terça-feira, 12 de maio de 2009

Metáforas, eufemismos, alegorias, hipérboles, ironias e outras que tais…


Em tempos, não muito remotos, tive este texto escrito, como resposta a algumas metáforas, eufemismos, alegorias, hipérboles, ironias e outras que tais, com que então, o amigo Garraio, também na altura me brindou.

Não o publiquei na altura, porque me pareceu ultrapassado, mas fiquei sempre com pena de o não ter feito.

Talvez agora pareça um pouco desajustado (ou talvez não), e para quem a memória não seja curta, e, com o devido respeito aqui vai, assim como carta que ficou esquecida no correio:

"....Meu caro amigo Garraio, também eu me lembro de quando os nossos ribeiros e riachos, albergavam todas essas variedades de “peixes” (barbos, carpas, bogas e bordalos) a que te referes no comentário lá atrás.

E lembro-me desde muito novo, quase na primeira infância, pois nasci numa casa junto à ribeira, que aí ainda o é, e se transforma, quilómetros mais abaixo, no rio a que chamam Sever. Infelizmente, essa casa, tal como os peixes (não aos que te referes, porque esses hão-de sempre existir), já desapareceu com o tempo, era conhecida pelo “moinho do Balcão”.

Ao contrário de ti, eu nunca fui “pescador”. Sobretudo por falta de jeito, nem com anzol, nem à mão. Ao contrário do meu primo António, rapaz da minha idade, que pedra onde ele metesse a unha, daí saia um dos tais “vardascudos”.

Penso que hoje, ainda mantenho essas inaptidões. Porque ainda há dias te “lancei o isco” e tu disseste que não valia a pena…, porque bem sabias o que o “mal-asado pescador” pretendia!

Quem teve, por conjunturas da vida, de usar de tal arte de pescador (não a que te referes, porque eram outros os tempos), foi o meu pai. Manuel lhe chamavam, já que o apelido era o que eu hoje carrego de bom gosto, único, apenas pertencente aos meus familiares, quer os próximos, quer os mais afastados. Mas dizia eu, que tais conjunturas da vida, levaram-no muitas vezes a ter mesmo que arriscar a dita, lançando mãos à obra, não com “anzol”, porque não havia tempo a perder, mas, com a sua “pobre rede” e meia dúzia de bolas de cicuta (embudo), se lançar à água gelada do inverno, para retirar uns quilos dos tais barbos, carpas, bogas e bordalos.

Claro que, meu amigo Garraio, aqui o segredo estava no tal “embudo”, tóxico para os peixes (e para as vacas, que morriam que nem tordos se provassem a raiz), a “rede” servia apenas para não os deixar perder na “corrente”. Evidentemente, havia sempre um dos tais “vardascudos”, que cavava com duas ou três “rabanadas” ao cimo da água, deixando o pobre Bugalhão a praguejar: “anda coooorno que já te escapaste”.

Mas, como o “dinheirito” não abundava por aqueles tempos, ia o incauto “pescador” vender (se tal se podia chamar, aos míseros tostões recebidos), os tais barbos, carpas, bogas e bordalos (há excepção dos “vardascudos”, esses já navegavam em “novas” águas), à tasca do “manhoso” lá da aldeia, que com eles fazia uma belíssima petisqueira para os mais endinheirados. Isto é, mesmo a propósito, “ fazendo render o peixe”…

Entre os fregueses frequentadores, estava quase sempre um tal “guarda-rios” (uma espécie de “fiscal da asae” para as águas, desse tempo), que não se sabe muito bem como, lá acabavam por lhe “bufar”, quem tinha sido o ardil pescador.

E daí, que tantas vezes o cântaro ia à fonte, isto é, às águas da tal ribeira, no tal parque do santo mamede, que ainda tinha barbos, carpas, bogas e bordalos…, que um dia, o pescador Manuel, foi malhar com os magros costados, durante trinta dias, à cadeia de Castelo de Vide. Que nesse tempo, a justiça não brincava como nos dias de hoje.

Mas, como todas as “estóreas” têm a sua moral, também esta não foge à regra.

E assim, sabe o meu amigo quem ficava a lucrar com os “ingénuos peixes” e do “pescador marioneta”?

Claro…, o “manhoso”, o “antepassado dos asaes” e, evidentemente, os tais “vardascudos” que se viam livres, por uns tempos, do mbugas…

Um abraço para o meu amigo, extensivo a todos os visitantes aqui da “metráfora forista
”.



"Os amigos não têm que estar sempre de acordo! O que têm é repeito uns pelos outros..."

A FRIEZA DOS NÚMEROS

As matemáticas sempre foram ciências exactas. Poucas objecções se podem colocar à frieza dos números, salvo raras excepções, como sejam as contas do Sócrates e os resultados extraordinariamente positivos que os bancos apresentaram nos últimos anos, sendo que agora não têm um cêntimo para emprestar aos pobres e é o erário público que anda a tapar buracos com o dinheiro dos poucos contribuintes que ainda pagam os seus impostos.
E naquilo que nos diz particularmente respeito deve dizer-se que, aquando das últimas eleições europeias, Marvão contava com 3598 eleitores. Passados que são estes quatro anos, os cadernos eleitorais não registam mais que 3411 inscritos. Menos 187, o que quer dizer que perdemos, neste período, 5,197 % do eleitorado.
É motivo para refectir. Mais ainda se considerarmos que, a esta marcha, e segundo a sondagem do Forum Marvão, há por aí alguns candidatos que têm que deixar de votar neles próprios, sob pena de ultrapassarem largamente o número de votantes que este Concelho tem disponível.

Onde anda o panfleto PS?

Desertificação, desemprego, isolamento… são exemplos das várias “doenças” que atacam o concelho de Marvão. Todos sabemos disso.

Por muito que as pessoas jurem amar a sua terra (e quem sou eu para colocar isso em dúvida!), até os donos da bola, leia-se os donos (colaboradores) deste blog, alguns deles conhecidos na blogosfera como “o eixo do mal”, tiveram que emigrar de Marvão e suas aldeias. Este facto não constitui óbice para que possam mandar uns birinaites sobre a fórmula mágica da resolução dos nossos eternos problemas. São coisas da política e são também coisas deste louco mundo moderno que com estas cenas da rede, nos permite estar onde nós próprios queiramos, sem sair de casa.

Toda esta conversa da treta para dizer que, pese às modernices apontadas é com muita estranheza que reparo que nenhum dos donos da bola, e mais propriamente o Fórum Marvão, publicou o panfleto/convite recentemente distribuído pelo Partido Socialista à população marvanense.

Como este blog advoga pela imparcialidade e pela isenção, penso que o panfleto deveria ser publicado (eu não faço porque não sei), já que estamos em vésperas de eleições, e se calhar, até há algumas pessoas que não o fazem porque isso pode comprometer a sua auspiciosa carreira política ao publicarem panfletos políticos do partido que, à priori, mais frente pode fazer aquele que presentemente representam.

Outra das razões porque acho que este documento deveria ser publicado prende-se com o facto de nele estarem incluídas algumas promessas eleitorais, que, no mínimo são bastante curiosas.

O Ps promete, por exemplo, construir um polidesportivo por Freguesia. No particular da Freguesia de Santa Maria, é suposto que em Marvão não há lugar para fazer tal obra, exceptuando a cisterna do castelo, coisa à que se me afigura que o IGESPAR não vai dar o seu aval vinculativo. Como a Ponte Velha está despovoada e os Galegos também, talvez a solução seja construir o polidesportivo da freguesia no lindo enclave da Pitaranha, cuja extraordinária localização fronteiriça permitirá a realização de provas desportivas entre os locais (Pitaranhense F.C.) e as aldeias raianas das Casinhas, S. Pedro e Fontañera. Juntando o útil ao agradável, o estatuto dos Jogos de Marvão passaria, logo à nascença a ser de Jogos Internacionais.

Haja pachorra…

O dinheiro dos nossos avós



Na internet encontramos um pouco de tudo. A imagem que aqui se reproduz, representa uma “cédula”, um papel-moeda, e foi emitida pela Câmara Municipal de Marvão, faz hoje precisamente 88 anos. O exemplar está à venda aqui, oferecido por um antiquário do Porto, e custa 19.99 dólares.
As “cédulas” eram dinheiro legal e foram emitidas um pouco por todo o país, pelas Câmaras Municipais e por outras instituições, durante vários períodos da nossa história. O seu valor era reduzido, eram impressas em papel corrente e serviam para racionar o dinheiro disponível e poupar os gastos da cunhagem de moedas metálicas. Esta economia era importante em épocas de escassez de metal e de forte inflação.
No ano em que esta série foi emitida Portugal atravessava uma crise política e económica sem precedentes, com os Governos a mudarem de mãos quase todos os meses. A fome era de tal ordem que estava proibido o comércio livre, fora do controlo do Estado, de bens de primeira necessidade. Neste contexto, 2 centavos dariam para comprar pouca coisa.

segunda-feira, 11 de maio de 2009

O Triângulo Turístico




(clicar)
Ao entrarmos em Portugal, pela fronteira dos Galegos, deparamo-nos com um enorme outdoor publicitário de promoção ao Alentejo, onde impera a planície.

Esquisito!

Sou, orgulhosamente, alentejano mas considero esta publicidade, no mínimo, esquisita. O lógico seria aqui encontrarmos um qualquer mecanismo publicitário que promovesse o Nordeste Alentejano: Castelo de Vide, Marvão e Portalegre!

Após as eleições autárquicas de 2005, quando estes três concelhos ficaram a ser governados pela mesma cor política, surgiu a esperança que nesta região fossem implementadas, finalmente, verdadeiras parcerias e uma estratégia comum de promoção turística. Puro engano… ficou tudo na mesma!

O que, infelizmente, perdurou desse processo de intenções foi, apenas, uma agenda cultural comum. Pouco. Muito pouco. Quase-nada!

E é pena!

Castelo de Vide organiza os seus eventos e defende os seus interesses hoteleiros isoladamente; Marvão organizou uma candidatura a Património Mundial sem envolver a região nessa “batalha”; e, agora, Portalegre parece pretender organizar e relançar a sua oferta turística, também, de uma forma isolada. Estes, são apenas alguns exemplos ilustrativos!

E esta é uma política em que todos perdem. É uma política em que cada um defende, de uma forma provinciana, o seu “quintalzinho”, lutando para que o seu seja melhor que o do vizinho…

Os políticos locais lamentam-se que o poder central esqueceu esta região. Que determinou que a mesma seja, agora, quase como que um “enclave” abandonado. É verdade! Mas, localmente, é preciso remar contra essa adversidade, sendo que só remando em conjunto e, sincronizadamente, se poderá vencer esta corrente adversa.

Castelo de Vide, Marvão e Portalegre deveriam organizar-se e promover uma política na área do turismo de ganhar/ganhar/ganhar! Em conjunto, constituem uma região com um rico património natural e edificado, fazendo todo o sentido promovê-la turisticamente de uma forma global!

A “Turismo do Alentejo ERT, entidade recentemente constituída para a promoção do Alentejo, abarca uma área tão extensa que terá muito dificuldade em ser eficaz. O Nordeste Alentejano é, claramente, um nicho de mercado a explorar, integrado nessa vasta região.

Estes três municípios deveriam ter a capacidade de se organizar, constituindo uma entidade que, com um orçamento adequado, promovesse o Nordeste Alentejano e os seus pontos e produtos de interesse. Este “enclave” tem tantos pontos fortes (dispenso-me de os enumerar) que não seria, com certeza, necessária grande criatividade para engendrar essa promoção.

Com esta estratégia e com o tal triângulo turístico todos ficariam a ganhar!

Certamente!


Grande Abraço
Bonito Dias

sábado, 9 de maio de 2009

ARENENSE – S. MAMEDE

Será já no próximo Sábado dia 16, pelas 18 horas, que as Velhas – Guardas do GDA, se reúnem para realizar mais um jogo de futebol, agora em S. António das Areias, com a equipa de S. Mamede de Portalegre.

Entretanto e a pedido de vários intervenientes, aqui deixo alguns momentos para recordar do 1º jogo, realizado com o GRAP de Leiria.

Chamo a especial atenção para alguns “desabafos” captados pelo repórter de campo…


Assim é que é bonito: Todos juntos, pelo desporto.

Ora aqui está a forma para não se verem as barriguinhas

Uns ouvindo o "mestre", outros... nem por isso!

De cima para baixo, da esquerda para a direita: Canário, Nuno, Xico Siva, Zé Domingos, Simão, Bonacho, Chaparro, Ginja, Magafo, Calha, Lourenço, Zé Carlos, Manolo, João Paulo, Beto, Zé Gabriel, Antunes, Rui Felino e o "intruso" Mário Bugalhão


O estilo inconfundível do Xico Silva - Uma surpresa!

Andará a "pastar" caracóis?


Ufff... (não te cuides!)


Fernando Bonito e a "pose" de Treinador! Pudera com um "banco" desses...


Mas que grande açorda que ali vai...

Estilo Rui: Quem sabe nunca esquece...

Até o "Inspector Gadget" por lá apareceu!




Golo do Arenense. Escusavas era de cair Rui!

Mário e Magafo (a combinarem para beber um copo em Leiria)


Golo do GRAP, com estilo de fazer inveja na Liga Sagres (Ai esse lado esquerdo Zé Carlos...)


Zé Domingos longe das confusões que ele é um jogador de "espaços livres".


Zé Domingos parece perguntar ao Mário: Então esta é que era a equipa que ganhava sempre?




O dever cumprido...

quinta-feira, 7 de maio de 2009

UM ANO DE VIDA…


O “Fórum Marvão” é um espaço de debate livre e independente, criado por um grupo de amigos, que têm como ponto de partida Marvão e vão por aí…
O “Fórum Marvão” tem como principal finalidade, estimular o debate em torno do conceito “Marvão” em todas as vertentes, num concelho e num país, caracterizados por défice de análise e crítica social sérias, centradas na “coisa pública”.
O “Fórum Marvão” pretende assim, debater ideias, opiniões e fazer o seu contraditório, com base no respeito e na tolerância. Aqui haverá lugar para todos os temas: da política ao desporto, da poesia à musica, da vida em sociedade à sexualidade, da saúde ao consumo de drogas, do amor à felicidade, da televisão à literatura, etc., etc. A excepção, será o “ataque ou ofensa pessoal”.
O “Fórum Marvão” é um espaço de Liberdade, um dos valores que consideramos fundamentais, apenas superado pelo da Justiça. Sem Justiça a vida em sociedade não faz sentido e uma sociedade sem Justiça, torna-se uma sociedade ao sabor dos mais fortes e dos mais poderosos. Os outros valores que aqui gostaríamos de ver estimados são: o respeito pela Pessoa Humana, como valor em si mesmo; a Dignidade; a Tolerância; a Igualdade; a Amizade; a Fraternidade; a Coragem; e alguma Democracia.
O “Fórum Marvão” não pretende ser um espaço de intelectuais perfeccionistas, aqui todos poderão entrar desde que se identifiquem e respeitem as ideias dos outros, mesmo que com elas não concordem. Pretende-se, essencialmente, um espaço aberto e de troca.
O “Fórum Marvão” não pretende roubar, copiar, nem fazer mal a ninguém. Este espaço, embora simples, terá que valer por si. Ou então morrerá, tal como nasceu, sem deixar bens nem dívidas aos seus herdeiros.
O “Fórum Marvão” não se identifica com qualquer formação política e a responsabilidade das opiniões aqui expostas serão dos seus autores.

O “Fórum Marvão” brinda ao futuro…

(Fórum Marvão 7/5/2008)

E houve vontades. Ainda bem!

A equipa agora constituída (em que todos os elementos são pilares com igual estatuto e importância) parece-me que tem a quantidade, qualidade e heterogeneidade suficientes para dar consistência a este projecto e possibilitar ao mesmo atingir aquilo a que se propõe.

E o ideal será que muitos outros se envolvam, também, permitindo que o “Fórum Marvão” possa ir perdurando, independentemente de vontades individuais!
Apelo, sobretudo, a que se faça o contraditório, através de comentários às diferentes intervenções. Do contraditório nasce o debate. E isso é que será enriquecedor.
Este blog é um espaço de cidadania!
Nesta primeira intervenção gostaria de deixar uma nota prévia:
Mesmo no período em que residia a 300 kms de distância do meu concelho (Marvão) sempre me senti envolvido no seu percurso. Informava-me do que nele se passava e emitia opiniões, mais ou menos públicas, sobre aquilo que eu considerava importante para o seu desenvolvimento.

Foi por isso (pelas ideias e opiniões) que, mais tarde, fui convidado a integrar, como independente, a lista do PSD à Assembleia Municipal. Como acreditava no projecto aceitei, tendo como único intuito disponibilizar a minha pequena contribuição para o desenvolvimento de Marvão. Estou, portanto, na Assembleia Municipal de Marvão como independente (puro e duro) regendo-me apenas, e só, pela minha consciência. Opino e voto, em cada matéria, subjugado somente à disciplina por ela imposta. Sou apartidário. Não sou apolítico.

Quero com isto dizer que, neste blog, não sou mandatário de ninguém! As minhas intervenções não serão de cariz partidário. Aqui, as minhas opiniões expressarão apenas, e só, as minhas análises das situações, as minhas ideias, as minhas sensações, as minhas perspectivas…

(Bonito Dias 8/7/2008)

Atão, pás???

É com muita surpresa e um bocado de desilusão que entro aqui, dia sim, dia sim, e vejo que dia sim, posts não.

Atão onde está a malta do Pino, esses espíritos sedentos de barómetros cibernéticos que avaliem a pressão da massa cinzenta marvanense?

Onde está o grupo de seus convidados, potenciais mentes acima da média, que aportariam luz, experiência, saber e cultura a este local?

Escrevam, senhoras e senhores. Escrevam.

Sinto-vos inibidos. Dispam-se os casacos da vergonha, as calças e saias dos preconceitos e sentem-se à vontade nos sofás desta tertúlia, que bem precisa de ser animada.

Façam posts. Sintam-se escritores. Faz bem ao ego. Eu adoro quando me dizem que escrevo bem. Sorrio, agradeço e faço que acredito numa coisa que o meu nível de exigência nunca admitiria.

Portanto, vamos lá a dinamizar isto um bocadinho. Sem entrar em competições de quem vai brilhar mais ou menos, é preciso quebrar o gelo e começar a dar tacadas (infelizmente, as que mais gosto de dar, as de golfe, não se podem dar, como seria desejável...) nos sistemas e nos anti-sistemas. Que tudo seja por Marvão.

Eu prometo trazer alguns assuntos à baila, ainda esta noite. Só que a minha filha está-me a chagar a miolêra que quer ir um bocadinho ao messenger. E como filha única, lá terá que ser...

Inté...

(Garraio 19/5/2008)

Por ti Marvão!

Ah Marvão, terra agreste,

dos canchos e das tapadas,

dos caminhos,das levadas,

tanto de bem me fizeste!

Por entre folhagens perenes,

com montanhas e com flores,

até com imberbes amores,

doados pelos meus genes...

Ah, altaneiro Marvão!

No meu sangue tuas gentes.

Azinhos, sobros, pingentes,

domados p'lo gavião,

fazem de ti raiano,

(entr'olivais e vimeiros, lidados por jornaleiros)

gelado, frio, magano!

Quanto de ti Marvão,

da Asseisseira ao Pereiro,

da aloja ao palheiro,

te resta sem ser no chão?

Que padrinhos,

manageiros,

que novos velhos-patrões,

onos teus e dos ganhões,

colhem ora teus castanheiros?

Velho e alto Marvão...

Que é feito dessa raça,

dessa mulher,

desse homem,

desses que da terra comem,

p'la tenrura da rabaça?

Que é feito dessa casta

qu'a linha tomou d'assalto,

levando ovos, café, tabaco,

e agora, velha, se arrasta?

D'aqui saiu o grão-mouro,

p'r'áqui chegou o cristão.

Mas então, porque razão,

não te agarras ao touro,

não esmagas o texugo,

não sufocas a toupeira,

não repousas da canseira,

não desprezas o verdugo?...

que é feito de ti Marvão,

que não sais d'onde eles'tão?

(Lisboa, 15 MAI08 - Luís Bugalhão)



Cultura ao preço da chuva

Frequentemente ouvimos anunciar concertos, exposições, estreias de filmes, mas tudo ou quase tudo, fica a uns kms de distância…nem sempre!!!Também já desfrutei em Marvão de bons momentos culturais… mas hoje apenas me apetece falar de um muito especial…Trata-se de uma coisa tão simples, tão simples que parece mentira…

Numa bela noite, em que não recordo o dia ao certo, mas durante a feira do livro, recebi um convite para participar numa coisa que se chamava, penso eu, se a memória não me falha, “Leituras Partilhadas”… Aceitei o convite, um pouco expectante sobre o que iria acontecer naquela noite, quem estaria por lá…e essas coisas…

Hoje, algum tempo depois, tenho presente que foi um dos melhores momentos nocturnos que já vivi na nossa” mui nobre e sempre leal vila de Marvão”…Convidei duas adolescentes para me ajudarem e a leitura fez-se a três…A partilha foi grande, e os cerca de dez participantes escolheram livros tão diferentes que o resultado foi espantoso …

Lembro-me de alguns escritores que estiveram “presentes”: José Luís Peixoto, Miguel Sousa Tavares, Sofia Mello B. Andersen, José Saramago, Sebastião da Gama…e falham-me alguns…Saí daquela sala tão acolhedora, cheia, a extravasar mesmo…como se tivesse acabado de assistir a um dos melhores concertos da minha vida.Por vezes, não é difícil ter bons momentos de “lazer” quando se fazem coisas tão simples como esta…Não sei se a iniciativa continua ou se já foi enterrada…custa-me a aceitar que estejamos sempre preocupados em mudar, em inovar para que sejamos vistos com excelentes ideias…do género… nós agora temos fazer nascer outro tipo de eventos…só porque é politicamente correcto!!?? Fomos nós que implementámos…Demos nome… e por aí fora.


Penso que umas leituras partilhadas descentralizadas, sugiro: No Verão, na Portagem; Na Primavera em Santo António das Areias; No Outono/Inverno em Marvão seriam, na minha opinião, momentos interessantes…e leitores jovens, menos jovens estariam disponíveis para em regime de voluntariado, note-se bem!!! …animarem alguns serões diferentes e enriquecedores…

A Cultura afinal, também está aqui tão perto!!!

(Luísa Garraio 22/5/2008)

QUEM NÃO TEM CÃO…

Respirar Marvão
O olhar perde-se no horizonte...
A cada passo, na subida
sentimos o respirar da natureza,
o canto das aves invade-nos
mais e cada vez mais, mavioso
O burgo cativa-nos a entrar
e a voltar mais vezes,
sem sabermos bem porquê
O silêncio impera, e, permite-nos ouvir os sons do mesmo
E subimos ... cada vez mais
Lá no cimo, bem no alto respiramos Marvão
Até à próxima visita...

(Maria -25/5/2008)



MARVÃO NÃO É SÓ MARVÃO…

Peço desculpa por este titulo, mas não posso deixar cair em esquecimento as pequenas localidades que fazem parte do nosso concelho.


Marvão é e será sempre Marvão, pela sua singularidade, a sua beleza, o seu encanto, a tranquilidade da sua paisagem...


Mas, e a minha terra, a aldeia macaca como eu lhe chamei há muitos anos...


Era no tempo de escola, onde vir para a parvalheira da minha terra era um suplicio todos os dias, o que hoje se torna perto, para quem se desloca de carro, era de morte (e ainda o é) para quem tinha que vir de camioneta da carreira. Vinha para o fim do mundo, não tinha lá nada... Pensava eu!

Hoje porém, tenho tudo, a minha familia, os encantos das suas ruas, as suas calçadas, o sossego, o cantar dos passarinhos, as belissimas paisagens que descobri por entre trilhos campestres e pelas carteiras no meio das serras...

Acreditem que é reconfortante, voltar às origens todas as sextas-feiras, depois de uma semana de stress, o corre... corre do dia a dia esquece-se quando chego à minha aldeia...

Bem, disse.. disse e ainda não disse o seu nome, não é dificil de adivinhar... é o meu Porto da Espada...


Já muito escrevi sobre ele... descobri sobre ele... e gostava de partilhar com todos...

A paixão que descobri pela minha aldeia, não pode ficar só para mim...

Por ela já fiz, faço e farei sempre tudo o que puder para a fazer conhecida e reconhecida...

Deixo um desafio... para quem quiser participar... não só na minha aldeia, mas por todas as aldeias do nosso concelho... agendarmos passeios, caminhadas e partilharmos com todos, os encantos das nossas terras... do nosso MARVÃO!

Que tal? Domingos de manhã? Aceitam-se sugestões...

(Dai – 27/5/2008)

Diferenças

O Chibo c’os cornos ao sol
O Gato desperta avareza
Grita no arvoredo o Rouxinol
O Burro passeia sua nobreza


O Ouriço á espera está
Que o vento dê um abanão
Se não apostas no “cá cá”
Para onde caminhas MARVÃO

A Toupeira apesar de cega
Escondida pelo chão anda
Não dá mão a quem a pega
Mas é,
quem nas entranhas manda

Roubando o nobre semeador
De horta em horta vagueia
Anda mirrado o agricultor
Com quem lhe saca o que semeia

Trigo roxo, trigo estio
Milho regado e sachado
Anda o sol doentio
Com maleita e acamado

A Lua também torta marcha
P’rá direita e p’rá esquerda
A tiros de lápis e borracha
(P’ra ti fazes e farás sempre)
Porcaria, caca, trampa e merda

(clarimundo lança – 30/5/2008)


INFORMAÇÃO OU FALTA DELA - O MUNÍCIPE/A GUARITA

“O MUNÍCIPE” foi, durante mais de uma dezena de anos, uma publicação de divulgação das iniciativas e obras levadas a cabo pela Autarquia (Câmara e Juntas de Freguesia), e simultaneamente, um elo de ligação entre todos os marvanenses.

Essa publicação chegava a quase todas as casas e famílias do nosso concelho, e era ao mesmo tempo, num concelho (talvez o único da região que não possui qualquer jornal ou outro meio de comunicação social), um dos poucos elos de ligação da diáspora marvanense, já que, quando os “deslocados ou afastados” visitavam as suas famílias, aí encontravam um meio de se informarem da evolução da sua terra e, porque não dizê-lo, do desempenho dos seus dirigentes.

Com a chegada da actual vereação ao governo da nossa autarquia, todos nós pensámos, que fazendo parte dela dois elementos que tinham estado no projecto do último jornal do concelho “O Altaneiro”, que o “Munícipe” não só continuasse, como poderia melhorar a sua qualidade, sobretudo, porque tendo no seu elenco governativo, uma pessoa dinâmica e empreendedora como é Pedro Sobreiro (licenciatura em jornalismo) e um apaixonado pela comunicação social.

Mas o que aconteceu foi o contrário, o pobre “Munícipe” desapareceu.

Ainda teve uma ténue substituição por um seu “irmão” mais novo, a “Guarita”, mas desde aí, e já lá vão 3 anos, que os dois desapareceram do nosso convívio.

Explicação pública não houve.

Quando questionado na Assembleia Municipal sobre o porquê do desaparecimento da publicação, o Presidente da Autarquia invocou como razão para o desaparecimento do boletim, contenção de custos.

Madalena Tavares, anterior vereadora responsável pela publicação do “Munícipe” disse à Assembleia, que os custos com cada Edição, ficava na altura, apenas por 1 000 Euros, o que daria com 4 publicações por ano, um total de 4 000Euros.

Perdeu-se assim, em nossa opinião, mais um elo de ligação entre os marvanenses. Como ao longo dos tempos, outros se têm perdido.

Com um movimento associativo moribundo, com poucas iniciativas sociais, o marvanense, fica assim, cada vez mais isolado, entregue à intoxicação televisiva e ao cultivo da intriga e mal dizer.

No caso do desaparecimento do Boletim Municipal, pelo módico custo de 1 Euro/Munícipe/ano (2 cafés).

Valerá a pena a poupança?

(Jorge Miranda 9/5/2008)

“FAMÍLIA DA ILHA PARAÍSO”

Ontem tive oportunidade de assistir no Canal de televisão SIC, a uma reportagem feita no concelho de Marvão (freguesia da Beirã), sobre uma família originária da Alemanha, e denominada “Família da Ilha Paraíso”.

Para quem não assistiu à reportagem, esta mostrava como é a vida de um grupo de 10 pessoas (4 adultos e 6 crianças), que vivem em comunidade, em convívio aberto com a natureza, com uma alimentação à base de vegetais que eles próprios cultivam sem recurso a produtos químicos, mas ingerindo alguns produtos de origem animal, tais como leite, mel e ovos.

Certamente para um país, de gente cada vez mais urbanizada, que pensam que não se pode sobreviver sem a ingestão das 100 ou 200 gramas de carne ou peixe, o duche diário tomado a horas certas e, que os filhos só podem começar a trabalhar aos 30 anos de idade; ao observarem aqueles “maltrapilhos”, que mais pareciam um grupo de selvagens, descobertos num qualquer local da selva amazónica; devem ter olhado para aquilo como asnáticos a olhar para um convento. Ignorando, certamente, que à excepção da não ingestão de carne ou peixe, e o não possuírem um Computador (como estes!), à 70 ou 80 anos atrás, ou menos, mais de metade da população do concelho de Marvão, vivia naquelas circunstâncias, não por opção, mas, porque não tinham outro remédio (a minha infância não foi muito diferente).

Para muita desta gente, não terá deixado de existir um certo desejo, e mesmo inveja, para experimentarem um tipo de “estilo de vida assim”! Pensarão mesmo alguns, iludidos pelo título da coisa, estarmos perante “o eden”, ou mesmo a felicidade suprema!

Convém no entanto, que aqui façamos algum contraditório e levantemos algumas questões que me parecem importantes para a vida destes “adãos e evas”, mas também para a comunidade onde habitam.

Compete ainda, realçar que nada tenho contra os estilos de vida, usos e costumes de cada um, e sou um devoto da liberdade individual, e cada um é como cada qual, e cada qual…O problema está em, quando essa liberdade individual, começa a por em causa a liberdade colectiva e o equilíbrio de uma comunidade e as suas próprias obrigações…

Há cerca de 15 dias, quando um autarca me falou dessa problemática da “ilha paraíso”, confidenciando-me: “que aquilo era um problema, pois viviam com os animais, as crianças não iam à escola, não consumiam água canalizada, defecavam ao ar livre…”, até pensei para comigo, e daí, quem é que tem a ver com tal, serão menos felizes por isso?Mas perguntei, e as vacinas? Estarão em dia…? Ontem ao ver a reportagem, soube a resposta: NÃO!

E mais, o “adão patriarca” é contra, nada de químicos, quem manda ali é a mãe natureza, e ele, claro!

Lembro aqui, que o problema das grandes epidemias infecciosas, que causaram milhões de mortes no passado, só foram debeladas graças à vacinação, e por isso o PNV, é considerado o mais importante Programa de Saúde, bem mais importante que o uso dos antibióticos, por exemplo.

Acresce ainda esclarecer, que a maioria dos microrganismos causadores das doenças, susceptíveis de prevenir pela vacinação, não foram extintos. Estão por aí, cada vez mais fortes, só à espera de terreno fértil, para atacarem, na sua luta pela sobrevivência.

São exemplos recentes, o surto de sarampo que no último verão, desabrochou na Europa Central, a Europa dos ricos (Alemanha, Áustria, Suiça, Holanda), com graves consequências; e cujas origens, se pensa terem sido este tipo de “ilhas paraíso”, pois por essas bandas, estes estilos de vida, são mais frequentes do que por cá.Convém relembrar, que estes microrganismos sofrem mutações e por isso não atacam só os não vacinados, atacam todos.

Se os nossos "amigos vírus” andarem por aquelas paragens, encontrarão nesta “ilha paraíso da Beirã”, algumas das condições ideais, para se reproduzirem, armarem e prepararem o ataque. Depois, é só apanharem boleia de um qualquer vector (até as abelhinhas lhes servem), e as primeiras consequências, serão para a comunidade marvanense, e sobretudo, as crianças. As deles e as dos outros.E numa comunidade tão dada à religiosidade, como parece ser aquela, convirá sempre perguntar: “… e as crianças meu Deus, que mal fizeram…?”

Por tudo isto, convirá questionar quais as diligências que as entidades responsáveis já tomaram? E as autoridades de saúde já foram alertadas?

Convirá mais uma vez realçar, que não se pretendem estratégias punitivas, mas dialogantes e assertivas, para que a tal “liberdade de poucos”, não interfira com a liberdade de muitos… e todos possamos viver em paz e harmonia!

Quanto ao dormirem ao relento, comerem cru, devolverem à natureza o que ela lhes dá, fumarem uns charros, ou mesmo não irem à escola, etc., etc. Bem, isso é lá com eles…

TA: Já agora, e porque aparecia no final da reportagem, que Marvão não possuía Comissão de Protecção de Crianças e Jovens, isso não é responsabilidade da “ilha paraíso”, é das entidades locais. Ou será mais uma particularidade em que Marvão é diferente.

(João Bugalhão – 10/12/2009)






APOIO AO DESPORTO JOVEM


Lá estou eu, cara leve e esguia, olhos vivos e envergonhados.

Os outros estão como eu, também um pouco nervosos, afinal o momento é importante.- Agora, agora, diz o homem da máquina.- Já está, ficou bem à primeira.

Assim foi tirado o único retrato da época futebolística, à equipa de futebol. Pensei, agora só para o ano, quando já for Juvenil.

Recordo-me como se fosse hoje, sempre que olho para esta fotografia tirada há trinta anos. Que saudades, que tempo maravilhoso e despreocupado.O que ficou?

Tanto que, senão tivesse feito parte dessa equipa, esse grupo, essa família de irmãos de idade, de cumplicidade, de vivências várias, não seria certamente a pessoa que sou hoje.

Quantos não terão essas mesmas recordações? Quantos reconhecem a importância desse passado comum? Quantos foram moldados, pelas corridas, pelos chutes na bola, pelas conversas e traquinices aos colegas? Quantos aprenderam, sem dar conta, o que é trabalhar em equipa e para a equipa? Quantos aprenderam lições de bom comportamento e o que é respeitar os outros? Quantos ganharam autoconfiança, aprendendo a lidar e ultrapassar os problemas da equipa, o carácter, a capacidade de sacrifício, o trabalho?

Podia continuar a focar outros aspectos importantes, mas fico por aqui.

Os que tiveram esta experiência, sabem a resposta às perguntas feitas. O que é que pretendo com tudo isto?

Apenas alertar, para o importante papel que os clubes ou outras colectividades de futebol têm na formação dos jovens, e que, alguns teimam em esquecer. Jovens esses, que sem se aperceberem, já têm o homem que serão plantados no seu interior, e que mais tarde, há-de emergir com os valores e conquistas semeados nesses tenros anos.
Que importância tem isto? Toda, senão vejamos:

- Ao nível de saúde, os miúdos ganham desenvolvimento muscular em detrimento da obesidade, que lhes dará força, lhes molda o corpo, numa época em que a perfeição corporal é procurada a todo custo.

- Os jovens hiperactivos, com energia a mais, ficam mais calmos, com menos stress, e aprendem a dosear esses piques de energia, por outro lado, os mais calmos aprendem a ser mais espevitados.

- Serão confrontados com um dos aspectos mais importantes da vida, o ter que pensar e decidir com rapidez em prol da equipa, o resto da vida terão que o fazer.

- A nível social, estes jovens fazem amizades duradouras, para a vida.

- Aprendem a trabalhar em grupo, onde cada um tem a sua importância, onde cada um se sente importante, ganha-se a vaidade de fazer parte de algo, de se sentir útil, e mais tarde, entende melhor os conceitos de autoconfiança, do ser positivo e optimista, do que é capacidade de trabalho e humildade.

- Estes clubes ou colectividades de futebol, permitem-lhes deslocações a outros lugares que até então desconheciam, tendo acesso a outros comportamentos, a outras formas de pensar, vão aprendendo a conviver de outra forma.

- Um miúdo no campo de futebol pode ser artista e sonhador, disciplinado ou rebelde, companheiro ou individualista, reclamar o seu território, lutar, decidir, pode ser ele próprio, em liberdade.

Tudo isto sob o olhar atento do treinador, orientador, gestor, mentor, amigo, ou o que lhe quiserem chamar. Pessoalmente, prefiro chamar-lhe companheiro, porque a sua função mais importante não deverá ser a de apontar o dedo ao jovem atleta e indicar-lhe o caminho a seguir, mas sim, o de ser o primeiro a entrar nesse caminho chamando o jovem para seu lado. Tudo isto se irá reflectir na escola.

Claro que não é só nos clubes de futebol que se verifica esta realidade, ela verifica-se nas mais variadas colectividades e actividades, sempre que os jovens são chamados a participar. O fundamental e imperioso é chamar os jovens a participar.

Como é que isso se faz?

Com muita vontade, sacrifício e gosto pelo “fazer”, isto na grande maioria das vezes basta. Os jovens na maior parte do tempo estão só à espera, aborrecidos, esperançados, ansiosos que haja alguém com vontade de “fazer”.

Mas falta ainda outra parte, também ela muito importante e, que retira muitos ganhos futuros da simbiose clubes/jovens desportistas. Refiro-me às Câmaras Municipais, Juntas de Freguesia e empresas locais, que muitas vezes, com um pequeno grão, uma pequena ajuda, alimentam a vida de muitos jovens e tornam possível as coisas acontecerem.
Pensarão alguns, se calhar não é o momento certo para falar em apoios ou ajudas, estamos em crise económica. Não estou de acordo, o momento é certo, é sempre certo, porque a crise que está instalada, não é deste mês nem deste ano, talvez seja dos últimos 10/15 anos, porque a crise não é económica, é de mentalidades.

As Câmaras queixam-se que não têm pessoas, os jovens que representam o capital activo vão-se embora para as cidades que lhes fornecem melhores condições de trabalho. Pois é, prevejo que se vão continuar a queixar, até porque serve de desculpa para muita coisa.

Não há jovens, não há empresas, não há dinheiro, não há desenvolvimento, pára-se no tempo e mais grave na mentalidade.

Mas é legítimo, mais tarde perguntar, porque já se foi jovem, nasceu e cresceu nessas povoações, se pergunte às Câmaras, Juntas e empresas:

- O que fizeram por mim?

- O que me deram?

- Apostaram na minha formação, ou foi mais importante gastar umas massas na celebração de acordos que saem nos jornais, mas que só trazem benefícios fantasmas?

Afinal, somos alentejanos e por isso muito ligados à terra, não podemos por isso esquecer do sábio popular:

“Conforme semeares, assim colherás.”“Conforme fizeres, assim acharás.”
Os jovens devem ser cuidados, acarinhados, ensinados a gostar do que é seu, porque se assim não for, no futuro, aqueles que ficarem, pouca vontade terão de intervir e de melhorar as instituições da sua terra, afinal, só as raízes mais fortes são difíceis de arrancar.

Por isso, a única solução que estas instituições têm, é ajudar, porque na maior parte das vezes, o dinheiro gasto numa rotunda ou numa escultura que ninguém percebe e que nem sequer acrescenta nada à paisagem, dava para apoiar o futebol jovem num clube durante dois ou mais anos.

Não se devem enganar, nem enganar os outros, porque não estão a gastar dinheiro no futebol, estão a ajudar na formação de jovens.

Muito mais coisas haveria a dizer, algumas até desagradáveis, mas os tempos são de realçar o positivo, de encorajar os que têm capacidade mental para intervir, de fazer as coisas acontecer.

Parabéns e um abraço de estima àqueles que quando chegaram ao alto muro, não desistiram, saltaram-no, e a seu lado vão acompanhando os jovens de agora, e que daqui a trinta anos recordarão com saudade este tempos.

(Mário Bugalhão 16/10/2008)



REFLEXÕES DE FIM DE ANO

Permitam-me acrescentar uma reflexão também e que a Miguel Sousa Tavares pertence.

Face à nossa obsessão de vida tão movimentada e possessiva, o texto conduz a reflexão, pese embora tenha sido escrito à data do falecimento da mãe, Sophia de Mello-Breyner, encontro sempre nele muito de verdade.


"... E de novo acredito que nada do que é importante se perde verdadeiramente. Apenas nos iludimos, julgando ser donos das coisas, dos instantes e dos outros. Comigo caminham todos os mortos que amei, todos os amigos que se afastaram, todos os dias felizes que se apagaram. Não perdi nada, apenas a ilusão de que tudo podia ser meu para sempre."

(Manuel Andrade - 31/12/2oo8)



PS: Os bonecos são da autoria de Hermínio Felizardo

PARABÉNS A VOCÊ…

1º ANIVERSÁRIO DO FÓRUM MARVÃO

É verdade meus amigos, parece que foi ontem, mas já faz hoje um ano que o Fórum Marvão viu pela primeira vez a luz do dia.

Durante estes 365 dias muitas foram as horas aqui gastas, quer por aqueles que colaboram com as suas opiniões, quer por aqueles que aqui procuram alguma informação sobre a sua terra – Marvão, num concelho, talvez o único, que não possui qualquer publicação informativa.

Ter conseguido criar e manter este espaço, deve ser motivo de satisfação e orgulho de todos. E todos estarão de parabéns.

Convirá no entanto, aqui relembrar a nossa enunciação de princípios, pois eles continuam a nortear a mente dos seus Colaboradores, que não pensam abdicar, mesmo que isso incomode muita gente: “Este espaço nasce no seio de um grupo de Marvanenses orgulhosos do passado, atentos ao presente e preocupados com o futuro. Aberto a todos os temas, o Fórum Marvão pretende debater ideias e opiniões e fazer o seu contraditório, assente nos pilares do respeito e da tolerância. Este Blog não se identifica com qualquer formação política e os seus autores são responsáveis pelos posts e comentários publicados.”

Durante este período fomos um espaço aberto, de liberdade quase total, sem peias, sem amarras, dando oportunidade a todos aqueles que quiseram colaborar. E assim pensamos continuar.

Deixamos no entanto bem claro, que este é um espaço de respeito e de frontalidade. O ataque pessoal não terá aqui lugar, não gostamos daqueles que se escondem atrás de pseudónimos, para dizerem o que lhes apetece e que a sua participação aqui, tem de obedecer aos nossos princípios. Temos sido tolerantes, sê-lo-emos até ao limite do aceitável, mas estamos atentos e não hesitaremos em tomar medidas para evitarmos que nos “sujem a casa” com as vossas debilidades e fraquezas, nem que para isso tenhamos que criar novas regras. Convidam-se portanto todos aqueles que por aqui aparecem encapuzados, a virem à luz do dia e a assumir as suas opiniões. Serão bem vindos.

Sabemos que os tempos que se avizinham não serão fáceis, muitas coisas importantes estão em jogo. Mas nós queremos ser parte da solução e não do problema.

Mas por agora o tempo é de ANIVERSÁRIO:

PARABÉNS AO MENINO FORUM!...

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Apresentação do MporM





(clicar)

Como anunciado, realizou-se ontem em S.A.A., nas instalações do G.D.A., a apresentação pública do Movimento por Marvão (MporM).

Estive presente.

A sessão contou com a presença de três a quatro dezenas de pessoas, onde se incluem os apoiantes do MporM, e foi muito bem preparada e apresentada. Estavam três elementos na mesa, sendo que além do óbvio Fernando Gomes notou-se, sobretudo, a presença de Maria de Jesus Garcia.

A liderar o grupo esteve Fernando Gomes, coadjuvado por Tiago Pereira. A sessão iniciou-se com a apresentação de um vídeo; seguiu-se um pequeno, mas bem estruturado, discurso de Fernando Gomes, onde foram focadas as principais ideias do MporM; posteriormente, decorreu uma fase de perguntas do público; e, finalmente, um agradável momento musical, proporcionado por Nuno do Ò, seguido das saborosas queijadas de castanha.

Foi entregue aos presentes um DVD que contém a apresentação ali visionada e um documento em suporte papel, abaixo digitalizado, com as ideias/propostas do Movimento.

Do que foi dito destaco algumas propostas e afirmações ali deixadas pelo MporM:

1 - Promoção do debate sobre o futuro do parque escolar do concelho
2 - Deslocalização do Parque de Máquinas da CMM para a Zona Industrial de SAA
3 – Colocação de painéis solares nos edifícios a construir no Parque Industrial
4 – Implementação de um Parque Internacional de Inovação na zona da fronteira
5 – Criação da “Casa de Marvão” para comercialização dos produtos do Alentejo
6 – Reabilitação de fogos degradados
7 – Continuação da organização, na campanha, de sessões temáticas de esclarecimento

Através das respostas às questões que tive oportunidade de colocar fiquei a saber que o MporM:

1 - Independentemente do resultado do percurso agora iniciado, tem intenção de concorrer à Câmara e à Assembleia Municipal, deixando a apresentação de listas para as Juntas de Freguesia para estudar caso a caso.

2 - Dos principais projectos agora em curso, pretende dar continuidade ao Ninho de Empresas e repensar os Loteamentos Habitacionais, visto que dá prioridade à reabilitação de fogos já existentes.

3 - Considera que, por agora, o processo da Candidatura de Marvão a Património Mundial está encerrado, pelo que não se pronuncia sobre uma possível reestruturação do mesmo.

4 - Aponta como um projecto estratégico para o concelho a reanimação da produção e comercialização de produtos agrícolas.


Julgo que, independentemente dos resultados que vier a alcançar, este Movimento está já a desempenhar um papel importante nestas eleições ao promover a apresentação e debate de ideias sobre as estratégias e prioridades para o concelho. Apesar da população não estar muito vocacionada para isto fica a “semente” e oxalá outros lhe sigam o exemplo…

Finalmente, sublinho a presença neste evento de dois destacados candidatos às eleições autárquicas em Marvão, por outros “Movimentos”: Alexandre Novo e José Luís Andrade. Eu, se fosse candidato, também estaria presente, sempre que possível, nestas sessões.

E, não o sendo, também!


Grande Abraço
Bonito Dias









CAMINHADA




Olá, amigos

Deixo um convite para relaxar e "curtir" a beleza do nosso concelho... se puderem passem a palavra aos "caminheiros hermanos" (é uma sugestão)

A Associação Portus Gladii de Porto da Espada, organiza uma “Caminhada – Rota da Água – Fonte de Vida” com almoço, proporcionando um bom convívio entre os participantes pelas belíssimas paisagens envolventes à aldeia de Porto da Espada - concelho de Marvão.

Cá vos espero.....

Inscrições: Adelaide (adelaidemartins1@hotmail.com ou 966445022)

domingo, 3 de maio de 2009

Aproxima-se o 1º Aniversário do Fórum Marvão.

Será já no próximo dia 7 de Maio, que fará um ano, que aqui iniciámos as nossas crónicas mais ou menos regulares.

Ao longo deste ano aqui foram publicados cerca 180 Posts, numa média de 15/mês, sobre os mais variados temas da vida do concelho de Marvão, e não só; por aqui passaram mais de 36 000 visitantes, numa média de mais 100 visitantes/dia.

Aqui foram divulgados diversos assuntos sobre a nossa vivência em comunidade, uns mereceram a atenção e discussão dos nossos visitantes, outros nem por isso, como é normal na existência de qualquer pessoa, instituição, ou Blog. É a vida como diria o outro…

Pena é que alguns dos Colaboradores, que aceitaram contribuir, não o tenham feito, eu tenham participado pouco, pois tornariam este espaço mais abrangente, plural, e rico em matéria de opinião.

Mas apesar de todas essas limitações, e através de algumas apreciações que nos chegam temos que considerar, que na generalidade o Fórum Marvão pode ser considerado um êxito.

Com poucas excepções, por aqui têm passado um conjunto de análises bastante interessantes, quase sempre tratadas com respeito, sem ofensas pessoais. Um espaço diferente no universo da Blogosfera, onde a maioria desses espaços são utilizados, para a “má-língua”, a calunia e o ataque pessoal. Felizmente, o Fórum Marvão, em total liberdade, tem escapado a isso. E assim queremos continuar.

A todos aqueles que de uma maneira ou de outra têm por aqui passado:

O NOSSO MUITO OBRIGADO.

Ao iniciarmos este 2º ano de vida queremos fazê-lo com uma 1ª Grande Auscultação aos nossos visitantes:

Quem acham eles que será, dos candidatos já apresentados ou para apresentar, o melhor Presidente para a Câmara Municipal de Marvão?

A seis meses das próximas eleições autárquicas, e até final do mês de Maio convidamos os nossos visitantes a manifestarem a sua opinião sobre os Candidatos a Presidente da Câmara Municipal, que aqui apresentamos por ordem alfabética.

FERNANDO GOMES: Candidato pelo Movimento Independente “Por Marvão”. Apesar do Movimento ainda não ter definido o seu candidato, pensamos que Fernando Gomes virá a ser o escolhido, pela posição que ocupa na liderança deste Grupo Independente de Cidadãos. Já foi Presidente da Comissão Concelhia de Marvão do Partido Socialista.






MADALENA TAVARES: Candidata pelo Projecto “Juntos por Marvão”. Madalena Tavares foi Vereadora da CM de Marvão pelo Partido Socialista entre 1998 e 2005, apresenta-se agora como Candidata Independente.







MENA ANTUNES: Candidato pelo CDS/PP. É membro da actual Assembleia Municipal eleito nas últimas eleições nas listas desse Partido. Já foi Presidente desse mesmo Órgão pelo PSD.











NUNO LOPES: Candidato pelo Partido Socialista. Está pela primeira vez nestas lides políticas em Marvão. Foi o 1º Candidato a assumir-se a este cargo.









VITOR FRUTUOSO: Candidato pelo PSD. Actual Presidente da Câmara Municipal de Marvão. Procura o seu segundo mandato.








CDU: Não se conhece ainda o candidato desta Coligação. Mas como de costume a CDU não deixará, de apresentar as suas listas aos Órgãos Autárquicos.



BLOCO DE ESQUERDA: Pensa-se que o Bloco irá apresentar também uma candidatura, mas tal, ainda não é um dado adquirido.




Bem sabemos que esta "escuta" do Fórum não tem nada de científico, trata-se apenas de uma auscultação às preferências dos nossos visitantes, para futuras comparações e aferições com os resultados reais.

Para além destas 7 opções, deixamos ainda a hipótese de “Outro”, para todos aqueles que não se revejam neste conjunto de candidaturas.