sintético e com uma paisagem magnífica disputou-se um excelente jogo para veteranos foi um jogo em que as defesas se suplantaram aos ataques.

Foi um jogo bem disputado pela nossa equipa, já que teve que defrontar uma equipa aguerrida e que na segunda parte introduziu elementos mais novos com alguma rodagem de distrital, o que leva a pelo menos a estarem melhor fisicamente que nós. Mas a garra com que temos jogado nos últimos jogos e a boa circulação de bola que fazemos leva a que façamos um futebol vistoso para veteranos, em que o que gira é a bola fazendo com o cansaço não apareça tão cedo. Apesar de algo desfalcados, empatámos 1-1 com muito espírito de equipa e de sacrifício.

Com uma arbitragem um “bocadinho” caseira por parte do árbitro mas que se perdoa porque na primeira liga acabamos por ver bem piores.

Estiveram presentes neste convívio: Beto, Rogério, Boto, Adriano, Paulo Dias, Valério (Cap.),Marco Rufo, Luís Barreto, Cissé, Nuno Oliveira, Kevin, Ernesto, Caixeiro, Amaral e Hélder Silva.
Resultado final: 1-1 (Rogério).

Na 3ª parte mais uma vez fomos excelentemente servidos no “Restaurante pau de Canela”, foi um agradável convívio como é apanágio com os veteranos do GD Arenense já que é uma equipa que além de saber receber tem um bom espírito de veteranismo.

Esperemos que seja um convívio a manter ao longo dos anos já que o comportamento entre as duas equipas tem sido de autêntica amizade.
Até ao próximo jogo.

Valério Gandum"


Como adicional a esta crónica aqui ficam os nomes dos “craques” do GDA

1ª Parte:
Luís Roque; Bonacho, Zé Vaz, Barradas, Zé Luís, Filipe Guedelha, Chaparro, Ginja Dias, Luís Reis, Rui Delgado, Rui Felino

2ª Parte:
Luís Roque; Vítor Silva, Barradas, Nuno Costa, Mário Farto; Filipe Guedelha, Mário Cardoso, Delgado, Luís Costa, Zé Domingos; e Pedro Graça.

Treinador: Fernando Bonito

Concurso Um Turista Um Amigo no Alentejo - Parabéns às turmas de Marvão pela vitória!



No 3º ciclo do Ensino Básico - Prémio Passeio de Barco no Alqueva

-8º C da EBI Stª Maria de Beja,

- 8º A da EB 1 c/JI de Ammaia – Portagem.

- PIEF da EB2 3 de Moura,

- CEF da EBI Santa Maria de Beja com "Mouros no Alentejo".

- 8ª ano da EBI Dr. Manuel Magro Machado, Sto. Antº das Areias.

Na categoria Ensino Profissional - Prémio 250€ (duzentos e cinquenta Euros)em material informático a valorizar o centro de recursos, da respectiva escola.

- Escola Profissional Fialho de Almeida da Vidigueira, " A lenda da Costureirinha” apresentado pelos alunos do 2º ano Técnico de Audiovisuais.

- Escola Profissional de Moura"A Lenda da Moura Salúquia” trabalho dos alunos do curso técnico de turismo 10º ano.

- Escola Profissional Agostinho Roseta Pólo do Crato - "Semana Santa no Crato”, pelos alunos do 11º ano curso Técnicos de Turismo.

Simulacro na Escola da Portagem


O Agrupamento de Escolas de Marvão, em colaboração com os Bombeiros Voluntários de Marvão,promove hoje um Simulacro de Incêndio na Escola da Portagem com o objectivo de testar o seu Plano de Emergência Interno.

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Portugal Hoje na RTP 1 - Quatro casais de Marvão

Um pouco melhor e já completo!

terça-feira, 10 de abril de 2012

A política municipal sobre a aquisição de imóveis

foto desta manhã


Na última reunião de Câmara (acta ainda não publicada online), foi aprovada por unanimidade a compra de um prédio de Marvão, situado na Rua do Espírito Santo.

Esta política de compra de edifícios por parte da autarquia não é estranha e na sua essência faz todo o sentido, nomeadamente porque a Câmara tem o dever de pugnar pela boa conservação dos edifícios da Vila, e até promover o seu aluguer, após as obras de reabilitação, para famílias que queira vir povoar o burgo.

Qual é a questão aqui, então:

- A questão é que a autarquia tem neste momento duas casas prontas a habitar (ou a precisar de poucas obras), propriedade sua, sem que tenha sido lançado ainda o concurso para aluguer.

- A questão é que a autarquia tem (pelo menos) duas habitações na Vila de Marvão (Rua das Portas da Vila) a precisarem ambas de reabilitação urgente sem que tenha sido até agora lançado obra para tal*

- A questão é que a autarquia tem uma casa de função (a Casa do Governador) que cede sempre que necessário, mas quando as visitas são de responsabilidade, tem que pagar por quartos nas unidades hoteleiras. Esta casa tem quatro assoalhadas, tem boas condições e podia, mais uma vez, ser alugada a uma família, passados que foram vários anos sem que a sua ocupação periódica justifique a sua manutenção como casa de função.

- Será ainda lícito pensar, já que a placa publicitária colocada no dito prédio assim o indica, que neste negócio houve a intermediação da Remax? Sinceramente, desconheço.

- Para quando, já que é o mais justo e democrático, pensar nos espaços, sejam habitações/ comércios/espaços museológicos, que são de todos, de todos os contribuintes, exactamente como tal...definindo regras, fazendo concursos, cobrando rendas...para que não se caia na injustiça, na suspeita do favorecimento.

São suspeitas, são muitas questões, que podendo ter várias leituras, são no entanto, a meu ver, legítimas.

* Será objectivo constituir uma bolsa de habitações que possibilite uma candidatura para a sua recuperação? Se assim é, o exemplo da habitação social/habitação a custos controlados previstos e anunciados para Santo António das Areias e Beirã dá pouca esperança...

Carta de Marvão - Aníbal Belo

ilustração de Marta Belo

Carta de Marvão. Aníbal Belo. «Com os tambores a ressoar dentro de mim, segui as vozes do comando a que não presidia, obedecendo, então, como agora, às clemências e inclemências do destino. Apeei-me às portas de Marvão, parado, à escuta, como mendigo, depois de rezar o padre-nosso, crente fervoroso de que a esperança azula o futuro»

«Porque a memória é mais forte que o esquecimento, e porque o tempo não é mais do que uma categoria de lembranças, aqui está este meu almanaque, para vivenciar os acontecimentos do passado.

Na peregrinação a Compostela, que é a vida, de bornal de romeiro e de cabacinha, o destino, no seu determinístico movimento, estendeu-me generosamente o seu tapete, liso, aparado e aveludado, emprestando-me o futuro à ditadura venturosa do acaso dourado.

Foi assim que, por via da senda que me bordeja a vida, na travessia das hipérboles dos dias e dos acontecimentos, cheguei a Marvão, quando noviciado da minha vida profissional.

Tudo aconteceu quando, cursado, quis ser notário, opção que nasce e se segura em referências do tabelião de meu avô, cujas impressões me marcaram, quando menino e criança.

Estruturado e embainhado por dentro dos movimentos do universo rural, de que sou nascido, a figura do notário, homem maior em todos os redondos da Terra, na honradez e na verdade, namorou-me a vocação para um plano de vida, verdadeiramente aparelhado para o meu espírito quente, e apetitoso para escrutínios de declarações, de que a minha boa fé devia dar testemunho inquebrantável e indesmentível.

Os arcanos da mística dum projecto são mais elementares e essenciais que a sua execução. Com estandarte levantado, a nau, à maneira desafogada dos gregos diante do mar, vai navegar mais à costa, mais ao alto, ao porto longínquo desejado. Com os guiões içados, avançaram, de vitória em vitória, os exércitos romanos para vencer o cartaginês Aníbal.

Com os tambores a ressoar dentro de mim, segui as vozes do comando a que não presidia, obedecendo, então, como agora, às clemências e inclemências do destino.

Apeei-me às portas de Marvão, parado, à escuta, como mendigo, depois de rezar o padre-nosso, crente fervoroso de que a esperança azula o futuro.

E Marvão abriu-me as portas, como quem abre destinos, vestindo-me da dignidade e do mantelete de cidadão honorário da Vila.

Esta carta não é um documento antropológico, mas o florilégio dos meus enredos e enlaces sentimentais, da minha estanciação em Marvão. Utilizando a paráfrase de Pêro Vaz de Caminha, saibam todos quantos a lerem que devem tomar a minha ignorância por boa vontade, e creiam bem por certo que, para lindar nem afear, não porei aqui mais do que aquilo que vi e me pareceu.

Só quero dar conta da cor do derramamento das minhas emoções. Intramuros, tentei esteiar a minha vida em Marvão. Entrando nas portas de Ródão, em dia escuro e de chuva morrinhenta, que acinzentava o dia e antecipava a noite, com as casas e a Vila a parecerem mais de um castelo instalado nas nuvens, que assente na terra, as mas sem gente e invadidas por hordas sucessivas de nevoeiros densos e cada vez mais espessos, socorri-me da primeira silhueta que se cruzou comigo no largo do Pelourinho, tentando saber onde era o Cartório.

Saiu-me à resposta, logo e de propósito, a esposa do ajudante, que me deu a informação, mas acrescentando que ele estava muito ocupado e que, se fosse para marcar escrituras, era complicado, talvez fosse melhor ir a outro lado, porque lá não havia vaga. Amoleci a senhora, dizendo quem era e que vinha ver as instalações, nomeado que fora notário da Vila.

Assustada com a notícia com que não contava, desmultiplicou-se em fazeres e desfazeres, para ser solícita pala comigo, penhorando-me juras sobre juras acerca da valia e qualidades do bom colaborador que eu ia encontrar, que não era por nada, mas, por acaso, era o seu marido».
In Aníbal Belo, Carta de Marvão, Edições Universidade Fernando Pessoa, 2001, ISBN-972-8184-66-2.


Com a amizade de JCM
Cortesia da U.F. Pessoa/JDACT
(Encontrei este excerto do livro de Aníbal Belo, Carta a Marvão, neste blog. Como li este livro e gostei, reproduzo aqui, com a devida vénia)

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Novidades # 8

Dedico este Post a dois grandes amigos, Pedro Sobreiro e Fernando Bonito, por razões que só eles sabem.

Oxalá os pudesse tocar, não eu, mas a magia deste vídeo. Vale a pena perder meia hora de vida...

Amanhã

A vida não me larga
O mundo não me foge
A estrada é grande e larga
E eu levo o albornoz
Caminho à luz do dia
Por campos e montanhas
E bebo a água fria
E a sede não me apanha
E o céu ali é lindo
Azul, e eu não resisto
Ao céu, ao céu profundo
Distante,
E eu insisto
Amanhã...




IV Rota Internacional Contrabando do Café


(Carregar no lado direito do "rato" e "abrir hiperligação", para ler melhor)

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Distrito de Portalegre com 6994 desempregados em fevereiro - IEFP

O número de desempregados inscritos nos centros de emprego do distrito de Portalegre em fevereiro deste ano era de 6994 pessoas, mais 134 que no mês anterior.

De acordo com os dados divulgados pelo Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP) o concelho de Elvas liderava a tabela com 1674 desempregados, enquanto Castelo de Vide encontrava-se no extremo oposto com 110 pessoas no desemprego.

Os concelhos de Ponte de Sor e Portalegre, depois de Elvas, são aqueles onde o número de desempregados é maior, situação a que não é alheia a maior densidade populacional.

Ponte de Sor com 1481 desempregados e Portalegre com 1279 ocupavam os outros lugares do pódio, seguindo-se Campo Maior com 519 pessoas desempregadas.

Além de Castelo de Vide, que está na cauda da tabela, os outros concelhos com menos de 200 desempregados são: Marvão com 113, Arronches (136), Crato (165), Alter do Chão (171), Monforte (175) e Gavião com 196.

por Rádio Portalegre

Ai portugal, portugal...

Estes são a “reserva moral” da nossa “demo cracia” e da m***a do estado de direito que dizem ter criado!

Veja-se como esta "b***a trata o dito, que credibilidade nos merece e como brinca com o património público, pago pelos contribuintes: Carro, motorista, segurança, etc., etc...


Carro onde seguia Mário Soares apanhado a 199 km/hora

Os radares da GNR de Leiria apanharam o carro onde seguia Mário Soares, conduzido pelo seu motorista, a 199 km/hora na A8, avança o Correio da Manhã.

O ex-presidente da República viu o seu motorista ficar com a carta de condução apreendida e sujeito a uma multa de 300 euros, como explica o CM. Mas, segundo fonte da GNR ao jornal, Mário Soares reagiu mal e chegou a afirmar que «o Estado é que vai pagar a multa».

O carro, um Mercedes-Benz S350 4 Matic, é propriedade da Direcção-Geral do Tesouro e das Finanças e seguia no sentido sul-norte quando foi mandado parar numa estação de serviço. Os guardas garantiram ao CM que o histórico socialista foi «bastante mal-educado»."

Parece que pelo menos, como se pode ler aqui, este digníssimo representante da “demo cracia” teve, pelo menos, que pagar a multa! Ou quem sabe a debite à organização onde ia fazer a homilia...

PQOP...

XX Torneio de Futebol Infantil da Beirã

terça-feira, 3 de abril de 2012

Preferências por Marvão

Como se pode ler aqui:

"A vila alentejana de Marvão está entre os destinos internacionais mais pesquisados pelos britânicos que estão a pensar aproveitar o Jubileu de Diamante para passarem umas férias no estrangeiro.

De acordo com o site de aluguer de carros carhiremarket.com, apesar do Jubileu de Diamante da Rainha ser um dos eventos mais aguardados para este ano, muitos britânicos estão a pensar aproveitar o fim-de-semana prolongado de 2 a 5 de Junho para darem uma ‘escapadela’ até à Europa.

No topo da lista de destinos mais procurados surge Rias Altas, em Espanha, sendo que, logo no segundo lugar, surge Marvão. Cortona (Itália), Lago Garadice (Irlanda) e Tenerife (Espanha) compõem os restantes destinos que mais estão a chamar as atenções dos britânicos."

Assim se saiba receber bem. Os nossos visitantes são o melhor veículo de publicidade...

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Opinião de quem visita Marvão

No nosso email recebemos de João Paulo Pedrosa, um visitante de Marvão, seguinte texto com alguns elogios, mas, também, com algumas críticas que aqui reproduzimos, para que se possível, a quem se dirigem, que tente corrigir.

Ficamos desde já muito gratos a este nosso visitante pela sua participação neste espaço: obrigado. O texto que se segue também pode ser consultado aqui.

Estive em Marvão e gostei bastante de aí ter voltado.

Fui ao site da Câmara Municipal, para tirar o endereço de email, quando se abre começa uma música que não se consegue desligar, e depois perturba quem quer ver o vídeo (do Vimeo), que ali está publicado. Se for possível, colocar um botão para desligar a música será bom para os utilizadores.


Aproveitei a promoção de aniversário das Pousadas de Portugal, pague uma noite e fique duas! Como já tínhamos feito na Pousada anterior, na nossa volta pelo norte no início do ano, aqui reportada neste blogue.

Correu muito bem a viagem, a estadia foi mesmo boa, para ser melhor só se no nosso quarto da Pousada não se ouvisse um barulhinho de fundo (das caldeiras de aquecimento), e se no restaurante onde fomos comer uma açorda alentejana, uma especialidade gastronómica, cobrada como tal, não nos tivessem enfiado um barrete, pois nem o pão era daquele mesmo caseiro alentejano, e para cúmulo usaram coentros congelados, o que tira todo o aroma à erva e depois ficou assim uma sopa que poucos devem gostar. Só não mandei para trás, e até pagámos, para não insultar as pessoas e porque não íamos comer ali mais nada, era só mesmo para uma sopinha quentinha no frio da noite. O Restaurante Casa do Povo tem assim nota negativa, a evitar portanto.

Mas Marvão está muito bem cuidada, a iluminação nocturna está muito bem idealizada e cria um bom ambiente, tem bons locais onde pernoitar, o percurso pedestre até cá abaixo está bem cuidado e limpo..., só cá mais para cima é que há uma encosta com resíduos, não sei se nos estaleiros da Câmara, mas era evitável e será fácil limpar aquilo.


Com os melhores cumprimentos

João Paulo Pedrosa”

Escalada /Caminhada dos Bombeiros
















Foi com assinalável êxito que decorreu a I Escalada / Caminhada organizada pela AHBVM.Com um percurso a rondar os 12Km, os participantes tiveram oportunidade de passar por zonas de inolvidável beleza, terminando com um almoço convívio, no Quartel dos Bombeiros, que compensou e, bem todo o esforço desenvolvido na caminhada.

domingo, 1 de abril de 2012

Porque hoje é 1 de Abril

Estas são as pessoas que governam Portugal. Aqui é Passos Coelho, mas quase todos os outros fizeram igual...



Grande disparate foi o que tu disseste aqui Pedro. Fazer um "Diagnóstico de Situação" é sempre a 1ª Etapa de um processo de gestão, penso eu que não sou gestor, economista, engenheiro, ou outra coisa dessas!

E como diz o povo: "o que nasce torto, tarde ou nunca se endireita..."