terça-feira, 2 de março de 2010

José Coelho in "http://tocadoscoelhosbeira.blogspot.com"

O resto é (mesmo) paisagem...


Ao sobrevoar, há dias, os céus de Lisboa e tendo a sorte de ocupar um lugar junto a uma vigia da aeronave, tive o raro privilégio, dada a luminosidade daquela esplêndida manhã, de desfrutar da magnífica paisagem que se vislumbra lá do alto, enquanto ganhávamos altitude na nossa rota rumo ao Funchal.

E não pude deixar de compreender, assim de uma assentada só e sem mais explicações, porque é que o meu concelho de Marvão e as suas aldeias estão semi-vazias de gente, com inúmeras casas fechadas e sem perspectivas de futuro. Não vale a pena tapar o sol com a peneira.

Falo de Marvão que é o profundo Portugal onde moro, mas sei que toda a faixa interior que vai de Bragança a Vila Real de Santo António enferma do mesmo mal.

E porquê? Fácil!

Porque, de Abrantes até ao Oceano Atlântico, as vilas e cidades pegam quase umas nas outras e é visto assim, lá do alto, que isso melhor se percebe. Daquela janelita do avião, parecia uma só cidade, até onde o meu olhar alcançava, numa extensão incalculável de litoral, até que por fim a altitude não permitiu que se vislumbrasse mais do que um maravilhoso e único tapete de nuvens brancas e aparentemente fofas como algodão, mesmo por baixo de nós.

É completamente impensável já reverter tal situação. Somos poucos por cá já hoje. Seremos cada vez menos, não o duvido, no futuro. Vão restando alguns jovens resistentes e os reformados como eu que dão ainda alguma vida às aldeias e criam alguns empregos nessa nova indústria que são os lares e centros de dia. Quando forem actualizados os censos, aposto que seremos menos 30 ou 40% de cidadãos marvanenses, do que os contabilizados na última vez...

No litoral, pelo contrário, há demasiada gente. Mas ali há também oferta de quase tudo o que as famílias necessitam. Eu próprio já pouco conto com os meios daqui. Quase tudo o que preciso ali encontro com precisão, eficiência e rapidez e está à distância de duas horas de viagem no meu velhinho Corsa. Chatices para quê? Bairrismo? Uma ova! Isso era dantes.

Na terra do bom viver, faz sempre o que vires fazer. E eu assim faço mesmo. Santos de casa não fazem milagres e os de Marvão então, é um descalabro. Uma vergonha. Aqui só se cuida e trata bem quem de cá não é. Turistas? Não! Modernices...

Um dos meus filhos já se foi de vez e diz sem papas na língua que não quer para cá voltar. O outro, não sei bem ainda, mas provavelmente seguirá o mesmo caminho, porque aqui só nos conhecem e dão alguma atenção em época de eleições. Passados os votos... Quem és tu?

Uma vergonha. Porém se calhar também só temos o que merecemos, porque continuamos estupidamente a votar neles. E resmungamos, resmungamos, mas lá vamos andando e achando que talvez as coisas mudem ou melhorem...

Porém, velho que também já vou sendo, já deduzi há algum tempo que o melhor é esperarmos sentados, para não cansar tanto as pernas!

E, cada vez mais, aquela conhecida máxima, oriunda do (algo já saudoso) tempo do António de Santa Comba, vai sendo de novo uma realidade nua e crua...

Portugal é Lisboa e o resto...

Quando viajarem de avião olhem bem cá para baixo e com certeza verão dissipadas as vossas dúvidas. Se por acaso as tiverem ainda.

Domingo é pela Madeira...

segunda-feira, 1 de março de 2010

BORA AÍ LIMPAR MARVÃO!!!



Ora aqui está outra das coisas que me dará muito gosto fazer, e na qual o Fórum Marvão deve participar MUITO activamente, sob pena de eu levar o resto da vida a vociferar que isto não passa de uma cambada de teóricos com a mania que são os salvadores do mundo, mas quando toca a chegar-se à frente, rien de rien.

O projecto Limpar Portugal é muito ambicioso, e consiste numa ideia que eu sempre tive e quis por em prática no concelho de Marvão. Trata-se de localizar e classificar as lixeiras, e organizar meios humanos e materiais, para, no próximo dia 20 de Março, ir para o campo recolher toda a porcaria que tanto javardo (de duas patas) por aí deixa a solta.

Nós por cá, que podemos fazer? Podemos criar um grupo de voluntários, ou podemos entrar no grupo já existente no concelho, cujo trabalho me parece estar bastante atrasado, já que, por exemplo, poucas são as lixeiras indicadas até à data, sendo esse provavelmente o primeiro passo a dar.

Independentemente de quererem participar activamente no projecto, agradecia que todas as pessoas que tenham conhecimento de locais onde há lixos e entulhos acumulados, que nos deixem aqui essa informação para depois ela ser devidamente tratada.

Se quiserem saber mais informação sobre este projecto entrem em:

http://limparportugal.ning.com/

I Assembleia Municipal de 2010

OPINIÃO

Teve lugar na última Sexta-Feira, dia 26 de Fevereiro a I Assembleia Municipal (AM) Ordinária de 2010.

Como dizem os espanhóis, podemos considerar que se tratou de uma reunião “sonsa e aburrida” e em cerca de 90 minutos, a coisa despachou-se (a mais breve Assembleia que me lembro). Certamente devido às características dos assuntos em Ordem de Trabalhos, mas também, devido à pouca participação dos seus membros, que parecem pouco empenhados em discutir os assuntos do concelho. E, aqui, os mais criticáveis, são os membros da Oposição, já que nem questionam, nem apresentam propostas ou alternativas à política do Executivo.

À excepção de dois assuntos que mereceram algum debate, um ainda de ordem Regimental – Funcionamento da Assembleia; e outro em Assuntos Diversos – o Projecto dos Novos Povoadores; os restantes não mereceram qualquer apreciação da AM. Os Assuntos da Ordem do Dia passaram directamente às votações, sem qualquer debate, e eram eles:

- Alteração ao Regulamento do Conselho Municipal de Segurança
- Proposta de alteração ao Regimento da AM
- Informação do Presidente da Câmara acerca da actividade Municipal
- 1ª Revisão das GOP e respectivo Orçamento
- Regulamento e Tabela de Taxas Municipais
- Convénio do Tejo Internacional
- Projecto de Regulamento do Conselho de Juventude
- Proposta para nomeação do Conselho de Educação
- Assuntos Diversos.

Claro que este cenário agrada a alguns, sobretudo aqueles que têm temor do debate político sério, e que usam todas as estratégias para não serem confrontados, não tendo em conta, que assim, estão a dar trunfos àqueles que só falam em surdina e pelas “costas”, ou usando métodos muito pouco democráticos, como seja a treta dos “abaixo assinados”.

Desta vez nem o Período destinado ao Público, teve qualquer intervenção, já que a bem dizer, o “público” não compareceu, à excepção de duas ou três pessoas. Muito triste para quem se habituou, ao longo dos últimos 10 anos, a ver, quase sempre, a Sala cheia.
Não alheio a este facto será, certamente, o novo horário das AM – 18 horas, quando a maioria das pessoas ainda trabalham. Se a intenção for afastar, os poucos que ainda se interessam por estas coisas da política local, facilmente, concluiremos, que a estratégia é perfeita.

Entretanto, assuntos importantes para a vida dos marvanenses, como a construção da Estação de Tratamento de Esgotos da Beirã, a participação em Parcerias Publico/Privadas, algumas Adjudicações de Obras e a Política de Recrutamento de Pessoal da Câmara Municipal, parecem não interessar discutir na AM, mas continuam a alimentar o frenesi dos arautos ocultos da ignominia, da má lingua e dos pasquins da “caverna”.

No entanto, nem tudo foi negativo nesta AM, e temos que saudar, a primeira vez em que uma Assembleia Municipal em Marvão foi presidida, e bem, por uma mulher. Parabéns Hermelinda Carlos.

CTT - Um caso problemático

Movimento por Marvão (MpM): Por mail:

Tendo tido conhecimento da nota de imprensa do passado dia 22 de Fevereiro subscrita pelo Município de Marvão quanto à intenção manifestada pela Direcção de Serviço a Clientes do Centro Sul dos CTT em ver reduzido o horário de funcionamento da estação de correios da vila de Marvão, cumpre ao Movimento por Marvão, enquanto pólo dinamizador de um espaço de intervenção cívica neste concelho, expressar a sua concordância com a posição defendida pela autarquia.

O grupo CTT, não obstante a sua natureza privada, tem a seu cargo obrigações de interesse público, objecto de um contrato de concessão claramente definido, incumbindo-lhe em exclusivo prestar os seus serviços em todo o país a fim de assegurar efectivamente um serviço postal universal.

A redução do horário de funcionamento da estação de correios de Marvão, tal como aquela Direcção pretende levar a cabo, mantendo um serviço, que é público, disponível apenas uma hora e meia por dia afigura-se claramente contrária aos fins da referida concessão e fortemente penalizadora de todos os utentes. Desta forma, todos os seus utentes, sejam pessoas singulares ou colectivas, públicas ou privadas, passam a estar limitados à utilização dos serviços prestados pelos CTT o que se traduz na inversão da lógica presente no conceito de serviço público, ou seja, ficará o cidadão ao dispor do serviço em vez de ser este ao dispor do cidadão. Em última análise, reduzir o funcionamento da estação de correios da vila de Marvão a uma presença quase insignificante conduzirá, num futuro, que se receia próximo, ao fecho total destes serviços no próprio concelho.

Cumpre lembrar também que esta mesma Direcção está vinculada aos princípios constantes da carta de ética que rege o funcionamento dos CTT, na qual se pode ler: “(…) Pelo seu impacto na sociedade portuguesa, com presença em todo o território nacional, chegando aos lugares mais remotos, com um peso elevado no nível de emprego e na produção de riqueza, e enquanto veículo de reforço competitivo do tecido empresarial nacional:

“(…) Os CTT – Correios de Portugal têm por Missão o estabelecimento de ligações físicas e electrónicas, entre os cidadãos, a Administração Pública, as empresas e as organizações sociais em geral. A sua tradição postal será progressivamente reforçada e alargada às actividades e áreas de negócio onde a vocação logística e comunicacional da Empresa possa ser eficientemente colocada ao serviço dos Clientes (…); Na prossecução da sua actividade, os CTT adoptam como Visão: Os CTT – Correios de Portugal serão uma poderosa plataforma multiserviços, visando a satisfação das necessidades dos cidadãos e dos agentes económicos, através de uma rede comercial e logística de elevada qualidade, eficiência e proximidade do Cliente. (…); Serão um elemento essencial do desenvolvimento social e económico do país, contribuindo para a melhoria dos padrões de qualidade de vida dos clientes e dos trabalhadores, mercê de uma dinâmica, de uma cultura de serviços e de um sentido de responsabilidade social irrepreensíveis (…)”.

É forçoso concluir que tal medida tem um impacto negativo no concelho de Marvão, afectando directamente o quotidiano de quem procura e precisa destes serviços, constituindo, assim, (mais) um factor responsável pelo retrocesso social e económico do interior.

Pelo exposto, o Movimento por Marvão manifesta também a sua discordância com tal medida, apelando à Autarquia para dar conhecimento a todos os munícipes das razões que fundamentaram esta decisão por parte daquela Direcção.

sábado, 27 de fevereiro de 2010

Miguel Teotónio Pereira, por mail

JOSÉ E A TRADIÇÃO

Há quase cento e cinco anos que José repousa naquela cripta. Tempo de mais para uma vida, quase chegaria para duas. A esse repouso, imposto pela tirania da mãe de todas as mães - a Natureza -, ficava todavia José em débito por lhe ter poupado a excitação dos seus nervos, já de seu natural basto inflamáveis, que certamente o fluir dos acontecimentos não deixaria de provocar. A morte é dual - uma condenação original, e uma libertação prometida.

Ficou José a cinco anos de viver o triunfo do que fora a mola, e a seiva, da sua existência. Não conheceria o sobressalto da monarquia do Norte, não assistiria à degradação dos alicerces morais e sociais daquele triunfo, e à sua implosão na revanche reaccionária do 28 de Maio. Já nada poderia fazer para contrariar, com o seu ânimo poderoso e exaltado, o rumo da Revolução Nacional, a implementação de uma ditadura de inspiração fascista, a consolidação de um regime policial de partido único, que os desfechos da Guerra Mundial não puderam quebrar. E nem em sonhos - que não parecem ser plausíveis em meio do gelo do Sono eterno - lhe chegariam o viço libertador e os aromas redentores da flor de Abril.

Mas, estou em crer, se os mortos falassem - para os vivos, já se vê, que lá entre eles ninguém sabe de que conversam - não se queixaria José; quero dizer, queixas teria, e não poucas seriam - de adversários mas também de correligionários -, mas não da ausência de protagonismo nos acontecimentos do seu tempo; quando digo protagonismo, não estou pensando na acepção vulgar que hoje, e infelizmente, essa palavra carrega, mais aparentada com vaidade, mas naquela que verdadeiramente significa - a de alguém que protagoniza, que está por dentro, em três palavras - que é sujeito.

E que sujeito era José! Errático, instável, mas voluntarioso e de ideias assentes! O destino que o berço lhe proporcionou, sendo o pai um abastado proprietário agrícola, rejeitou-o ele, preferindo a vida tumultuosa das escolas e das academias citadinas (Portalegre, Coimbra, Porto, Lisboa), cursando sem concluir, e sempre escrevendo, em gazetas várias, assumindo diversas correspondências, até achar o leito do rio da sua vida: seria editor e livreiro, e para começar, fundou, em 1871, na alfacinha e proletária Rua do Arsenal, a Nova Livraria Internacional.

Se vivos fossem, a José Falcão, Elias Garcia, Rodrigues de Freitas, Gomes Leal, Silva Pinto, Eduardo Maia, Magalhães Lima, Teófilo Braga, e a tantos outros, poder-se-ia perguntar que importância teve a livraria de José na concentração e no desenvolvimento das ideias do século, dos sonhos do sufrágio universal, da melhoria das condições de vida das “classes laboriosas”, do federalismo com a Espanha republicana – mas não faltam os testemunhos escritos; e podemos imaginar a efervescência da sua acção doutrinária e prática recordando o nome de algumas associações a cuja fundação e actividade ligou o seu: o Centro Promotor dos Melhoramentos das Classes Laboriosas, a Internacional Operária, o Centro Republicano Federal de Lisboa, o Clube Mundo Novo. Fundou jornais, aos quais emprestaram a sua pena as mais proeminentes figuras intelectuais e políticas da época, publicou folhetos e almanaques, assumiu-se como figura central do Partido Republicano (integrou o primeiro Directório), envolveu-se nas suas disputas internas, colaborou em jornais da província (Portalegre, Tomar, Chaves, Elvas, São Miguel). Assinou livros e opúsculos: Liberdade de consciência e juramento católico (em 1878 foi levado a juízo por se recusar a jurar sobre a Bíblia), A questão social, as bodas reais e o Congresso Republicano, o Catecismo republicano para uso do povo. Emigrou para o Brasil, e nele encontraram apoio e auxílio os refugiados do 31 de Janeiro; por lá adoeceu, e regressou a Portugal para morrer.

Em 2010 cumpre-se o centenário da instauração da república em Portugal. Foi instituída, faz já tempo, uma Comissão Nacional, encarregue de elaborar um programa de actividades. Esta Comissão estabeleceu vários contactos, de modo a facilitar o desdobramento sectorial e territorial dessas actividades. Os municípios surgem, naturalmente, como parceiros privilegiados, e parece ser indiscutível a oportunidade que se lhes depara de, independentemente dos juízos de cada um acerca do regime republicano, promoverem, com apoios vários, e com uma visibilidade acrescida, iniciativas de carácter histórico, cultural e patrimonial que valorizem os seus acervos, as suas diferenças, a sua história. As marcas não se resumem a operações de marketing. Carecem de substância.

O protocolo assinado, em Março de 2009, entre aquela Comissão e a Associação Nacional de Municípios Portugueses prevê, entre muitas outras possibilidades, a publicação, este ano, de Roteiros Republicanos dos municípios (cronologias, toponímia, urbanismo, património, biografias, etc.). Quem estiver interessado, pode consultar centenariorepublica.pt.

Tal, porém, não acontecerá em Marvão, a mui nobre e sempre leal vila da corrente liberal e progressiva da luta civil, e no município de que é cabeça. Numa das primeiras reuniões de câmara do presente mandato, questionado por um munícipe, o presidente da câmara, aparentando desconhecer as iniciativas que, a propósito, por todo o lado irrompiam, afirmou não considerar relevante “festejar” o centenário; na reunião seguinte, novamente questionado, optou pelo silêncio; finalmente, e porque à terceira é de vez, mais recentemente, tendo o referido munícipe insistido nesta questão, arrumou-a em definitivo, proclamando, ex cathedra, que “Marvão não tem tradição republicana”!

José Carrilho Videira nasceu em Marvão em 1845, e faleceu em Marvão em 1905. Só lhe podemos desejar que à sua derradeira Morada não tenham chegado os ecos da imponderada sentença de quem conjunturalmente se senta na cadeira principal da antiga casa dos Homens-Bons da sua terra.


Miguel Teotónio Pereira

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

O(s) donativo(s)

Há dias tive o privilégio de presenciar algo que, de tão raro, considero digno de registo e divulgação. Após insistência, obtive autorização para tirar uma fotografia e respectiva publicação.

Na imagem vemos Carlos Sequeira (anterior presidente da Assembleia Municipal de Marvão), entregar a João Bugalhão (actual presidente do Grupo Desportivo Arenense), o cheque por ele recebido da Câmara Municipal de Marvão, referente ao quarto (e último) ano do seu mandato.

Esta verba destina-se à aquisição de equipamentos desportivos para as camadas jovens do G.D.A., os quais publicitarão o turismo rural de Carlos Sequeira: “Turimenha”.


O oferente referiu que, desde a sua juventude, nutre um reconhecimento especial pelo G.D.A., visto que, lembra-se, esta associação sempre apoiava a realização dos jogos de futebol pelas festas de S. Salvador da Aramenha, os quais tinham Carlos Sequeira como dinamizador principal. Este, sublinhou ainda a importância que o G.D.A. tem para os jovens do concelho, ao possibilitar-lhes a prática desportiva.

Apesar de pouco usual, este donativo até parece normal…

Contudo, aquilo de que tive conhecimento, nesse mesmo dia, sobre a aplicação das verbas auferidas pelo anterior presidente da A.M. de Marvão nos primeiros três anos do seu mandato reveste-se, já, de contornos extraordinários:

- O cheque referente ao primeiro ano foi oferecido ao lar de idosos do Porto da Espada (terra natal de Carlos Sequeira).

- O cheque referente ao segundo ano foi oferecido para apoiar a construção do futuro lar de idosos de S. Salvador da Aramenha.

- O cheque referente ao terceiro ano foi oferecido à Casa do Povo de Santo António das Areias, para apoiar a construção do futuro lar de idosos daquela localidade.

Conclui-se, portanto, que o anterior presidente da A.M. de Marvão doou a instituições do concelho todo o dinheiro que auferiu no âmbito do seu mandato.

Quando nos habituámos a observar muitos políticos a servir-se, nos seus cargos, daquilo a que têm direito e muito mais, esta atitude de Carlos Sequeira torna-se ainda mais extraordinária.

Louvável!


Bonito Dias
(bonitodias@gmail.com)

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Contrabandistas de Marvão




Aqui fica um tributo elaborado pelo Professor Raul Lopes ao Percurso do Contrabando Romântico do Café, idealizado e interpretado pelo nosso amigo Garraio, a quem agradeço mais uma vez por esta edição.
No entanto, não posso deixar de transmitir algumas impressões que troquei com o Professor, ao longo dos trilhos, e que reforçam a opinião deixada aqui pelo Bonito no dia 14 de Setembro de 2009 - é uma pena que estes caminhos (da memória, digo eu) estejam marginalizados, deixados ao abandono e sob a indiferença dos nossos responsáveis autárquicos. O Professor reiterou várias vezes a mesma ideia: "vocês nem imaginam o potencial que estes percursos têm".

Enquanto esses trilhos não estão organizados e integrados, fica aqui este vídeo para aguçar a vontade de novos contrabandistas...

Grande Trabalho!

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

De Marvão para o mundo (1987) …

Memórias da Rádio Ninho de Águias (Capítulo IV)

(Dedicado a Manuel Joaquim Gaio)

Foi curto o período da estadia em casa do Costa, pois o fenómeno começou a interessar muitos marvanenses, inclusivamente, os autarcas executivos da época. Mas foi um tempo indispensável para aprendizagem e recrutamento de novos “piratas”.

A Ninho de Águias acabaria por se mudar para as instalações da Câmara Velha, onde hoje funciona a Casa da Cultura e, que por esses tempos, estavam mais ou menos abandonadas.

O grande impulsionador desta mudança foi o Manuel Joaquim Gaio, que era também Presidente da Junta de Freguesia de Santa Maria. Não me lembro bem, se essa intervenção se fez como autarca, ou em nome individual, ou de ambas. O que sei, é que o Manuel, teve aí um papel preponderante, para além da participação na aquisição de um novo Emissor muito mais potente, que passou a levar a voz de Marvão, para norte, até às proximidades da cidade da Guarda; para ocidente, até à cidade de Abrantes; e para oriente, as ondas chegavam com facilidade à cidade espanhola de Cáceres; para sul, ficámos mancos, já que a serra de S. Mamede obstaculizava a passagem das vagas artesianas. Lembremos aqui, que nessa época, a cidade de Portalegre não tinha qualquer Rádio e a Ninho de Águias foi a pioneira deste movimento em todo o Norte Alentejano.

Com esta mudança, foi possível recuperar todos os colaboradores, primeiros e recentes, e ainda, recrutar novos; há excepção do Fernando Pinheiro, que nunca mais voltou.

O horário de funcionamento passou a ser aos dias de semana entre as 18 e as 24 Horas; e aos fins-de-semana, o horário alargava-se, chegando a funcionar mais de 12 horas por dia. Existia assim, lugar para todos e permitia aos ouvintes seleccionar os da sua preferência.

Deixo aqui um leque de alguns dos colaboradores que me lembro, desafiando os visitantes do Fórum a relembrar alguns que eu me tenha esquecido: Fernando Gomes, Jorge Marques, Caldeira Martins, João Vidal, Nuno Mota, José Boto, Luís Mourato, Carlos Abafa, Fernando Sabino, João Batista, Jorge Miranda, entre outros.

No que a mim diz respeito, realizava com regularidade dois programas semanais: um de cariz musical e mais intimista “o toco do castanheiro”; e outro de índole desportivo denominado “bola no chão”. Em relação ao primeiro, escreverei no próximo capítulo.

Já em relação ao segundo “o bola no chão”, que tratava todo o desporto distrital, tinha um colaborador “in vivo” no terreno, que hoje quero homenagear, e que me fazia chegar umas “crónicas escritas”, das quais eu só tinha conhecimento, muitas vezes, já depois de ter iniciado o programa, com uma caligrafia que eu não conseguia decifrar, mas portadoras de uma riqueza literária futebolística criativa, e, também especulativa, digna de fazer inveja aos melhores “comentadores do reino”, que me punha a gargalhar do princípio ao fim, a ponto de ter de interromper, com frequência, a sua narração.

Aqui fica a minha homenagem a esses tempos, e, sobretudo, ao Caldeira Martins, um verdadeiro “Gabriel Alves” do Norte Alentejano:

Crónica de um Tolosa – Nisa (em Iniciados: jovens dos 12 aos 14 anos)

“ (…) de Nisa, quase todos com uma compleição física impressionante, lançaram-se para o ataque e o primeiro golo não tardou.

Os de Tolosa, pequenos Davides como que atordoados por aquela avalancha de Golias vermelhos, tardaram a recompor-se e só a valentia e o valor do seu guarda-redes impediram que logo ali o prélio ficasse resolvido.

Até que o seu pequeno-notável Luís Filipe, lá conhecido pelo ÍNDIO, resolve pôr alguma ordem na equipa. Segura a bola rente ao chão, solicita o ponta-de-lança BACALHAU que fura entre os calmeirões da defesa do Nisa e empatou.

Pouco depois o mesmo BACALHAU numa marcação muito estudada de um livre-indirecto, põe o Tolosa a vencer. E mais podiam os da casa ter marcado até ao intervalo.

Logo que começou a segunda parte, o Nisa em desespero, fez adiantar os dois avantajados centrais numa tentativa de massacrar os MINORCAS de Tolosa na sua grande-área. E realmente, só a complacência da equipa-de-arbitragem e a inspirada manhã do guarda-redes local, foram adiando a concretização em golos dos remates em CATADUPA que procuravam as redes do Tolosa. De tal forma que quando finalmente chegou o golo do empate toda a gente julgou que era a rendição pura e simples dos mais franzinos.

Mas eis que o Tolosa faz entrar um nº 13 ainda mais pequenininho que os outros. Ainda não se tinha dado por ele, e já arrancava do seu meio-campo, tem artes de passar pelas 4 TORRES da defesa do Nisa, isola-se e contando com a ajuda do nº 1 adversário, volta a pôr o Tolosa a ganhar. Foi este o lance chave do encontro.

O extremo-esquerdo do Nisa, curiosamente o único baixinho, mas também mais habilidoso, limpava as lágrimas às mangas da camisola, mostrando uma pureza que, felizmente, ainda é muito frequente nos “futebolistas” mais novos. Os grandalhões não choravam, mas perdiam o ânimo.

E é nestas situações que os cronistas desportivos usam o lugar-comum do “banho-de-água-fria”, pois mais uma vez o EXÍMIO Luís Filipe resolve vir para a frente MUNICIAR o nº 9, BACALHAU, que faz o 4-2 e, esteve por várias vezes à beira de ir mais além.

Deste jogo, emotivo, como se de uma final se tratasse, queremos tirar algumas ILACÇÕES:

- Primeiro, a entrega, a falta de maldade, a pureza que atrás referi, com que estes rapazinhos se entregam ao jogo.

- Depois, o facto de terem aparecido como que por GERAÇÃO EXPONTÂNEA em Tolosa, um grupo de garotos com inegáveis dotes para o futebol, nomeadamente o ponta-de-lança BACALHAU e principalmente o “VAGABUNDO” Índio.

- E por fim, a necessidade que há de acautelar e trabalhar estes pequenos talentos. Luís Filipe, por exemplo. Quando há meses o vimos jogar pela primeira vez, ficámos com a certeza de estarmos perante um predestinado. Era a leveza, o MANDO, a superioridade, aquela maneira quase ETÉREA de correr em bicos-de-pés! … Mas, presentemente, e apesar da sua classe no essencial se manter, vemo-lo incorrer em pormenores medíocres, próprios de futebolistas vulgares (…).

Para “o bola no chão”, José Caldeira Martins.”


Como era belo o Futebool nos anos 80:





TA: Isto sim que era um hino “à séria”, para estimular a nossa Selecção em 1986, com letra de Carlos Paião, agora as escolhas de “inglesices” como ‘I Gotta a Feeling’ dos americanos Black Eyed Peas, feitas pelo sr. Queiroz!…
Já alguém imaginou a Coreia (norte ou sul), o Paraguai, Costa do Marfim ou Itália escolherem para hino uma música portuguesa? E se jogarmos com os “States”, vamos ouvir o dito hino? Que falta de feeling (sensibilidade), digo eu.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Rádio para Dois!..

Memórias da Rádio Ninho de Águias (Capítulo III)

(À memória de João Costa)

Após ter sido forçadamente abandonada por Fernando Pinheiro, a Ninho de Águias, ficou como que órfão, mas acabaria por ser recolhida pelo João Costa, outro dos entusiastas da causa radiofónica.

O Costa, após aquisição do emissor, cuido que ao Pinheiro, instalou o material no sótão da sua casa, no local onde hoje se encontra a Albergaria D. Manuel. Eram umas instalações amplas, com uma divisória quase exclusiva para estas actividades. O microfone e os órgãos anexos, também se encontravam mais à mão, e assim, “os piratas” passaram a piratear mais à vontade.





Na generalidade, poder-se-ia afirmar, que a mudança tinha sido positiva. Mas só na generalidade, porque na especialidade, e como em todos os processos de mudança, existem sempre algumas perdas, e, alguns dos colaboradores, haviam ficado pelo caminho. Mas haviam-se ganho outros, entre os quais, que me lembre, o Nuno Mota e o Caldeira Martins.

O João Costa havia sido ciclista, ciclista a sério, mesmo profissional, com Voltas a Portugal no currículo, talvez um dos de melhor craveira do distrito de Portalegre, até aos dias de hoje. Possivelmente, devido a essa formação desportiva, o João era menos controlador que o anterior “senhorio”, e dava-nos quase uma total autonomia, para fazer-mos o que quiséssemos da “menina” Ninho de Águias. Era também menos influenciável a pressões exteriores e não tinha telefone...

No entanto, nem tudo tinha evoluído favoravelmente nesta mudança. O apoio técnico, por exemplo, era menos apurado. Recordo-me uma vez, eu e o Nuno Mota, termos dúvidas se o emissor estaria a cumprir a sua missão, que era a de emitir! Vai daí, e após duas horas de serventia da melhor música das rádios pirata do mundo e arredores, ter-nos surgido a dúvida, até onde estaríamos nós a chegar? E, para isso, nada melhor do que irmos dar uma volta pelas redondezas e testar a eficácia do objecto. Após encaixarmos no leitor uma cassete da tal música “avariada”, ala, que eles aí vão de Renault 5, fazer uma sondagem da coisa.

Começámos pela Portagem, nada se ouvia; pensámos que era devido ao facto do emissor estar na encosta norte, fomos a SA das Areias e também nada. Pensámos que a potencia seria pouca e não estaria a “bombar” para tão longe como gostaríamos. Subimos a encosta, e nada. Chegamos até à porta da casa do João, e nem ponta de som da dita! Conclusão: Não havíamos ligado o emissor!

Tinham sido duas horas de Rádio para dois…




Nota: João Costa viria a falecer muito pouco tempo depois, de morte súbita. Foi uma grande perda para todos, sobretudo os seus familiares, mas também para a Ninho de Águias, que perdeu um dos seus maiores animadores.

(continua…)

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

A censura e a prepotência são eternas…

Memórias da Rádio Ninho de Águias (Capítulo II)

O meu primeiro contacto com esta coisa das “rádios livres” deu-se, se bem me lembro…, em Outubro de 1986, após convite do Jorge Marques para uma Entrevista, enquanto Treinador da equipa sénior do Grupo Desportivo Arenense, para analisarmos a época futebolística 85/86.

Para mim uma Rádio, era um misto de curiosidade e surpresa, pois nunca tinha observado tal tecnologia, e jamais me imaginara a ter contacto com essas coisas, a não ser, o de mero ouvinte dos meus ídolos da telefonia, onde Carlos Cruz e o seu “Pão com Manteiga” ocupava o “ícone” máximo radiofónico (como foi possível Carlos, deixares-te arrastar para a “lama”!); mas também o João Chaves e o seu “Oceano Pacífico” ocupavam já lugares de destaque.

Tal como já escrevi no Capítulo I, o “estúdio” da Ninho de Águias, estava instalado no corredor da casa do Fernando Pinheiro, e era constituído por um Leitor Gravador de Cassetes, um Prato de Gira-Discos (instalado na Sala ao lado), e um Microfone, para onde, um de cada vez, os participantes “botavam palavra”. Penso que existiam outros artifícios, mas para mim era tudo a estrear e não fazia a mínima ideia, como era possível, que aquilo que ali se passava naquele corredor estar, simultâneamente, a sair numa caixinha em casa do Nuno Mota, que tinha ficado de me gravar em cassete, as “babosêras” a que fui respondendo ao “guião de entrevista”, escrupulosamente preparado pelo Jorge, que revelava já um desempenho digno de um profissional.

Nunca, ao longo da minha vida, tive uma opinião muito positiva, sobre essas coisas do amor à primeira vista…, ou do estabelecimento repentino de uma “química” atractiva, cativante e irresistível…, mas o facto, é que, no que diz respeito a este meu primeiro "toque" com a “Rádio”, a paixão aconteceu.

Uma semana depois da célebre entrevista, já tinha convencido o Pinheiro a dispensar-me aos sábados de tarde, uma horita do seu micro e órgãos anexos, para o meu primeiro “programa radiofónico pirata”.

Em minha opinião, as preferências musicais dos portugueses são, em geral, muito estranhas, pois variam entre um cancioneiro português com poemas brejeiros, a roçar o ordinário, com músicas primárias; e umas inglesices de vanguarda, das que não percebo patavina. Era este também, o universo musical da Ninho de Águias. Não se estranhe assim, o drama em que me vi envolvido nessa altura, para planear um programa musical que agradasse ao auditório, mas que não fosse idêntico aos já existentes.

Depois de uma noite mal dormida, lá fiz o alinhamento das músicas seleccionadas para a hora radiofónica, posta à minha disposição. Era um misto de moderna música portuguesa, intercalada com meia dúzia de canções anglo-saxónicas, que na minha inocência, me pareciam consensuais e passíveis de agradar a novos e meias-idades.

Não me lembro de momento do nome que dei ao dito, mas sei que escolhi para genérico, um tema do Fausto Bordalo Dias, denominado “roupa velha”, do qual não encontrei gravação actual nestas modernices do YouTube, mas que tem um refrão, mais ou menos assim:
“…rapariguinha cose a tua saia, velha de cambraia
Se outra não podes comprar…, baixa a bainha
Rasga o pé-de-meia, quando é magra a ceia
Quem te há-de aguentar, oh bonitinha…”

E foi assim, que nesse sábado ensolarado de Novembro, o “auspicioso” rádio-animador João Bugalhão, fazia a sua estreia nas ondas do éter radiofónico.

Após a entrada do “genérico”, com uma voz envergonhada, lá fui anunciando os objectivos que ali me traziam, soltando às ondas, a enorme satisfação que sentia por estar ali a cumprir um dos meus sonhos de menino e adolescente, e, de poder partilhar os meus gostos musicais. Cuidando eu, que não seriam únicos…, e que, em algum lugar, ao lado da tal caixinha mágica “brotadora” de música, alguém ficaria satisfeito por ouvir uma música do seu agrado.




(Sem "roupa velha"..., O Barco vai de saída)


E foi assim, que surgiu o primeiro tema musical, desse meu primeiro programa, dessa minha primeira vez…, intitulado “the boxer”, da dupla imperecível “Simon And Garfunkel”, pensando eu, que seria o tal “tema consensual”, capaz de agradar a gregos e a troianos, e assim, abrir com chave de ouro, a minha alternativa radiofónica. Bem enganado estava.




Ainda o Paul, dedilhava na sua guitarra, os primeiros acordes da mais emblemática balada da dupla, e já o telefone tocava ruidosamente, cogitando eu, ingenuamente, que aí vinham as primeiras “flores” da faena”, de onde eu pensava sair com as “duas orelhas e o rabo”…

Segundos depois, já o embaraçado Pinheiro chegava arfando junto de mim, pronunciando que desculpasse, mas que eu não podia continuar a por música…., porque tinha telefonado a vizinha “senhora L***** ”, inquirindo se tinha morrido alguém…, porque a Ninho de Águias estava a transmitir música fúnebre!

Começou mal este ilustre pirata radiofónico….

Pouco tempo depois, viu-se Fernando Pinheiro obrigado a finar esta “menina” dos seus olhos, por não resistir a estas e outras pressões ignóbeis de um poder prepotente. Quanto ao "ilustre pirata”, havia de continuar a sua aventura radiofónica noutros locais, malgrado os gostos da dona L*****.

TA: Como não foi possível arranjar o “roupa velha”, deixo-vos o “barco vai de saída”, igualmente bonito.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Caminhada - II Rota da Água - Fonte de Vida


Conhecer ou reconhecer o nosso concelho é sem dúvida o objectivo de mais uma caminhada que a Associação Portus Gladii, vai realizar.

A Associação Portus Gladii, realiza dia 28 de Fevereiro a primeira caminhada agendada para este ano.

Teremos muito prazer na vossa presença, pela companhia e pelas belíssimas paisagens que o passeio vai possibilitar.

Inscrições para o almoço através do telm. 966445022 ou adelaidemartins1@hotmail.com.

Apareçam cá vos espero...

Adelaide Martins

No domingo há contrabando



Com a boa vontade do amigo Garraio vai haver mais uma edição do Percurso do Contrabando Romântico do Café. Esta caminhada vai ser já no próximo domingo, dia 14, e tem dois pontos de encontro: à entrada de Marvão às 9h ou na Igreja dos Galegos às 9h30m.

Apareçam.

Qualquer dúvida escrevam para tiagomarvao@gmail.com.

Cumprimentos Marvanenses

Mudam-se os tempos…

Memórias da Rádio Ninho de Águias (Capítulo I)

(Dedicado a Fernando Pinheiro)


(Fernando Gomes, Jorge Marques e João Bugalhão)


Há dias, quando da publicação aqui desta fotografia, a propósito da II Conferência “Pensar Marvão”, dei por mim, a olhar para estas personagens aqui postadas, e de repente, veio-me à memória, recordações dos finais dos anos oitenta, em que estes três, tinham como óbice, animar a então rádio livre local: Rádio Ninho de Águias.

A Rádio Ninho de Águias brotou, do então denominado movimento nacional de rádios livres ou “rádios pirata”, como alguns lhe chamavam, devido à falta de enquadramento legislativo da época, e que, na sequência da evolução tecnológica de então, punha ao dispor de qualquer, com um simples emissor de 1 Watt, 2 pratos de gira-discos, uma mesa de mistura e pouco mais, entrar a brotar musica e “faladura” na casa de toda a gente. Digamos que, de grosso modo, esse movimento radiofónico esteve para essa época, como estão para os dias de hoje o universo dos Blogs.

Lembremos aqui, que por esses dias dos anos oitenta, o universo radiofónico português era preenchido apenas por meia dúzia de rádios nacionais do estado, que ocupavam todo o espectro artesiano das telefonias, dominadas por “pseudo-intelectuais” e retransmissoras de uma cultura urbana das grandes cidades, que em nada representava a vida e a cultura da maioria do povo português.

Em Marvão, devido às suas privilegiadas condições geográficas, os novecentos metros de altitude, existiam condições de excepção para o funcionamento de uma dessas rádios e, ela surgiu pela mão de Fernando Pinheiro, um apaixonado pelo movimento “radioamador”, que com a simplicidade da técnica em cima descrita, instalou no corredor de sua casa, essa “engenhoca” radiofónica, e com tal simplicidade, começou a entrar em casa de todos os marvanenses, transmitindo os “seus” programas de discos-pedidos e quadras populares.

Poucos dias depois, a casa de Fernando Pinheiro, começaria a ser “invadida” por diversas personagens, e, na linha da frente, estavam os “3 cromos” da foto!

Tantas voltas dá a vida…

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Foliões Improváveis!


Nunca gostei muito do carnaval!

Os corsos dos maiores carnavais nacionais nunca passam de “cópias frias” dos grandes desfiles no sambódremo carioca. Esses sim, bem quentinhos! Localmente, o tradicional carnaval de Castelo de Vide, que fui presenciando, ficava sempre um pouco aquém das expectativas.

Este desinteresse carnavalesco teve apenas uma excepção há cerca de oito anos, quando, por acaso, vivi uma noite de carnaval na Nazaré. Ao ritmo de música frenética, típica daquele carnaval, deambulámos de bar em bar por ambientes divertidíssimos, passando momentos bem agradáveis.

Portanto, o carnaval nunca foi festa que apreciasse particularmente.

Há cinco anos, tudo mudou! No âmbito do “Marvão Folião”, e perante a falta de comparência de um elemento da família, deparei-me, em cima da hora do desfile, com um traje de bruxa. Avancei… e encarnei na dita de uma forma que até a mim me surpreendeu. O carnaval, a partir daí, nunca mais foi a mesma coisa. Seguiu-se um frade e, depois, o enquadramento num grupo excepcional onde fiz novas amizades e cimentei antigas.

E agora, perante mais uma edição do "Marvão Folião", o frenesim já está aí novamente!

Para os foliões, o carnaval começa mais cedo. E o convívio, também! Tudo se inicia com um “brainstorming” para a escolha dos temas. Depois é pura diversão, imaginando as diversas personagens e situações. E convívio, sempre!

Assim, são os foliões (muitos, como eu, improváveis) que melhor aproveitam o carnaval. Daí talvez eu, como mero espectador, considerasse os de Castelo de Vide aquém das expectativas.

Geminado de vontades populares, o “Marvão Folião” tem trazido, ano após ano, as pessoas e a animação para a rua. Os mais velhos, saudosistas, costumam dizer que, nestes dias, S.A.A. tem quase tanta animação como nos S. Marcos de antigamente. E há, também, a discoteca “A Cave”, que ganha a vida de outros tempos. E há, ainda, os bailaricos na Sala nº 1…

Há, sobretudo, partilha, convívio e diversão. Cada vez mais raros neste mundo individualista e egoísta…

Para abrir “o apetite”, aqui ficam algumas fotos de outros anos:











Bonito Dias

MporM, por mail

Considerações sobre a reunião da Câmara de Marvão de 3 de Fevereiro de 2010

Realizou-se na última quarta-feira, dia 3 de Fevereiro, a Reunião ordinária da Câmara Municipal de Marvão, que teve lugar no Salão Nobre do Município e que contou, mais uma vez, com as presenças de Gonçalo Monteiro e Tiago Pereira – membros do MporM.

No período de antes da ordem do dia, foi aprovado, por unanimidade, o protocolo do Projecto de Cooperação Transfronteiriça, do qual o Município de Marvão faz parte (estando prevista uma despesa de 8.376 €), bem como o alargamento do prazo de loteamento do Porto Espada e a acta da última reunião.

Seguidamente, foram aceites alterações (erros e omissões) propostas pelo Empreiteiro do Ninho de Empresas de Santo António das Areias, e que se prendem com o reforço da estrutura, alteração da cobertura, e aumento da caleira; não se prevêem alterações no custo final da obra.

No que toca a concurso públicos para obras do município, foi também votada favoravelmente a acta do júri para a determinação do empreiteiro responsável pela obra de regeneração urbana de Marvão. Seguidamente, foi aprovado o valor de 700.000 € para o lançamento do concurso público da segunda fase desta obra.

O ponto mais aceso da tarde foi, de facto, a proposta de constituição de uma Sociedade Comercial com capitais misto, que acabou por não ser votada, pela necessidade de ser reformulada devido aos erros que continha, tendo sido marcada, para esse efeito, uma reunião extraordinária da Câmara para o dia 12 de Fevereiro de 2010, antes de ser presente à Assembleia Municipal.
Começando pela descrição da empresa, esta será uma Sociedade Anónima de capitais mistos, que terá 51% de capital privado e 49% de capital da Câmara Municipal de Marvão. O Presidente começou por explicar o âmbito da empresa, que se destina à candidatura ao Programa Prohabita, e que não será, de facto, uma empresa municipal de habitação, como referiu anteriormente, adiantando também a existência de empresas similares em outros municípios portugueses.
A Vereadora Madalena Tavares perguntou quais seriam as missões da empresa, ao que lhe foi respondido que esta se destinava à regeneração urbana do Concelho, a custos controlados. Seguiu-se um importante debate espicaçado pelo Vereador Nuno Lopes, que referiu que a Câmara deveria ter uma posição maioritária na Sociedade, de forma a controlar a empresa e para que houvesse mais transparência nos seus processos.
O Presidente replicou, explicando que, mesmo sem posição maioritária, a Câmara tem uma espécie de Golden share (que representa um mecanismo de preservação do controle do Município), mas que, pelo facto de ser minoritária, os procedimentos da empresa não têm que corresponder às acções afectas ao sector público (como a necessidade de se fazerem concursos públicos), o que, na óptica do Presidente, é positivo, visto que agiliza todos os processos.
O Vereador Nuno Lopes, que nesta reunião referiu que não irá completar o mandato como Vereador, prosseguiu detectando um erro que se prendia com a menção a suportes de papel, na selecção da entidade privada que vai ser submetida a concurso público, e terá que ser alterado para suporte digital, de acordo com o Código dos Concursos Públicos. O Vereador salientou ainda o valor de acesso ao caderno de encargos, que considerou muito elevado (1.000 €). Finalmente, considerou que a proposta de constituição da empresa deveria estar assente num valor base, para assegurar os interesses da Câmara Municipal de Marvão, o que não acontece.
Passado isto, o Presidente disse que alguns trabalhadores da Câmara Municipal de Marvão não são pró-activos, referindo-se em concreto à proposta de constituição da sociedade anónima que foi apresentada, e propôs que o assunto fosse retirado da ordem do dia, para que a proposta fosse reformulada.
Na óptica do MporM, não faz qualquer sentido a criação de uma sociedade anónima de capitais mistos, nestes moldes. Em seu lugar, devia-se constituir uma Empresa Municipal (sem capitais privados), não apenas responsável pela Habitação Social do Município, mas que gerisse de forma eficiente e transparente as infra-estruturas e equipamentos do município. Uma solução igualmente aceitável seria a constituição de uma Sociedade Anónima com capitais mistos, mas com capitais maioritariamente da Câmara, fórmula que obriga a uma maior transparência nos projectos.

No ponto seguinte, foi discutido um pedido de apoio extraordinário do Grupo Desportivo Arenense, para fazer face a uma dívida de 2.800 € de electricidade, sendo que uma parte desta dívida transitava do mandato anterior do GDA. A Câmara deliberou não conceder nenhum subsídio extraordinário, sendo que irá transferir já os 7.500 € respeitantes ao subsídio da Câmara para todo o ano.

Na parte das informações, o Presidente da Câmara afirmou que tinha estado reunido com um responsável pelos CTT que lhe propôs que os Correios de Marvão tivessem um novo horário: das 10h às 10h30, e das 15h às 16h, proposta esta que o Presidente considerou inaceitável, afirmando que irá fazer conta disso numa nota à imprensa, o que teve o apoio dos vereadores da oposição, e que conta, desde já, com o apoio do MporM.

No período de intervenção do público, Tiago Pereira usou da palavra para colocar quatro questões, sendo que as duas primeiras representam uma preocupação generalizada dos munícipes, e que se prendem: com o facto do brasão desaparecer do estacionário da Câmara, e com a permanência da grande faixa publicitária à marca Marvão que está na torre do Castelo. As outras duas questões: o trabalho do GADE (Gabinete de Apoio ao Desenvolvimento Económico) no ano de 2009, já que havia conhecimento que nenhum projecto tinha sido apoiado nesse ano, e também, pela terceira vez, o facto da Câmara deixar passar a oportunidade única de desenvolver investigação, conferências e publicações sobre o Centenário da República.

Na réplica a estas perguntas, o Presidente da Câmara advogou que: o brasão só se manterá em termos de heráldica, assim sendo, só figurará nas cerimónias solenes e hastear da bandeira; acerca da faixa com a marca Marvão, disse que foi pedido parecer ao IGESPAR, tendo sido aceite, para um período temporário. Sobre os apoios ao desenvolvimento económico, foi-nos facultado o Relatório do ano de 2009 do GADE (ver link: https://docs.google.com/fileview?id=0Bw_dDfddsmNNWI5YzdlMDQtZjI2NS00MDJmLWJhY2ItMmMwZWNkMzAzY2I3&hl=en, que mostra que, na realidade, nenhum projecto foi apoiado no ano transacto; finalmente, sobre os 100 anos da República, foi dita pelo Presidente a fantástica frase: “Marvão não tem tradição republicana”. Esta afirmação final mostra o desconhecimento de causa que o Presidente tem do Município, bem como a falta de pró-actividade que envolve o executivo, e que anteriormente tinha sido imputada, injustificadamente, aos trabalhadores da Câmara.

No final da Reunião, fomos todos brindados por uma boa notícia: o Fundo de Turismo de Portugal tinha adquirido o Golfe por 565.000 €; esperamos, assim, a maior celeridade para este processo.

domingo, 7 de fevereiro de 2010

Balanço de 1 ano, em 3 capítulos...

O MporM faz o balanço do seu primeiro ano de existência:






Bonito Dias
(bonitodias@gmail.com)

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

EXCELENTE NOTÍCIA!




O Fim da Linha !

O presente artigo que reproduzo abaixo é sobre politica e figuras nacionais, mas com alguma facilidade, poderia ser aplicado aqui no burgo.

É impressionante como determinadas “cenas” e determinados “cromos" se replicam nos diversos contextos nacionais.

O país já não está de “tanga”, eu diria que “portugal vai nu”! E a democracia está enferma à beira de ser tumulada em campa rasa, ou quem sabe até, numa qualquer vala comum.

Desenganem-se aqueles, que acreditam que a recuperação da crise está aí ao virar da esquina. A CRISE em Portugal ainda está para vir. A crise portuguesa não é apenas “economesa”, a nossa crise é de princípios e valores, e, com políticos destes não vamos lá!

Mário Crespo tem toda a minha solidariedade, porque é um bom Jornalista e um Homem de coragem. Infelizmente, e a exemplo de outros, não resistirá.
A “gaveta” já o espera. O “Sistema” não perdoa.
Eu sei o que isso é, já o senti na pele.

Para conhecimento e reflexão dos visitantes do Fórum:

Mário Crespo

Terça-feira dia 26 de Janeiro. Dia de Orçamento.

O Primeiro-ministro José Sócrates, o Ministro de Estado Pedro Silva Pereira, o Ministro de Assuntos Parlamentares, Jorge Lacão e um executivo de televisão encontraram-se à hora do almoço no restaurante de um hotel em Lisboa.

Fui o epicentro da parte mais colérica de uma conversa claramente ouvida nas mesas em redor. Sem fazerem recato, fui publicamente referenciado como sendo mentalmente débil (“um louco”) a necessitar de (“ir para o manicómio”). Fui descrito como “um profissional impreparado”. Que injustiça. Eu, que dei aulas na Independente. A defunta alma mater de tanto saber em Portugal.

Definiram-me como “um problema” que teria que ter “solução”. Houve, no restaurante, quem ficasse incomodado com a conversa e me tivesse feito chegar um registo. É fidedigno. Confirmei-o.

Uma das minhas fontes para o aval da legitimidade do episódio comentou (por escrito): “(…) o PM tem qualidades e defeitos, entre os quais se inclui uma certa dificuldade para conviver com o jornalismo livre (…)”. É banal um jornalista cair no desagrado do poder. Há um grau de adversariedade que é essencial para fazer funcionar o sistema de colheita, retrato e análise da informação que circula num Estado. Sem essa dialéctica só há monólogos.

Sem esse confronto só há Yes-Men cabeceando em redor de líderes do momento dizendo yes-coisas, seja qual for o absurdo que sejam chamados a validar. Sem contraditório os líderes ficam sem saber quem são, no meio das realidades construídas pelos bajuladores pagos. Isto é mau para qualquer sociedade. Em sociedades saudáveis os contraditórios são tidos em conta. Executivos saudáveis procuram-nos e distanciam-se dos executores acríticos venerandos e obrigados.

Nas comunidades insalubres e nas lideranças decadentes os contraditórios são considerados ofensas, ultrajes e produtos de demência. Os críticos passam a ser “um problema” que exige “solução”. Portugal, com José Sócrates, Pedro Silva Pereira, Jorge Lacão e com o executivo de TV que os ouviu sem contraditar, tornou-se numa sociedade insalubre.

Em 2010 o Primeiro-ministro já não tem tantos “problemas” nos media como tinha em 2009.

O “problema” Manuela Moura Guedes desapareceu. O problema José Eduardo Moniz foi “solucionado”.

O Jornal de Sexta da TVI passou a ser um jornal à sexta-feira e deixou de ser “um problema”.

Foi-se o “problema” que era o Director do Público.
Agora, que o “problema” Marcelo Rebelo de Sousa começou a ser resolvido na RTP, o Primeiro Ministro de Portugal, o Ministro de Estado e o Ministro dos Assuntos Parlamentares que tem a tutela da comunicação social abordam com um experiente executivo de TV, em dia de Orçamento, mais “um problema que tem que ser solucionado”. Eu.

Que pervertido sentido de Estado. Que perigosa palhaçada.

domingo, 31 de janeiro de 2010

100 dias

Cumprem-se hoje 100 dias da tomada de posse dos Órgãos Autárquicos, aqui no cabeço do Ibn Maruán, o galego.

Após o 23-OUT, já choveu, já fez sol, já nevou, já gelou. Digamos que já decorreu tempo suficiente para que a vida voltasse à pacata normalidade, depois de uma campanha eleitoral e um sufrágio inéditos pelo número de candidatos, mas, ao mesmo tempo, carentes de propostas que marcassem a diferença entre as próprias candidaturas, exceptuando talvez o MpM, que, curiosamente, não conseguiu representação em nenhum dos órgãos a que se candidatou.

Num concelho cada vez mais despovoado de pessoas e de ideias, a elaboração dos programas eleitorais consistiu seguramente em copiar os anteriores e acrescentar meia dúzia de pormenores de última hora, num despejar sem fim de pequenas coisitas, quase todas de gestão corrente, misturadas com os eternos chavões da habitação, educação, acção social e outras que tais.

Nada mais errado que tentar incutir nas pessoas a ideia de que possuímos a receita mágica para, em quatro anos, poder resolver todas as inúmeras carências que se foram acumulando ao longo dos tempos, aqui no nosso pequeno território ao lado de Valência de Alcântara plantado. Isso é impossível, e as pessoas sabem-no.

Neste contexto de ausência de ideais claramente divergentes, a escolha que o povo de Marvão y su campiña fez em Outubro passado, foi uma escolha pelas pessoas e pela continuidade daquele modus operandum que, durante o mandato anterior, soube satisfazer as expectativas da maioria da população.
Em termos concretos, a diferença mais marcante dos programas eleitorais do PS e do PSD centrou-se na localização da zona industrial do concelho. Os rosas defenderam a opção da fronteira, devido talvez às melhores acessibilidades e à recuperação que surgiria naquela zona degradada, verdadeiro espelho da incompetência e da cegueira dos nossos governantes lá do Terreiro do Paço.
Já os laranjas optaram por colocar a futura zona industrial em Santo António das Areias, o maior aglomerado do concelho, onde assentam as maiores tradições industriais cá do burgo. Duas opções substancialmente diferentes, ambas com nuances positivas e negativas, que poderiam, de facto, levar o cidadão a optar por uma ou outra força política. A fronteira implicaria uma maior mobilidade de pessoas, ao passo que o acesso a Santo António é mais sinuoso e complicado.

Eu cá sou dos que penso que o desenvolvimento de Santo António passa forçosamente por executar uma estrada em condições, direitinha a Valência de Alcântara e que escancare, de uma vez por todas, as portas destas duas localidades, separadas em linha recta por uma escassa dezena de quilómetros. As relações comerciais e industriais, agora inexistentes surgiriam fluentemente, em consequência da proximidade gerada e aí essa tal zona industrial iria certamente rebentar pelas costuras, e S. Marcos teria reunidas as condições de voltar a viver os momentos áureos de um passado não muito longínquo.

Mais ainda: essa via de comunicação constituiria o caminho mais perto para Espanha não só para as freguesias de Santo António e Beirã, mas também para a quase totalidade do Concelho, colocando Santo António das Areias muito mais no centro e tornando a localidade num ponto de passagem obrigatória para muita gente do lado de cá e do lado de lá do Sever.

Voltando aos programas eleitorais, os mais atentos recordarão sem necessidade de consultar, que alguns deles referiram essa obra, mas nenhum a considerou uma obra prioritária para o desenvolvimento do concelho. Eu acho que é. Questão de opções e de opiniões.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

AZEITE'2010

MporM, por mail

Considerações sobre a Reunião ordinária da Câmara Municipal de Marvão:
dia 20 de Janeiro de 2010


No passado dia 20 de Janeiro, dois membros do Movimento por Marvão – Gonçalo Monteiro e Tiago Pereira – assinalaram presença na Reunião ordinária da Câmara Municipal de Marvão, na qual se estreou Alexandre Novo no elenco autárquico, devido ao facto da Vereadora Madalena Tavares se encontrar ausente. Saudamos, assim, o seu ingresso.

Esta reunião, ao contrário das anteriores, foi bastante serena; houve um espírito de colaboração efectivo, o qual louvamos. Não sabemos se este entendimento se deveu às matérias que foram abordadas na reunião, ou se, pura e simplesmente se esvaiu um certo rancor que advinha, ainda, das eleições autárquicas. Pedimos, com a humildade que nos caracteriza, a todos os intervenientes autárquicos, nos quais o MporM se inclui, para que não deixem de fiscalizar ao pormenor a gestão da Câmara Municipal de Marvão, apresentando também soluções concretas para os seus problemas, mas que, ao mesmo tempo, reine uma consciência de responsabilidade em torno dos projectos que são essenciais para a prossecução dos interesses, actuais e futuros, dos Marvanenses.

Os primeiros assuntos recolheram unanimidade entre os membros do executivo e foram aprovados de pronto, prendendo-se com o prolongamento do prazo de finalização das obras do Campo dos Outeiros em 38 dias (término a fins de Março) e com uma alteração ao orçamento para complementar as verbas destinadas aos subsídios de doença, maternidade, etc. dos trabalhadores do município.

O ponto seguinte teve que ver com o Conselho Municipal de Juventude, o qual foi uma preocupação, desde o primeiro dia, do MporM, que questionou o executivo e a Assembleia Municipal, diversas vezes, sobre a sua constituição. Foi aprovado por unanimidade o projecto de Regulamento do Conselho Municipal de Juventude, que terá agora que ser ratificado na próxima Assembleia Municipal, a acontecer em Fevereiro.

Seguidamente foi aprovado: o Plano de Feiras e Mercados para 2010; a actualização das taxas municipais – que não terão qualquer alteração devido aos valores da inflação; a acta do Júri relativamente à atribuição de uma habitação do município em Marvão; e, finalmente, o pagamento das vinhetas dos autocarros por parte do município a duas munícipes portadoras de deficiência.

O ponto subsequente levantou alguma polémica, dado que requeria a aprovação de um pedido de utilização das piscinas de Santo António das Areias pela ACASM (Associação de Cultura e Acção Social de Marvão), associação meio fantasma, meio bengala, do município. Este pedido vinha assinado pelo Vice-Presidente do Município, e também Presidente da ACASM – Luís Vitorino, o que precipitou uma pertinente pergunta do Vereador Nuno Lopes: “afinal, você é presidente de quantas associações?”, pelo que o Vice-Presidente da autarquia respondeu que, de facto, era presidente de três associações: a ANTA, a Associação Humanitária de Bombeiros e, mais recentemente, a ACASM; a dita proposta foi aprovada por unanimidade; não obstante, é bom reconhecer que o papel que esta associação desempenha no seio da Câmara Municipal é tudo menos transparente. Neste sentido, o Presidente da Câmara adiantou aos presentes, perante a situação de suspeição que se tem levantado em torno desta Associação, que a Câmara está a estudar alternativas legais para extinguir esta associação.

No último ponto da ordem do dia foi, também, aprovada uma moção de apoio a um texto reivindicativo da AHRESP (Associação da Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal), o qual propõe a diminuição do IVA para os estabelecimentos de Hotelaria e Restauração; a proposta foi feita pelo Vereador José Manuel Pires, tendo sido aprovada por unanimidade.

No período das informações, o Presidente do Município manifestou, uma vez mais, a sua preocupação em relação à situação do Golfe, e o vereador José Manuel Pires informou os presentes do sucesso da visita que a C. M. Marvão promoveu à BTL (Bolsa de Turismo de Lisboa) com os empresários do Concelho.

No período do público, para além de outra intervenção, Tiago Pereira questionou o executivo sobre qual era o ponto da situação relativamente à constituição da Empresa Municipal de Habitação, anunciada na última Assembleia Municipal, tendo igualmente interrogado os vereadores se houve, ou não, a colaboração de alguma Associação ou outro organismo, na elaboração do projecto de Regulamento do Conselho Municipal de Juventude, e, por fim, manifestado o agrado ao projecto de comunicação do Município, que integra a tão afamada imagem de marca, exteriorizando, concomitantemente, uma preocupação em relação à sua aplicação, e o modo como esta irá ser feita.

O Presidente respondeu às perguntas colocadas, adiantando que a jurista da Câmara está a trabalhar na proposta que sustentará a Empresa Municipal de Habitação; sobre o projecto de Regulamento disse que até ao momento ainda ninguém foi ouvido, mas que haverá, como está previsto na lei, o habitual período de discussão pública – quinze dias depois da sua aprovação; sobre a comunicação da Câmara, o Presidente assegurou que nos próximos quatro meses a EVOL vai continuar a coordenar o processo, como estava previsto no contrato, pelo que se está já a estudar a hipótese, por parte do executivo, de um alargamento do contrato com a EVOL para os próximos anos.

O MporM proporciona aos munícipes, mais uma vez, uma recensão crítica da última reunião de Câmara; no entanto, para que a sua intervenção seja o mais abrangente possível, faça-nos chegar as suas perguntas para serem colocadas ao executivo, pelo e-mail – movimentopormarvao@gmail.com ou pela morada – Movimento por Marvão, Apartado 09, 7330-999 MARVÃO.

NADANDO...


terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Uma marca que nos deve unir, porém...




Uma marca que nos deve unir, porém há situações que não se podem ignorar.

Em primeiro, o dia, o lançamento, a festa, que não peca pelo conteúdo mas pela forma. Um 24 de Janeiro, ou se quisermos a celebração da Restauração/Devolução do Concelho de Marvão, nunca vai ser para mim uma comemoração enquanto deixar os Marvanenses de fora, enquanto os convites se esgotarem nos órgãos de comunicação social e ilustres personalidades. Tive oportunidade de manifestar, na quarta-feira passada, esse desabafo ao vereador José Manuel Pires, que alegou que a sala da Casa da Cultura era pequena para tanta gente, e que depois mais para a frente se fazia esta apresentação à população. Pelo que fiquei a pensar para os meus botões, se o que seria correcto não era precisamente o contrário. Aqui fica o meu desabafo convosco também. Quanto ao conteúdo optou-se por uma via de deslembrar a dita Restauração, que teve o seu expoente máximo nas palavras enversadas do nosso conhecido António Marques, concentrando-se a atenção no lançamento da imagem de marca e do respectivo plano de comunicação. Passando à frente, como Marvanense entusiasmou-me aquela apresentação e o projecto (que já conhecia superficialmente). Os eixos em que assenta o projecto - visitar, viver e empreender - foram bem escolhidos, e transmitem uma ideia de inovação, bem como o desdobramento que foi mostrado - Marvão Bom Gosto - que obedece à coerência do projecto e que significa um avanço significativo na comunicação externa do município. O que me preocupa agora, mas que se prende com o futuro é a aplicação e concretização do plano de comunicação. Tal como disse na última reunião de câmara (20.01.2010) não basta termos um projecto arrojado, é preciso ter-se uma estrutura que concretize esse mesmo plano, mantendo a sua coerência e alargando-o a diversos domínios à medida da sua evolução, estrutura essa de que a Câmara não dispõe. Foi-me dito que a empresa que desenvolveu o projecto que envolve a marca, a EVOL, vai ficar a coordenar a sua aplicação nos próximos meses, e que a Câmara já está a estudar outro contrato para que a empresa fique ligada, nestas temáticas, ao município daqui para a frente. Será, com certeza, uma opção a estudar.

Também não posso ignorar as queixas e críticas que tenho ouvido dos munícipes em relação ao Logo escolhido. Não posso deixar de ignorar porque percebo e partilho muitas dessas críticas.
Tudo isto se deve ao facto de os Marvanenses não terem sido ouvidos em relação ao símbolo que os representará no futuro. Os Marvanenses sentem que aquele não é o seu símbolo porque em nada contribuíram para a sua escolha. Esta pode parecer uma questão acessória, mas não é, dado que os aspectos simbólicos que estão directamente relacionados com o território têm hoje cada vez mais importância. Como já foi dito neste espaço (o Fórum), este deveria ter sido um processo participado e que envolvesse os Marvanenses, para que a legitimidade do logótipo do Munícipio fosse directa, e não indirecta. Em Marvão temos medo de fazer Reuniões Abertas, Reuniões Participativas, esta conduta não deve estar relacionada, com certeza, com a falta de massa crítica porque essa, eu, sei que a há.

Por fim, uma questão legal/burocrática que levantei durante a cerimónia, e que suscitou sentimentos variados na assistência. Perguntei ao técnico da EVOL, que apresentou o projecto, se constituía para a empresa uma preocupação, ou não, a legalização e registo da Marca Marvão. E isto porque já tinha feito a mesma questão ao executivo na quarta-feira passada da qual resultou uma resposta nada convincente, relegando a questão para segundo plano, quando entendo que este pormenor deveria ser uma preocupação cimeira do executivo.Depois da minha intervenção, outras se fizeram sentir, com a máxima pertinência, discordando ou concordando com a minha posição. No entanto, resultou do debate a necessidade de registo da Marca Marvão no INPI (Instituto Nacional de Propriedade Industrial) o quando antes.

Já que esta vai ser a nossa nova camisola (como lhe chamaram na sessão) teremos de a vestir todos, sem excepção, e elevá-la o máximo possível, porque é o nosso Concelho que está em causa. E o sucesso de implementação desta marca passará, determinantemente, pelo envolvimento dos Mavanenses e pela sua inclusão em tomadas de decisão futuras. Só assim poderemos ter um símbolo, uma marca e uma mensagem que é partilhada por todos.

domingo, 24 de janeiro de 2010

Apresentação de Cristina Novo no II Seminário “Pensar Marvão”

No II Seminário “Pensar Marvão”, Cristina Novo falou sobre as actividades e projectos da Casa do Povo de SAA, numa apresentação muito bem estruturada e desenvolvida:



Cumprimentos

Bonito Dias

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Economia - Projecto de campo de golpe falha no Marvão - RTP Noticias, Vídeo

Economia - Projecto de campo de golpe falha no Marvão - RTP Noticias, Vídeo

Memórias do dia 22 de Janeiro de 1974 – Um dia que nunca esqueço!

(Em homenagem a todos os meus companheiros dessa jornada)

CAPÍTULO I

Recordo-me hoje, com algum detalhe, passados 36 anos, do dia 22 de Janeiro de 1974.

Portugal, nesse período, era governado pelo Estado Novo, que se caracterizava por ser um regime autoritário, conservador, nacionalista, corporativista de inspiração fascista, anti-parlamentarista, anti-comunista, e colonialista. O regime tinha a sua própria estrutura de Estado e um aparelho repressivo (PIDE, colónias penais para presos políticos, etc.), característico dos chamados Estados policiais, apoiando-se na censura, na propaganda, nas organizações paramilitares (Legião Portuguesa), nas organizações juvenis (Mocidade Portuguesa), no culto do "Chefe" autoritário. Encontrava-se ainda envolvido na Guerra Colonial desde 1961, contra os Movimentos de Libertação das Colónias Africanas, para onde enviava a combater os seus jovens na flor da idade, para matarem e muitos morrerem.

A nível laboral, o país era dominado pelas Corporações, que tinham o seu próprio Ministério no Governo. As relações entre os trabalhadores e patrões eram, basicamente, reguladas pelo poder patronal individual, com uma fraca contratação colectiva.

O movimento sindical, era dominado por essas mesmas Corporações, que aí se faziam representar por trabalhadores por si indicados, existindo no entanto, por essa data, algumas excepções em sindicatos, onde os trabalhadores conseguiam colocar os seus representantes, como era o caso dos Metalúrgicos. A palavra “greve” era vocábulo proibido, e amargava na boca daqueles que a pronunciavam, pois a promessa de 6 meses de “férias” em caxias ou no aljube, era quase sinónimo garantido.

O desemprego não existia desde meados dos anos sessenta, estávamos em plena “era dourada”, da revolução industrial portuguesa. Novos e velhos (que nessa época eram poucos), homens e mulheres, todos os dias arranjavam trabalho, e mudavam de patrão, perante aquele que lhe oferecesse melhores condições e melhores recompensas.

No entanto, desde 1972, após a primeira “crise do petróleo”, que as dificuldades começaram a aumentar, e no inicio do ano de 1974, só com um poder reivindicativo forte, ou com um “patrão bom”, se conseguia que o patronato, lá fosse abrindo um pouco os cordões à bolsa para fazer face a carestia de vida.

Por essa época, eu era um moço de 16 anos, isto é, um adolescente, como hoje são designados os jovens dessa idade. No entanto, já carregava comigo, cinco anos de trabalho assalariado. Primeiro, entre 1969 e 1971 na próspera empresa de então, A Celtex, em Santo António das Areias; a partir de Julho de 1971, como Aprendiz de Serralheiro Civil, numa empresa de metalomecânica, no concelho de Sintra (para onde tinha “emigrado” para poder estudar), de seu nome: Cacém Industrial Metalúrgico.

Era usual nessa empresa, que todos os anos em Maio, o "patrão Neves", procedesse a alguns aumentos de ordenados, consoante o nosso comportamento individual ao longo do ano. No meu caso foi assim que em 1972, passei de 30 para 35 escudos diários (6 dias por semana, num total de 48 horas semanais), e no ano seguinte, tinha prosperado para a quantia de 43 escudos por jornada diária de 8 horas.

Mas o ano de 1973, não havia sido fácil para os portugueses. A inflação tinha disparado como há muito não acontecia, e começou a sussurrar-se, em pequenos grupos, que o melhor seria que "o Neves", fizesse a tradicional actualização salarial, logo do mês de Janeiro, para ver se a malta conseguia aguentar-se, e ter possibilidade de ter mais “algum” daquele com que se compravam e compram os “melões”, bem como outros bens essenciais, que por essa altura, eram pouco mais que o pão, o leite e o vinho.

Só que, contactado o sr. engenheiro, pelos mais velhos da casa (quais comissões de trabalhadores, que ainda estavam para nascer), este mandou dizer, nada bem disposto com a ideia, que nem pensar. Nem em Janeiro, e o mais que provável, era que nem em Maio, porque a vida estava difícil para todos, e, os patrões também não andavam, propriamente, a nadar em dinheiro.

Este recado de negação absoluta, não caiu nada bem no peito daqueles cerca de duzentos homens e rapazes, oxidados por fora e por dentro, à reivindicação que, na nossa perspectiva, nos parecia mais que justa, e, sem se saber muito bem como, a palavra interditada GREVE, começou a circular de boca em boca.

Não sei ainda, até aos dias de hoje, a génese de tal devaneio. Havia quem dissesse, que a iniciativa havia surgido do nada, como tantas vezes acontece, um homem lembrar-se no seu âmago de uma sensação de injustiça, de uma paixão de causas nobres, de um sentimento reprimido, e zás, num ápice, sem que mal se dê conta, aí está a transgressão inconcebível. Mas, sempre houve aqueles que afiançavam, que por detrás de tal génese, estava o planeamento das tais “lebres”, que nos fala o saramago, em levantado do chão.

O facto é que, pelas 10 horas do dia 22 de Janeiro, quatro meses antes do futuro Dia da Liberdade, os proletários da CIM, fizeram ali um silêncio sepulcral, naquele arraial de “malhar ferro”, e, mandaram dizer ao patrão Neves, que a partir daquela hora, estavam em greve, até que ele decidisse proceder à justa actualização salarial.

Eu era um deles e também aderi…

TA: A estas e outras histórias, poderão aceder em http://retoricabugalhonica.blogspot.com/, onde pretendo continuar um espaço mais intimista, deixando este, para intervenções mais do âmbito da vida colectiva dos marvanenses.