(Leia tudo se quiser perceber o título...)
“… o futuro nos dirá se tenho razão ou não - é que a união de Portugal com a Espanha será uma fatalidade. Positiva, espero, e que não retirará nada à cidadania portuguesa que continuaremos a ter. Nem ao hino, nem à língua, nem à cultura, nem a nada, até porque a confederação ibérica foi defendida no séc. XIX por muito boa gente como, por exemplo, Antero de Quental.”
José Saramago
Tenho hesitado muito, em postar aqui, assuntos sobre futebol a nível nacional, uma das minhas paixões, pensando que, talvez, não tenha sido para isso que este espaço foi criado, e ao longo dos 2 anos que o Fórum leva de vida, consegui resistir.
No entanto, como estamos em período de férias e porque os assuntos locais nesta época não abundam, aqui deixo a minha modesta reflexão sobre o tema do momento:
Eliminação de Portugal do campeonato do mundo de futebol.
Não irei abordar o tema pela perspectiva “
folclórica”, em que o futebol se transformou nos últimos tempos, devido ao fenómeno mediático em que os meios áudio visuais o transformaram. Isso a mim não me interessa, diga-se, que até me enjoa e, às vezes enoja, e chego a pensar que estão a liquidar o
FUTEBOL. Para mim o futebol é o que se passa dentro das 4 linhas.
Toda gente opina e intervém nesse folclore. A opinião daqueles que passaram uma vida “dentro das 4 linhas”, muitos deles peritos e mestres na arte, é igual aos dos que nunca puseram os pés num campo de futebol, nem sabem responder, àquela pergunta estupidificante de
“… quantos lados tem uma bola?”.
Os solistas são vários: Ele é o Santana, é o Tavares (agora até parecem amigos), é o Vasconcelos, é o Moreira, é o Oliveira Costa, é o Ferreira, é o Barroso, é o Guedes, etc., etc., sem esquecer o grande catedrático Joaquim Rita (um asno, na minha opinião), todos “especialistas da porra”, a “botar” uma verborreia (ou será diarreia), sobre tácticas e estratégias futeboleiras, para pôr a “dançar” um país de rústicos, que quase se deixa encantar por estes “acordeonistas”.
Tem esta introdução como finalidade, o analisar o desempenho da selecção portuguesa no mundial da África do Sul.
Algumas notas previas, para melhor me fazer entender:
1 – O futebol é um “jogo” que permite sempre 3 resultados: vitória, derrota e empate.
2 – Portugal tem uma “boa” selecção. Mas não foi nem é das melhores do mundo (a não ser para alguns desses parolos, que atrás citei). Só por critérios manhosos e circunstanciais da FIFA, nos classificam, actualmente, em 3º lugar. Em minha opinião, quando muito, andaremos pela 10º, com muito boa vontade. E não é nada mau, assim Portugal o fosse em todos os seus desempenhos: da economia à saúde, da educação à justiça, da riqueza à pobreza, da música ao teatro, da honestidade à ausência de corrupção…
3 – 1 Jogador ou 2 ou 3, não fazem uma boa Equipa, nem sequer 11. São precisos pelo menos 15 bons jogadores.
4 – Em toda a história do Futebol, apenas 2 vezes, Portugal alcançou melhores classificações que este ano: em 1966 (3º lugar) e 2006 (4º lugar).
5 – Dos “artistas” que atrás citei e outros que não citei, qual deles ocupa nas actividades que desempenham, lugar nos 10 melhores do mundo. E quantos deles já foram contratados para desempenhar actividades de relevo fora cá do “burgo”? Como podem eles arrasar o seleccionador?
6 – Talvez estes fazedores de “opinião da treta”, estivessem mais contentes quando perdemos com Marrocos e Polónia (1986), ou com os Estados Unidos e Coreia do Sul (2002). Ganhar à Coreia do Norte, empatar com a Costa Marfim e Brasil, não é bom, é muito bom para Portugal.
Fixemo-nos agora, no jogo que perdemos com a Espanha por 1 – 0:
– A selecção espanhola não é melhor que a portuguesa! É muito melhor, em diversas vertentes, senão mesmo na sua totalidade (é a 2ª para a FIFA, com os tais critérios manhosos). O que, não quer dizer, que não pudéssemos ganhar; mas também poderíamos perder, e foi isso que aconteceu (o futebol é um jogo em que se pode perder, ganhar e empatar).
- Nesse jogo, o nosso melhor jogador não existiu, nem para cantar o hino. Só dei por ele, no final do jogo quando soltou umas “bacoradas”, indignas dum “capitão”. Se aquele é o melhor do mundo? Como classificar o nº 7 espanhol David Villa?
Se a FIFA realizasse uma classificação final global, para apurar os melhores jogadores do mundial, com critérios objectivos de futebol, o CR 7 português não ficava nos 50 primeiros.
- Por fim façamos um pequeno exercício que vos proponho.
Se você fosse treinador, e lhe fosse dada a oportunidade de escolher jogadores para disputar um jogo, de entre os 22 jogadores que entraram de princípio no Portugal – Espanha, qual seria a sua escolha?
A minha aqui fica, porque quereria ganhar.
- Guarda-Redes: Eduardo ou Casillas?
Considero que o Eduardo foi o nosso melhor jogador neste mundial. Mas o “portero” espanhol é sem dúvida um dos melhores do mundo. Devido à sua experiência não hesitaria, Casillas seria o meu guarda-redes.
- Lateral-Direito: Ricardo Costa ou Sérgio Ramos?
Sérgio Ramos, sem justificação.
- Central 1: Ricardo Carvalho ou Puyol?
Para mim, a escolha seria sem dúvida o “central” português Ricardo Carvalho. Um dos melhores defesas portugueses de todos os tempos, um exemplo dentro e fora do campo. Reparem só o que é deixar de fora Puyol!
- Central 2 – Bruno Alves ou Piqué?
Apesar do Bruno ter sido um dos melhores jogadores de Portugal, a minha escolha seria Piqué, um dos melhores centrais do mundo. Para além de defender entra no ataque como eu gosto, e faz desequilíbrios fundamentais.
- Lateral-Esquerdo: Coentrão ou Capdevila?
Sem hesitar Coentrão. Não sei se Espanha vai ser campeã do mundo, mas com Fábio? Não sei, não sei... Grande revelação ao mundo. Para mim, só superado por Eduardo.
- Médio-Defensivo, de Cobertura ou “Trinco”: Pepe ou Sérgio Busquets?
Busquets. É como estar a comparar o “terreiro do paço, com a feira das galveias…”.
- Médio 1: Tiago ou Xavi?
Com todo o respeito por Tiago, Xavi é fabuloso! Tiago é bom mas Xavi é o melhor do mundo na sua posição.
- Médio 2 – Raul Meireles ou Xabi Alonso?
Escolheria Xabi Alonso pela sua segurança defensiva, pelo menos para 70 minutos, depois talvez entrasse o Meireles, que também esteve à sua altura.
- Médio 3: Simão ou Iniesta?
Iniesta, sem justificação.
- Avançado 1: Hugo Almeida ou Torres?
Torres para 80 minutos, depois entraria Hugo Almeida, senão tivesse à minha disposição um tal de Llorente.
- Avançado 3: Cristiano ou Villa?
Villa, sem justificação.
Se bem que nem sempre o todo, seja a soma das partes..., lá que contribui, contribui...
Resumindo a minha Selecção, que bem poderia ser a IBÉRIA:
Casillas; Sérgio Ramos, Ricardo Carvalho, Piqué e Fábio Coentrão;
Sérgio Busquets, Xabi Alonso, Xavi e Iniesta; Torres e Villa.
Por tudo isto, ser eliminado pela Espanha, é algo perfeitamente normal e não o fim do mundo, como nos parecem fazer crer. Ganharam os melhores.
Assim se percebe o título deste Post, e talvez o resultado do jogo: ESPANHA 9/11 – PORTUGAL 2/11.
TA: E não me venham com essa treta da falta de patriotismo. Tratam-se apenas de evidências. Actualmente, em cada 10 jogos, ganhamos 1 à Espanha.