sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Crenças e crendices

Ao longo da sua História e da sua evolução, a Humanidade caminhou lado a lado, passo a passo, com a mitologia; a religião; o sagrado e o profano. Mesmo nos períodos em que o primado da razão, devidamente alicerçado no humanismo e no racionalismo científico vigorou, o Homem nunca deixou de procurar respostas e conforto para os problemas existenciais, nas crenças; nos mitos e em última instância nas crendices e bruxarias .

(… )“ A mensagem religiosa geralmente exige determinado comportamento perante Deus, o sagrado e os homens, e é, muitas vezes, formulada de forma compatível com conceitos racionais e em doutrinas sistematizadas. O mito abrange maior amplitude de mensagens, desde atitudes antropológicas muito imprecisas, até conteúdos religiosos, pré-científicos, tribais, folclóricos ou simplesmente anedóticos, que são aceites e formulados de modo menos consciente e mais espontâneo, sem considerações críticas.”

Quando a Ciência parece falhar, o último refúgio e o derradeiro reduto, foram e ainda são, as crenças divinas, associadas aos mitos e às práticas presumivelmente paranormais .
O conhecimento cientifico, é uma conquista do próprio Homem, mas parece dar passos tímidos e hesitantes de criança, quando o confrontamos com a magnitude do Universo . As religiões ou as crenças paranormais, por oposição, dão aparentemente passos de gigante: A Ciência consegue, por exemplo, explicar a ideia de infinito, através das regras inabaláveis e precisas das leis matemáticas, mas parece não conseguir saciar as perguntas imanentes do senso comum ou do conhecimento empírico :

- O que é que se pode encontrar para além do infinito ?
- Se há estados de existência, relativamente aos seres vivos; à matéria ou ao próprio Universo, o que havia antes do real ? O vazio?
- Há estados de existência imaterial ?


A religião e as crenças, a esta associadas, parecem dar um resposta mais abrangente e inquestionável a todas as questões existenciais, tendo sempre por base o empirismo e o sagrado : Se acreditarmos no divino enquanto Entidade omnipresente e omnipotente, que tudo criou e que tudo domina, as grandes dúvidas parecem dissipar-se e achar-se descabidas . Esta visão não deixa, no entanto, de parecer simplista e redutora para aqueles que defendem o racionalismo ou o agnosticismo ( doutrina que defende a impossibilidade de se encontrar o conhecimento absoluto, dos problemas metafísicos ) .


Esta reflexão, tem o propósito de fazer uma certa luz, sobre os fenómenos subsidiários das crenças populares ; crendices e bruxarias, que ocorrem mais frequentemente, onde o conhecimento baseado na experiência do dia a dia e do medo do desconhecido , se impõem ao conhecimento cientifico .

A importância atribuída aos fenómenos pseudo - paranormais, atinge por vezes dimensões caricaturais, e não raras vezes preocupantes, como procurarei atestar no relato que passo a descrever :

Na vertente norte da serra de Marvão , há um sitio com o nome de Aldeia . Da ideia que fazemos de aldeia, este lugar só tem o nome, uma vez que as casas contam-se pelos dedos das mãos e encontram-se disseminadas ( sem a configuração de ruas ou praças ) .

Viviam aqui, duas famílias de lavradores, que tinham duas pequenas explorações agrícolas . Sendo vizinhos, viviam o dia a dia, num clima de sã e solidária convivência neste local recôndito. Este regime de paz social, haveria de ser interrompido abruptamente, quando a matriarca de um das famílias adoeceu . Sendo uma mulher de uma robustez física impressionante, fazia inveja a qualquer homem na labuta árdua e diária que travava com as actividades da lavoura ; do trato dos animais e das restantes tarefas domésticas. A sua aparência , irradiava uma saúde de ferro . faces rosadas ; corpo roliço e anafado, deixando antever que a sua “dieta”, contemplava o uso e abuso de bons nacos de presunto e enchidos do fumeiro da sua própria produção .


Certo dia, começou a sentir umas tonturas ; breves desmaios ocasionais, aos quais se seguiram outros mais frequentes . Impunha-se a marcação de uma consulta, no médico de família de Santo António das Areias .
O médico foi peremptório, perante os sintomas e as análises, era necessário implementar uma dieta à base de vegetais ; fruta e afins, com uma redução drástica no sal; açúcar , carnes gordas e vermelhas. Foi-lhe também administrada medicação adequada .

Numa primeira fase, as prescrições médicas foram seguidas, apesar de alguma relutância por parte da paciente . Como as melhoras não apareceram logo de seguida , a dieta foi progressivamente sendo posta de parte .

Atendendo que os sintomas se agravaram, a ponto de afectar o trabalho diário, e perante o fracasso das “mesinhas” do médico, era urgente procurar outras soluções que apresentassem resultados mais imediatistas .

A morte súbita de um animal na quinta (um porco ou uma vaca, não sei precisar), em circunstâncias estranhas, veio reforçar a ideia que as forças do oculto, andavam por aquelas paragens .
Era imperioso agendar um encontro com uma afamada “soldadora “ , que apoiava o seu desempenho em fortes convicções religiosas .

A consulta junto da vidente, teve o seu quê de inquérito policial, com práticas de interrogatório insinuante, tendentes a uma maior eficácia na adivinhação da maleita :
- Então a senhora tem esses sintomas ? ... Você não tem por acaso um vizinho muito próximo?
- Tenho sim minha senhora !
- Nunca notou uma certa inveja ,… da parte dele ?
- Agora que fala nisso…
- Olhe: Eu vejo aqui um caso típico de mau olhado, provocado pela inveja e cobiça !

O diagnóstico estava concretizado, assim desta forma, nua, crua e impiedosa . Os dotes de adivinhação da soldadora, ficaram reforçados, com o relato contado e amplificado por parte da paciente, junto de diversas pessoas, nos locais públicos que frequentava . Era indispensável cruzar os dedos em forma de cruz, sempre que se verificasse uma confrontação directa, não desejada, com a vizinhança .

O êxito destes curandeiros, bruxas, endireitas e soldadores, resulta desta publicidade de boca em boca, reforçado pelo facto das pessoas admitirem que recorreram a estas práticas quando as coisas aparentemente correram bem . Quando amiúde acontece o oposto, ninguém tem coragem de admitir publicamente que foi à bruxa .

A mulher lá foi para casa, com a prescrição da vidente bem definida : Rezas a horas certas; benzeduras contra o mau olhado e outra mesinhas.
Algum tempo depois, deu entrada nas urgências do hospital de Portalegre, com a tensão arterial a atingir os níveis máximos, permitidos pela natureza humana , para a continuidade da sua própria vida . Foi internada, examinada ; medicada e obrigada a regressar à dieta .


O marido que ficara entregue a si próprio, com todas as tarefas a seu cargo, irrompeu um dia pela taberna da aldeia e furioso, pediu licença para utilizar o telefone público, sem deixar de lançar antes, um desabafo bem audível que lhe saiu das entranhas :
- Raisparta a mulher, que não sai do hospital ! Com a nossa vida, temos lá tempo para estar doentes, no “choco “.

Estava assinado e declarado o estado de guerra, neste lugar isolado . A concórdia deu lugar ao ódio visceral entre as duas famílias . Aqueles que se consideravam ofendidos e presumivelmente atingidos pelos actos maléficos dos vizinhos, possuíam uma pequena propriedade que estes últimos precisavam de atravessar, para chegar aos seus próprios domínios .
As hostilidades foram iniciadas com a colocação de uma placa de madeira, afixada no muro de pedra seca da propriedade, por parte do marido da vitima do “ mau olhado”, na qual figuravam uns caracteres rudemente desenhados, mas com uma mensagem clara :

É PROIBIDA A PAÇAGEM (com cê de cedilha) , ÀS BESTAS E A TODA A GENTE !
Não era muito claro e cristalino, se a besta era o vizinho ou o macho da carroça deste , que constituía o seu único meio de transporte, para as deslocações necessárias às feiras e aos comércios das aldeias mais próximas.
A partir daqui, as famílias tornaram-se inimigas para a vida e nada voltou a ser como dantes .

A importância que as pessoas, por vezes conferem aos dotes de adivinhação e às presumíveis capacidades curativas destes videntes ; curandeiros e soldadores que se escudam quase sempre no fenómeno religioso, para realçar as suas virtudes, podem atingir proporções e consequências extremamente nefastas, para aqueles que se deixam enredar nestas teias urdidas por gente sem escrúpulos .
Nestas coisas não há no entanto verdades absolutas . Também podemos encontrar no universo da sabedoria e do imaginário popular, no que às crenças e crendices concerne, material interessantíssimo e digno de estudos etnográficos e etnológicos .

Na obra Neo-realista de Fernando Namora : “Retalhos da vida de um médico “ no Capítulo intitulado – “História de um parto “, há um relato assaz pungente, talvez emergente das vivências do autor, enquanto médico, que transcrevo aqui parcialmente :
(…) “ Os camponeses vinham ao consultório fechados em meias palavras, avaliando dos meus dotes de mágico, e nas suas faces obstinadas havia apenas desconfiança e desafio :Algumas vezes, a morte estava ali entre mim e eles, troçando da minha humildade apavorada, e nem assim me davam um estímulo : duros, invioláveis, lá lhes parecia que um bom médico não precisa de arrimos “ (… ) .
P. S. - os episódios aqui referenciados, emergem do imaginário popular e da transmissão de boca em boca . Como diz o adágio popular " quem conta um conto aumenta-lhe sempre um ponto", pelo que, os relatos em causa poderão ser ficcionados .
Não visam atingir ninguém em concreto, nem ferir susceptibilidades . O presente post, tem apenas como objectivo, fazer uma reflexão sobre casos similares, que não são tão raros, como se possa imaginar .

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

E da Crise para... Onde?

OPINIÃO

Depois de ter andado no Post anterior a “engendrar” umas “ingenharias financeiras”, como diz o Bonito, e de umas “estóreas plagiadas”, das quais parece que sou o único utilitário, gostaria em primeiro lugar, de pedir desculpa aos leitores por alguns erros ortográficos dos últimos comentários. Mas eles foram escritos tão emocionalmente, que parece que alguns escaparam à revisão.

Ainda a respeito do tema do Post anterior, gostaria de partilhar convosco, também um pouco da minha preocupação sobre a actual situação social do país e do mundo, que penso que esteja muito para além de uma GRAVE CRISE FINANCEIRA!

E só espero, que mais uma vez, a humanidade (ou quem nela manda), não encontre como solução a velha fórmula do passado: A GUERRA! Como forma de resolver os problemas do mundo.

No entanto, os sinais são preocupantes, e, não me espantaria nada, que esse desfecho, que parecia estar arredado do nosso horizonte, mais dia, menos dia, nos batesse à porta.

Alarmante, pensarão alguns; apocalíptico, dirão outros; impossível nos dias de hoje, isto é só mais uma crise que se diluirá com o tempo, responderão os mais sensatos

Mas, bastaria uma análise mais atenta, ao último parágrafo do Artigo aqui trazido pelo Bonito, nomeadamente, o “ponto 20”, para nos por de sobreaviso, sobre essa possibilidade, senão vejamos o que nos diz:
“…Entretanto os Fundos Soberanos, ou seja os Fundos de investimentos criados pelos Estados com recursos procedentes do “superavit” das suas contas (procedentes principalmente do petróleo e do gás), como os fundos do Emiratos Árabes, países asiáticos, Rússia, etc., estão a comprar participações significativas em Bancos americanos para tirá-los do congestionamento em que se encontram…”.

Se isto está a acontecer, caberá questionar:

- Qual será a reacção dos americanos a esta “aquisição” por parte de estrangeiros?

- Como reagirão estes povos a uma “nacionalização” dos seus fundos por parte dos americanos?

- Porque razão, recentemente, americanos e russos acordaram em desmantelar alguns mísseis perigosos para ambos os países?

- Será que ao “negócio” do “subprime”, sucederá o negócio sempre rentável das armas?

Dizem que a história nunca se repete, mas eu não tenho a certeza disso!...

Entretanto, aconselho-vos a visitar o seguinte sítio:

http://video.google.com/videoplay?docid=-1437724226641382024

Vejam até ao fim e reflictam…

sábado, 7 de fevereiro de 2009

Da ganância à CRISE!!!

(Caderno "Economia" do Expresso de hoje)

A “crise” de que há tanto tempo se fala está agora a começar a doer a sério:

O desemprego!

Nas últimas décadas, num crescendo de acesso a bens cada vez mais dados como certos e num incremento do nível de vida, habituei-me a ouvir alguns “antigos” (daqueles que sempre pouparam para a velhice porque “no seu tempo” não existia reforma) dizerem que isto, um dia, ainda ia dar para o torto!

Costumava responder-lhe, convencido, que estavam errados. Que esta evolução não teria retorno.

Enganei-me!

Agora, fico todos os dias “arrepiado”. Arrepiado com os milhares que, diariamente, pelo mundo fora perdem o emprego; arrepiado vendo reportagens que mostram milhares de cidadãos do país que tem comandado o mundo (U.S.A.) sem acesso a cuidados de saúde básicos, porque não têm capacidade financeira para subscreverem um seguro ((ai que bom é o nosso (deficiente) sistema de saúde!)); arrepiado quando vejo ministros de países até há pouco tempo considerados super-desenvolvidos “caírem” porque o seu carro é cercado por cidadãos do seu país desesperados; arrepiado quando vejo países super-desenvolvidos e super-liberais imporem quotas às empresas relativamente à nacionalidade dos seus empregados…

Temo, sobretudo, as convulsões sociais que estão para surgir.

Temo a insegurança!

E sinto-me, apesar de tudo, privilegiado. Privilegiado porque o desemprego, felizmente, não paira, ainda, sobre mim e sobre os meus; privilegiado porque a região onde vivo, não sendo muito desenvolvida, não sentirá muito o “abalo” e, sendo “rural”, tem uma a boa rede de sustentação social.

Oxalá os governos consigam engendrar boas almofadas de protecção social para que isto não dê mesmo para o torto…

Esta catástrofe é global. E por isso atinge Portugal e atinge Marvão!

Para quem esteja interessado, e tenha paciência para ler, aqui deixo um texto, escrito por um espanhol em meados de 2008, que explica muito bem a origem deste “mal”…

Explica-nos como para alguns ganharem milhões, estão agora milhões entalados!


Grande Abraço
Bonito Dias





terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

A nossa gente... e a sua forma de pensar...

Carta aberta ao Vereador Pedro Sobreiro (o meu amigo Pedro):

“E eu olho para o tempo que ainda me falta em exercício, suspiro fartinho, arfo e digo para mim mesmo aquilo que os romanos disseram dos lusitanos “esta gente não se governa nem se deixa governar….”

Li hoje no teu Blog pessoal, “vendo o mundo de binóculos do alto de Marvão”, um Post de tua autoria, em que nos deste a conhecer um pouco da tua desilusão, e/ou mesmo revolta, em relação a algumas apreciações de certas pessoas, acerca do teu trabalho, enquanto autarca local e actor social.

Sem paternalismos, que às vezes me acusas, quero dizer-te aqui publicamente, que considero isso perfeitamente normal (numa terra muito mais habituada a apreciar do que a fazer), e, deves dar a essas críticas, a importância que realmente merecem, sem te querer dizer, que não lhes deves dar importância nenhuma. O que te quero exprimir, é que deves lidar com essas censuras como momentos de aprendizagem e crescimento, de acordo com a fase em que te encontras na tua vida. No entanto, a respeito da “importância das coisas” deixo-te aqui um pensamento do grande escritor que é Milan Kundera (não tenho a mesma certeza se o é como homem), que escreveu um dia: “… às vezes levar a sério, algo de tão pouco sério, é perdermos nós próprios, toda a nossa seriedade”.

Claro que sabes, que eu acho que tu te puseste mesmo a jeito para que isto acontecesse, e em minha opinião, até acho que o merecias, devido à visão ingénua e utópica que tinhas, e talvez ainda tenhas da sociedade, mas isso é uma virtude tua, que espero que nunca a percas, e crê, que o que neste momento estás sentir, será passageiro, porque irás sair mais fortalecido e mais “rico” como pessoa e como homem. Só terás de gravar no “disco rígido”, todos esses “inputs”, a que estás a ser submetido.

Ao afirmar no parágrafo anterior que te “puseste a jeito”, quero dizer, que entraste nesta aventura de peito aberto, dando o corpo ao manifesto, acreditando que tudo é gente de bem, que as pessoas são todas boas, crendo que não existem interesses pessoais, etc., etc. Hoje sabes, certamente, que cometeste alguns erros de estratégia, e isso não terá de ser necessariamente mau, depende apenas do efeito que isso tenha em ti.

Os grandes atletas não são aqueles que ganham sempre, são aqueles que ganham e perdem. Mas que sabem perder e ganhar, e em cada derrota saem mais fortalecidos, para lutar…, e tentar ganhar de novo!

TA: Só não são criticados, aqueles que nada fazem, e tu, só és criticado, porque ousas fazer…Não te rendas!

Um abraço

João Bugalhão

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Pais do Amaral quer golfe de Marvão, mas por um preço justo, diz " O SOL online"

O futuro do campo de golfe de Marvão (Portalegre), em processo de insolvência e em situação de abandono, continua indefinido, tendo hoje decorrido, sem sucesso, uma hasta pública para apresentação de propostas de compra


Na hasta pública, que decorreu no Tribunal de Castelo de Vide, o valor de licitação para a globalidade dos bens a vender da insolvente Ammaia-Clube de Golfe de Marvão, S.A., situava-se nos dois milhões de euros, tendo sido apresentadas duas propostas.

Uma das propostas encontrava-se «em branco», segundo constatou a agência Lusa no local, e a outra, em nome da empresa The Edge Group, ligada ao empresário País do Amaral, continha um valor inferior ao lançado pelo administrador da insolvência.

Fonte judicial disse à Lusa que a proposta apresentada pela empresa de Pais do Amaral situou-se «um pouco acima dos 750 mil euros».

«Não foi efectuada a venda, em virtude da proposta apresentada não reunir as condições de venda publicitadas, seguindo-se agora os ulteriores termos processuais», revelou a mesma fonte.

Em declarações à Lusa, José Luís Pinto Basto, sócio de Pais do Amaral para os investimentos na área turística, escusou a confirmar o valor da proposta apresentada, mas reiterou o interesse do The Edge Group em adquirir o projecto de Marvão.

«Estamos aqui, mais uma vez, nesta hasta para demonstrar o nosso interesse em adquirir o golfe pelo seu valor justo e não pelo valor que estava em cima da mesa», disse.

Segundo Pinto Basto, a proposta foi apresentada «pelo valor actual» que a empresa atribui aos imóveis «no estado em que actualmente se encontram».

Luís Pinto Basto espera agora «manter conversações» com a comissão de credores para que, num futuro próximo, esta venha a decidir se «aceita ou não» as condições avançadas pela empresa The Edge Group.

De acordo com o sócio de Pais do Amaral, assim que a empresa termine o negócio com a comissão de credores, estão logo à partida projectadas «obras de recuperação» do campo de golfe, a continuação da obra do empreendimento e uma intervenção para melhorar o «enquadramento paisagístico» daquele conjunto.

A construção de um hotel com cerca de 100 quartos e a finalização do projecto de aldeamento turístico em redor do golfe é outra das metas que o grupo pretende atingir.

Para que isso aconteça, o Parque Natural da Serra de São Mamede, que classificou aquela área como «protegida», terá que, eventualmente, alterar o processo para que se concluam as obras.

Inaugurado em 1997, o campo de golfe situa-se no centro de uma moldura única em pleno coração do Parque Natural da Serra de São Mamede, tendo sido considerado em 2000 pela Federação Portuguesa de Golfe O Campo do Ano.
Ao abandono há alguns anos, costumando mesmo servir para as ovelhas pastarem, o golfe de Marvão e o empreendimento turístico Aldeia D'Azenha que lhe está adjacente, pertenceram numa fase inicial a Carlos Melancia, ex -governador de Macau.

Após a insolvência da empresa de Carlos Melancia (Bevide), pedida pela administração e posteriormente decretada pelo tribunal devido a dívidas a fornecedores e funcionários, surgiu no negócio o Grupo Hoteleiro Fernando Barata que adquiriu, em Abril de 2007, através da Solévora, os bens da Ammaia Clube de Golfe de Marvão, SA.

O mesmo grupo, que já tinha comprado o aldeamento turístico associado ao campo de golfe, a Aldeia d'Azenha, era um dos quatro sócios da Ammaia, integrada também pela empresa de Carlos Melancia.

A empresa de Fernando Barata saiu do projecto por incumprimento de prazos de pagamento à comissão de insolvência, tendo ainda perdido uma caução inicial de cerca de 400 mil euros.

Fonte: Semanário "O Sol ONLINE", de segunda feira, 2 de Fevereiro de 2009

SOBRE O GOLF, in jornal FONTE NOVA


Impasse no Golf de Marvão - Licitações abaixo do esperado

O imóvel esteve à venda em hasta pública na passada quarta-feira mas os dois milhões de euros mínimos de licitação resultaram em duas propostas que, certamente, não corresponderam às expectativas. Uma falsa proposta, não identificada e constituída por folhas em branco, e a proposta do grupo de Paes do Amaral que ofereceu pelo Golf menos de metade do valor pedido…No passado dia 28, as atenções estiveram viradas para o Tribunal Judicial de Castelo de Vide. Foi naquele local que, durante a manhã, o futuro do Ammaia Clube de Golf de Marvão, S.A. e do empreendimento turístico Aldeia d’Azenha, esteve em cima da mesa, através da sua venda em hasta pública.
No entanto, o futuro do imóvel, que está em processo de insolvência e em situação de abandono, continua incerto, uma vez que ainda não foi desta que foi comprado. No Tribunal Judicial de Castelo de Vide, na quarta-feira, além de uma falsa proposta não identificada, que obviamente é nula, foi apresentada uma oferta pelo The Edge Group, cujos 50% são detidos pelo empresário Miguel Paes do Amaral. Apesar de não nos ter sido revelado o valor oferecido pelo grupo interessado, sabe-se que o mesmo foi inferior ao mínimo exigido. Aliás, segundo noticia a Agência Lusa, que refere fontes judiciais, a oferta terá rondado os 750 mil euros.
Em representação do The Edge Group, esteve o administrador José Luís Pinto Basto. No final da hasta pública, o responsável falou aos jornalistas, lembrando, em primeiro lugar, que "este negócio sempre nos interessou tendo as duas componentes integradas e em funcionamento em simultâneo, não acreditamos na viabilidade do Golf sem o empreendimento turístico e não acreditamos na viabilidade do empreendimento turístico sem o Golf". Tal como o responsável fez questão de sublinhar, "este processo já vem de há quase dois anos, temos mantido essa posição e temos tentado fazer este negócio, entendendo todas as complicações que estão envolvidas e que vêm de trás, desde um processo de falência a dívidas e hipotecas…", salientou Pinto Basto.
O The Edge Group tem tentado, junto das partes envolvidas, "encontrar soluções justas e práticas. Por isso aqui estamos, mais uma vez, nesta hasta mostrando o nosso interesse em adquirir o campo de golf pelo seu valor justo e não pelo valor que estava em cima da mesa", esclareceu o administrador. O responsável acrescentou ainda que "apresentámos a nossa proposta pelo valor que consideramos que é o valor actual que estes imóveis têm, no estado em que actualmente se encontram, e portanto caberá agora à comissão de credores aceitar ou não as condições que vierem a ser propostas".
Na realidade, e como nos foi confirmado pelo administrador Pinto Basto, "uma vez que não apresentava o valor de licitação pedido, a nossa proposta não foi aceite". Agora, e no entender do grupo interessado, " a comissão de credores deverá reunir e continuar uma conversa particular connosco, com base nesta proposta, e tentaremos chegar a um entendimento justo e equilibrado, com interesse para ambas as partes"."Queremos recuperar o Golf, terminar o empreendimento turístico e avançar com o hotel"Quanto ao projecto que o The Edge Group perspectiva para o Golf de Marvão, os objectivos são claros. Segundo avançou Pinto Basto, "logo que consigamos adquirir o campo de golf e o empreendimento, a nossa ideia é iniciar imediatamente as obras de recuperação do golf e dar seguimento à obra do empreendimento". Mas os propósitos não se ficam por aqui, pois há ainda a pretensão de "fazer algumas alterações ao projecto, nomeadamente melhorar o seu enquadramento paisagístico, pois acreditamos que este projecto tem um grande potencial e, portanto, deverá ser desenvolvido em total harmonia com o Parque Natural onde se integra", aclarou o administrador do grupo.
Pinto Basto frisou ainda que "existem algumas questões para resolver que estão relacionadas com a carta síntese do Parque Natural que permitirão no futuro desenvolver um hotel", outro empreendimento que aliás estava previsto desde início e pensamos que será também uma valência essencial para a viabilidade de todo este conjunto turístico", explicou o responsável. Quanto à capacidade que o hotel terá, o administrador do grupo interessado adiantou que "os estudos feitos por algumas consultoras especializadas em turismo indicam a viabilidade para um hotel que tenha entre 80 e 100 quartos, temos até já um estudo prévio que apresentámos atempadamente ao ICNB e que apresenta um hotel totalmente integrado na própria topografia do terreno". Relativamente a prazos, Pinto Basto foi peremptório ao afirmar que "a partir do momento em que tenhamos um entendimento com as autoridades que deverão licenciar, um ano e meio e o hotel será construído".
Quanto ao facto de, desde há uns anos, a zona do empreendimento turístico inerente ao Golf de Marvão ser considerada uma zona protegida, o administrador do The Edge Group mostrou-se confiante numa mudança dessa situação. Tal como avançou, "quando a carta síntese foi publicada, a zona onde se encontra o empreendimento foi considerada uma zona de protecção total do tipo 2, quando existiam em vigor licenças de construção, portanto é uma situação que não faz qualquer sentido". De qualquer modo, o administrador do grupo esclareceu que "compreendemos que esse erro tenha sido cometido, com certeza involuntariamente, mas acreditamos que pode e deverá ser corrigido assim que os novos promotores, e espero eu que sejamos nós, também possam apresentar um projecto de qualidade que esta zona sempre mereceu", concluiu.
Vítor Frutuoso, presidente da autarquia de Marvão, não ficou surpreendido com a proposta do The Edge Group, até porque, como disse ao nosso jornal, "tenho estado atento à situação e sabia quem eram os potenciais candidatos à compra do Golf". O edil frisou que "agora tem que haver um espaço para negociações entre as entidades envolvidas para levarem a efeito os procedimentos necessários e espero que esse não seja um processo demorado". Vítor Frutuoso afirmou que "da minha parte, a grande preocupação é essa, pois quanto mais tempo passa, menos valor tem aquilo que ali está". Evocando o "interesse regional", o autarca disse mesmo que "o que era um campo de golfe, já deixou de o ser, e qualquer dia é uma propriedade rústica que vale muito menos que um campo de golfe".
Recorde-se que, inaugurado em 1997, o Golf de Marvão pertenceu à empresa de Carlos Melancia e, já em 2007, foi adquirido pelo Grupo Hoteleiro Fernando Barata que acabaria por abandonar o projecto alguns meses depois devido a incumprimento de prazos de pagamento à Comissão de Insolvência.
Actualmente, e desde há uns anos a esta parte, o Ammaia Club de Golf de Marvão é uma sombra daquilo que um dia foi e é habitual avistarem-se dezenas de ovelhas a pastarem naquele que, no ano 2000, chegou a ser considerado o Campo do Ano pela Federação Portuguesa de Golfe.
Fonte: Jornal Fonte Nova online, sábado, 31 de Janeiro de 2009

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Uma luz ao fundo do túnel


HOJE NO TRIBUNAL DE CASTELO DE VIDE


Segundo notícia divulgada pela Rádio Portalegre The Edge Group apresentou uma proposta de 750 mil euros para a compra do Golf de Marvão.

Duas propostas, uma delas em branco, foram entregues no processo de venda em hasta pública do Golf de Marvão. A proposta apresentada pelo The Edge Group, detido em cinquenta por cento por Pais do Amaral, foi de 750 mil euros, valor inferior aos dois milhões do valor da globalidade dos bens, tendo sido recusada.
A comissão de credores deverá reunir agora com grupo interessado no sentido de chegar a um acordo. Logo que a compra fique concretizada o grupo The Edge Group pretende iniciar de imediato as obras de recuperação do Campo de Golf e do Empreendimento Turístico e aponta o prazo de um ano e meio para a conclusão. O administrador do Edge Group só acredita na viabilidade do Golf e do Empreendimento Turístico com um funcionamento em simultâneo.
(Notícia retirada de http://castelodevide.blogspot.com/)
Grande Abraço
Bonito Dias

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Situação Financeira e Estratégias da Câmara – o Passado, o Presente e o Futuro…

I - OS DADOS

1- A herança de Manuel Bugalho

2 - Evolução da dívida de curto prazo em 2005


3 - Mapa da dívida bancária no fim de 2005


4 - Em 2006, 1º empréstimo de longo prazo deste mandato - €195.000,00


5 - Situação financeira em 2006 - Os problemas de liquidez agravam-se


6 - Evolução da dívida em 2006 - Crescimento da dívida de C/P


7 - Mapa da dívida bancária no fim de 2006


8 - Aprovada abertura de crédito de C/P em 2007 - €352.000,00

9 - Capacidade de endividamento em Setembro de 2007


10 - Em 2007, 2º empréstimo de longo prazo deste mandato - €750.000,00


11 - Autorização de Abertura de crédito de C/P para 2008


12 - Situação financeira em 2007 - Os problemas de liquidez continuam


13 - Evolução da dívida em 2007 - Dívida de C/P estabiliza


14 - Mapa da dívida bancária no fim de 2007


15 - Em 2007, 3º empréstimo de longo prazo deste mandato - €800.000,00


16 - Anunciada verba (+/- €2.500.000,00) no âmbito do QREN em Julho de 2008


17 - Orçamento 2009 - Projectos em fase de aprovação para concorrer aos fundos comunitários


18 - Projectos (continuação) e Grandes Opções do Plano (GOP) para 2009



19 - GOP 2009 - Indústria




II - A INTERPRETAÇÃO DOS DADOS

1 – Manuel Bugalho deixou a Câmara com problemas de liquidez. Apesar de existirem apenas três empréstimos de Longo Prazo, no montante global de €688.248,40, verificou-se um acréscimo substancial do endividamento (financiamento e funcionamento) em 2005, ano de eleições. No entanto, os problemas de liquidez já tinham, também, alguma origem nos dois principais projectos em início de execução (rede subterrânea de infra-estruturas em Marvão e enquadramento paisagístico da piscina coberta de S.A.A.).

2 – No princípio de 2006 os projectos da rede subterrânea de Marvão (€ 1.900.000,00) e os arranjos exteriores da piscina de SAA (€600.000,00) estavam no início da sua execução financeira. O primeiro dependia em 22% do orçamento camarário, enquanto que o segundo dependia em 50% desse orçamento. No conjunto, a Câmara viria a alocar cerca de €700.000,00 das suas receitas para investimento a esses projectos no biénio 2006/2007. Atendendo ao atraso no recebimento de grande parte da verba subsidiada, estas obras “sufocaram” a tesouraria da Câmara, causando graves problemas de liquidez. No fim de 2006 faltavam receber €1.235.000,00 de fundos comunitários referentes a obra já executada.

3 – Em Junho de 2007 foi aprovado um empréstimo de curto prazo, no montante de €352.094,00, e em Dezembro do mesmo ano foi aprovada pela AM a possibilidade da Câmara utilizar até ao máximo possível de endividamento de curto prazo para 2008 (cerca de 350.000,00). Estas aberturas de crédito serviram para fazer face aos problemas de tesouraria, não tendo sido utilizadas na totalidade e sendo pagas no período máximo de um ano.

4 – A dívida do Município (financiamento e funcionamento) cresceu cerca de €450.000,00 de 2005 para 2007.

5 - Durante o período em que o actual executivo está em funções foram aprovados três empréstimos de Longo Prazo (20 anos) no montante global de €1.745.000,00. Deste montante, no final de 2007 estava utilizado apenas o primeiro empréstimo, no valor de €195.000,00. Segundo o recente comunicado da Câmara, actualmente estão utilizados €725.000,00, sendo que, portanto, ainda estão por utilizar cerca de €1.000.000,00.

6 – Se agruparmos por grandes rubricas, o montante global dos três empréstimos tem como finalidades:

a) – Vias de comunicação - €215.000,00 (12,32%)
b) – Saneamento básico - €20.000,00 (1,16%)
c) – Infra-estruturas para habitação e prédios rústicos - €1.115.000,00 (63,90%)
d) – Apoio ao desenvolvimento empresarial - € 10.000,00 (1,16%)
e) – Património natural e arquitectónico - €95.000,00 (5,44%)
f) – Projecto campo dos Outeiros - €85.000,00 (4,87%)
g) – Projecto envolvente piscina SAA - €150.000,00 (8,60%)
h) - Projecto do reordenamento das escolas - € 45.000,00 (2,55%)

7 – Antes da aprovação dos segundo e terceiro empréstimos (€1.550.000,00) a capacidade de endividamento de médio longo prazo da Câmara era de cerca de €3.500.000,00 pelo que, agora, a mesma será, “grosso modo”, ainda de € 2.000.000,00.

8 – Em Julho de 2008 foram contratualizadas a verbas do QREN com a Associação de Municípios de Portalegre, cabendo ao concelho de Marvão cerca de €2.500.000,00, cuja execução deverá arrancar já este ano.

9 – As Grandes Opções do Plano para 2009, no que se refere a investimento definido, prevêem €1.592.500,00 (34,8%) para habitação e urbanismo.

10 - As Grandes Opções do Plano para 2009, no que se refere a financiamento definido, prevêem €493.500,00 para desenvolvimento económico (indústria).

11 – O orçamento para o ano de 2009 e seguintes e o mapa dos projectos a concurso aos fundos comunitários permitem verificar que, por um lado, através sobretudo dos empréstimos bancários, a grande aposta já para 2009 é nas infra-estruturas para habitação; por outro lado, no que se refere aos restantes prioridades pode-se afirmar que, para além da modernização do campo dos Outeiros (já aprovado), do saneamento básico e das vias de comunicação, os três grandes projectos para os próximos anos são:

a) – Requalificação do castelo de Marvão e sua envolvente - €1.290.000,00
b) - Apoio ao desenvolvimento empresarial (ninho de empresas e loteamento industrial) - €951.335,00
c) – Requalificação margens rio Sever - €1.228.077,00


III - OS PONTOS A SUBLINHAR

1 - Asfixia inicial da tesouraria da Câmara devida, sobretudo, à demora no pagamento dos fundos comunitários;

2 - Empréstimos de curto prazo para combater os problemas de tesouraria;

3 - Estratégia inicial do executivo condicionada pelos dois grandes projectos iniciados anteriormente;

4- Empréstimos de longo prazo essencialmente para infra-estrutura com habitação;

5 - O montante existente em contas bancárias - €1.405.000,00- (segundo a informação prestada pela Município em 22 de Dezembro último) foi, certamente, uma situação pontual que terá tido a ver com recebimentos recentes, visto que normalmente, pela informação prestada à AM, este valor cifra-se em apenas cerca de ¼ daquele;

6 - Desafogo financeiro para 2009: falta receber €1.000.000,00 dos empréstimos de Longo Prazo; só já falta receber 5% dos fundos comunitários referentes aos dois grandes projectos anteriormente referidos, segundo informação dada na última AM, pelo que a Câmara terá recebido recentemente cerca de €800.000,00 em atraso; margem de endividamento de longo prazo ainda disponível - €2.000.000,000; início da implementação do QREN.


IV - A OPINIÃO

A gestão financeira e estratégica deste executivo esteve muito condicionada, inicialmente, pela situação difícil de tesouraria herdada e, posteriormente, pelos atrasos nos pagamentos das verbas comunitárias. Perante estes condicionalismos parece-me que foi feita uma gestão financeira acertada.

Atendendo à capacidade de endividamento disponível, concordo com o recurso ao crédito para impulsionar a economia do concelho, desde que seja para financiar projectos com esse desiderato.

Perante os dados apresentados parece-me exagerada a verba alocada à habitação e urbanismo e a prioridade dada a esta área. Julgo que o apoio ao desenvolvimento empresarial era mais premente, pelo que esta vertente deveria ter um maior peso relativo e ter sido implementada com maior prioridade.

Na minha opinião, os três grandes projectos para os próximos anos fazem sentido: requalificar a “jóia da coroa” (principal factor de diferenciação e garante do turismo); apoiar o desenvolvimento empresarial (criação de postos de trabalho) e requalificar as margens do rio Sever (aproveitamento das características endógenas, para a promoção turística).

A opção de concorrer ao QREN no âmbito da Associação de Municípios revelou-se acertada.

Não foram alocadas verbas significativas (nem estão previstas) para a promoção da imagem/marca do concelho. Uma terra que se quer turística, se não tem parcerias (como é o caso), tem que se estruturar e investir sozinha na sua promoção/imagem.

Não foi, também, desenvolvido qualquer projecto na implementação de circuitos (pedestres ou outros) que promovessem o contacto com a natureza (área onde somos fortes) e que possibilitassem, em conjunto com a requalificação de pontos de interesse espalhados pelo concelho, a ocupação/permanência dos visitantes.

Neste contexto, 2009 vai ser o ano de maior investimento deste mandato em obras do actual executivo (sendo ano de eleições, vem mesmo a calhar a Victor Frutuoso) e os anos seguintes também serão, de certa forma, desafogados ao nível financeiro, já que prossegue a execução do QREN, haverá, provavelmente, retorno financeiro dos vários loteamentos habitacionais e estará disponível, ainda, uma margem significativa para endividamento.

Boas notícias para o próximo Executivo!


Como prometido, atendendo ao interesse despertado pela troca de acusações recentes entre Executivo e PS, apresentei aqui um resumo sobre a situação financeira da CMM. Julgo que, como membro da AM, esta era também a minha obrigação. Aliás, tenho sempre defendido o esclarecimento e o debate, visto pensar que têm sido, ambos, muito “mal tratados” neste concelho.

As opiniões pessoais versaram apenas sobre aspectos de gestão estratégica da Câmara. Não pretendi, com esta análise, defender/atacar esta ou aquela personagem/facção. Tentei ser isento, só me interessando o esclarecimento e o desenvolvimento do Marvão.

Aguardemos, então, pelas contas de 2008 para complementarmos o cenário…


Nota 1: Os dados apresentados tiveram como fonte actas de reuniões da Câmara e da Assembleia Municipal, bem como os relatórios e contas e orçamentos do Município. Documentos públicos que, aliás, penso que deveriam ser mais divulgados pela Câmara (no seu site/blog oficial, por exemplo).

Nota 2: Se cometi erros na análise dos dados foi por distracção, desconhecimento ou incapacidade.


Grande Abraço
Bonito Dias

domingo, 25 de janeiro de 2009

Este presépio no alto de uma rocha plantado – 1º NO RANKING DOS JARDINS PÚBLICOS PORTUGUESES

Quem em Marvão contacta directamente com turistas está habituado a receber os mais variados comentários, felizmente quase todos positivos. Comentários que não precisam de ser falados: pode ser uma expressão gestual, um transparecer de sensações de qualquer outra ordem.
Se não fosse o meu maldito desleixo com as coisas, já tinha arranjado um bloco de notas onde registar todas aquelas “frases épicas” sobre Marvão de que me é conhecimento, substituindo assim este disco rígido mal arrumado que se aloja por baixo das sobrancelhas.
Lembro-me por exemplo, aquando da I Feira de Gastronomia de Marvão, (já lá vão anos, e eu cada vez menos novo) levei o José Salgueiro, dos Gaiteiros de Lisboa, a ver o pôr-do-sol nos baluartes ocidentais do Castelo. Ele não disse nada que se aproveitasse, mas chorou. Chorou por ver tamanha beleza.

Há, no entanto, uma frase que jamais esquecerei. Passeando pelos Jardins de Marvão, à noite, uma pessoa amiga diz: Isto é como um presépio.
Marvão é de facto um presépio. Um presépio natural, não falemos dos restantes protagonistas do presépio, porque agora não vem ao caso mudar de assunto.

E é um presépio graças ao extraordinário trabalho do meu colega Dionísio Gomes, cujo trabalho artístico não há dinheiro que pague (e das suas ajudantes, como é óbvio). Como o tempo é que “amadura” os figos, veremos se o futuro me dará (ou não) a razão.


Certamente já repararam que o meu poder de síntese não existe, pois a única coisa que eu queria era chamar-vos a atenção para a página:



http://www.floreseplantas.com.pt/

Entrem e votem, sff. Marvão merece.

Onde está a decorrer um concurso dos melhores jardins públicos nacionais.


António Garraio

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

VIVA O 24 DE JANEIRO

UM POUCO DE HISTÓRIA

(EPÍLOGO)

Em princípios de 1897, os Regeneradores no Governo Central caíram enfraquecidos pela acção das oposições, e D. Carlos de acordo com a lei da rotatividade, chamou os Progressistas a formarem governo, que após eleições que promoveram, haveriam de vencer, e assim, serem legitimados nas urnas.

Logo de início este Governo Progressista, começou a tentar criar condições para a restauração da reforma administrativa de Mouzinho da Silveira. Assim em 13 de Janeiro de 1898, fez sair um decreto com o seguinte conteúdo: “Artigo nº 1: São Restaurados os concelhos mencionados no mapa nº 1, que com o presente decreto baixa devidamente autenticado, ficando constituídos com as freguesias que no mesmo mapa lhes são respectivamente designadas e sendo incorporados nos distritos administrativos a que o mapa alude.”

Assim, e pelo mesmo método, com que tinha sido anexado (por decreto central), Marvão e as suas 3 freguesias, voltava a ser uma unidade administrativa, e era de novo Concelho, incorporado no distrito de Portalegre.

Não perderam tempo estes nossos antepassados, e 11 dias depois, em 24 de Janeiro de 1898, os de Castelo de Vide, marcando encontro com os de Marvão, na povoação de Escusa, ali mesmo restituíram aos marvanenses, aquilo que dois anos antes lhes haviam levado. Em acta de 27 de Janeiro da nova vereação de Castelo de Vide, era explicado o seguinte sobre esse acto “… em 24 de Janeiro, na melhor ordem, e de acordo com as instruções do magistrado distrital, fora feita a entrega dos utensílios, mobília e arquivo, que pertenciam ao concelho de Marvão.”

Por Marvão, sabemos hoje, que estava presente António Matos de Magalhães, mas também, muitos marvanenses anónimos.

Em 27 de Janeiro de1898, em cerimónia da Restaurada Câmara Municipal de Marvão, foi nomeada pelo novo Administrador do Concelho, João José Magalhães, uma comissão administrativa que viria a gerir o concelho até à realização de eleições. Essa comissão era presidida por Matos de Magalhães, que era coadjuvado pelos vogais Manuel Joaquim Semedo, Francisco José de Carvalho, José Maria Forte e José Machado.

Na acta da sessão extraordinária que se seguiu a esta posse, ficou lavrado o seguinte: “… estando presentes todos os membros da comissão municipal do concelho, o Sr. Presidente julgando interpretar os sentimentos dos cidadãos d´este concelho, propoz, sendo approvado por unanimidade, um voto de louvor a todos os cooperadores da grande obra patriótica da restauração deste concelho, sendo esta deliberação aclamada entusiasticamente por todos os cidadãos presentes à sessão.”

Opinião do autor:

A um leitor desatento ou apressado, será levado a pensar que os colaboradores heróicos referidos poderiam ser os membros dessa mesma comissão, ou alguns marvanenses anónimos. No entanto, em minha opinião, e da análise que faço do descrito anteriormente, Matos de Magalhães estaria a referir-se a “colaboradores externos”. Esta tese pode ser sustentada em Ofícios que esta comissão municipal endereçou a diversas personalidades e assinados por José Maria Forte, das quais destacamos o Chefe do Governo Central, José Luciano de Castro, a quem foi endereçado o seguinte: “…Tenho a honra de levar ao conhecimento de V. Ex.ª que a Câmara da minha presidência resolveu, como protesto da mais viva gratidão e agradecimento pelo restabelecimento d´este concelho, que o retrato de V. Ex.ª fosse collocado na sala das suas sessões a fim de que a posteridade possa attestar os serviços prestados por V. Ex.ª à causa dos municípios pequenos.”

Outro com teor diferente foi enviado, simultaneamente, ao Governador Civil de Portalegre João de Pina Callado e a José Frederico Laranjo, que dizia o seguinte: “… Tenho a honra de comunicar a V. Ex.ª que a câmara da minha presidência resolveu que à custa d´este município se obtivesse o retrato de V. Ex.ª a fim de ser collocado na sala das sessões, prestando o mais vivo protesto da gratidão e agradecimento pelos serviços que sinceramente prestou à câmara do restabelecimento d´este concelho.”
Por estranho que pareça, consta no Livro de Correspondência Expedida que, um Ofício com o mesmo teor terá sido enviado a António Matos de Magalhães!

Quem terá sido afinal o “HEROI” e a quem se deve a restauração do concelho de Marvão?

Quanto a esse dia 24 de Janeiro, haveria de ser proclamado por muitos anos FERIADO MUNICIPAL EM MARVÃO…

Nota Bibliográfica: A maioria dos factos históricos aqui descritos tiveram por base a Obra de Maria Ana Rodrigues Bernardo: “Centenário da Restauração do Concelho de Marvão”, as opiniões, são do autor destas pobres crónicas.

No comments!

(Clicar para ampliar)

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

03 - O QUE NOS RESTA


Leve, leve a lembrança que me resta daquele dia em que, por causa de uns homens que andavam aos tiros lá por Lisboa, não tive de ir à escola.
Foi um dia diferente, pelo inesperado dos acontecimentos, e porque, como não podia ficar sozinho em casa nesse dia de lutas, devido à minha tenra idade, tive que acompanhar a minha mãe para o seu trabalho, na fábrica.

Claro que, teria que me manter quieto e sossegado, para não lhe interromper a labuta, ou chamar a atenção reprovadora do “Mestre Gomes”, que, por ser ali dos lados de Nisa, esticava algumas sílabas no inicio e no fim das palavras que pronunciava.

Várias gerações, antes da minha, tinham lutado por aquele dia que finalmente chegara, e com ele, a esperança.

A esperança num País com liberdade, acima de tudo, mas também com justiça, saúde, educação, habitação, igualdade social e modernização.

Expectativas justas e legitimas, num futuro melhor para esses lutadores populares e seus descendentes, enfim, para o País.

Onde param essas esperanças, essas expectativas, esses sonhos?

Onde param as causas?

Onde pára a vontade daqueles que viveram 74?
Desapareceu ou está adormecida?
Foi arrancada ou está perdida?

Os anos continuam a passar, e quase todos, quase todos os dias nos percorre o sentimento de que caminhamos para coisa nenhuma, que a estrada que palmilhamos não é a nossa, que seguimos sem esperança, sem expectativa ou convicção.
E o pior, parece que não nos importamos.

Deixa andar, talvez amanhã ou no outro dia, apareça novo salvador, e, se também ele for crucificado, resta-nos a esperança de que seremos salvos.
Sentimos que a vida que vivemos não deveria ser a nossa.

O esforço que se faz, para não parecer esforçada a tarefa de ter que educar os filhos.
Os pais e avós a viver em casa dos filhos, muitas vezes devido à força dos laços familiares, é certo, mas quantas vezes não é por não haver dinheiro para pagar os lares ou casas de repouso, ou quantas vezes não é para os filhos poderem contar com as raquíticas pensões dos mais idosos.
As prestações acumulam-se.

O desemprego está à espreita, à espera de apanhar o próximo que passe.
As empresas, umas encerram por tudo, outras por nada.

A frustração vai engolindo geração após geração.
A indignação apodera-se de nós, pela oportunidade perdida.

Ai, Ai que me fogem os sonhos, o futuro e a confiança.

O que somos nós neste laboratório português, em que se experimenta, faz e refaz, destrói e conserta há mais de 30 anos?

A consciência colectiva na melhoria é quase nula.

Ao menos temos o “Magalhães”, mas do que nos serve um ignorante com um computador nas mãos?

O que nos resta?
Talvez a esperança de quem acredita em Portugal, de quem acredita que somos nós, diariamente, os responsáveis pela mudança e pelo sacrifício na preparação do nosso futuro.
Exigindo dignidade e responsabilidade no exercício das funções públicas e privadas.

Todos temos responsabilidades na construção do País, mesmo que desalentados e convictos que entre nós há muitos que não querem saber, que não querem acreditar.
Acredita ou resigna-te.

Ai revolução o que te fizeram, o que te fizemos.

O povo unido já estará arrependido?


Mário Bugalhão

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

O CONCELHO DE MARVÃO VAI DESAPARECER? - RELATO DE UM SONHO (I PARTE - A CIMEIRA DO PINO)

DEPOIS DE TER LIDO ATENTAMENTE TODOS ESTES RECORDATÓRIOS HISTÓRICOS QUE O AMIGO JOÃO BUGALHÃO TEVE A AMABILIDADE DE NOS PREPARAR, FUI-ME DEITAR. E TIVE UM SONHO... SONHEI QUE O CONCELHO DE MARVÃO ESTAVA EM RISCOS DE DESAPARECER, TAL E COMO ELE EXISTE ACTUALMENTE. ORA LEIAM... (SE VOS APETECER)


Sentados à mesa, no reservado da tasca do amigo Tonho Zé e da Estrela, ali para os lados do Pino, Zapatero e Sócrates sorriem. Está a terminar mais uma cimeira luso - espanhola, e ao que parece, os resultados agradam a ambos os líderes políticos.

A divina feijoada de marisco já faz parte da história e na pequena sala, paira o aroma do café Delta, embrulhado com uma excelente aguardente caseira. Da raia para lá, Sócrates pode bebê-la sem infringir nenhuma das mil estúpidas normas que, para o efeito, criou.

O tasqueiro Tonho Zé, com um sorriso meio sacana, pede licença para entrar. Em cima da bandeja, transporta uma caixa de excelentes Vega Fina nº 1, importados da República Dominicana, que um cliente despistado deixara esquecidos em cima da mesa onde jantara. Nenhum dos dois líderes se fez rogado, e, enquanto repetiam, uma a uma, as conclusões dos pontos da agenda de trabalhos daquela cimeira, os charutos foram ardendo, sem pressa, mas sem pausa.

Zapatero agradece a Sócrates pelo facto deste ter comunicado que vai legislar a favor do casamento entre pessoas do mesmo sexo. A partir de agora, Zapatero não será o único Anti-Cristo à luz dos ortodoxos do Vaticano, ao mesmo tempo que o português dá um passo na direcção de uma esquerda que anda mais que escamada com a sua política neo-salazarista (sem ofensa para Salazar).

Em contrapartida, Sócrates quer fazer um TGV não se sabe bem para quê, e um aeroporto cuja prioridade é largamente discutível, em face do estado caótico do país. Para isso tem que eliminar despesas. Ele já fechou repartições, já encerrou infantários e escolas. Já mandou as prenhas ir parir a Badajoz. Mas nada disto chegou. Assim que, para pagar o favor do lobbie gay, Zapatero terá que tomar conta de alguns municípios fronteiriços deprimidos e com pouca população, na sua maioria, da terceira idade.

«Estes municípios, encaixam melhor dentro da realidade espanhola – argumenta Sócrates, tentando convencer “Z” – são velhotes, precisam de medicamentos; em Espanha eles são gratuitos para os reformados. Também necessitam hospitais e centros de saúde, tu em Espanha tens, mas eu quero fechar os meus, resumindo os serviços aos hospitais distritais e às clínicas privadas da capital. Nesta conjuntura, amigo Zapatero, cada português que eu te “der” vai ser mais um voto para ti, e é muito provável que eles te venham a dar a maioria absoluta nas próximas eleições - termina o líder português».
“Zapa" sorriu, sem acreditar muito no que Sócrates estava, a todo o custo, a querer-lhe impingir.
«Poucas pessoas, dão poucos votos, isto é Espanha, não é o teu quintal à beira-mar plantado, ó Zé – retorquiu JL Zapatero, entre duas pensativas passas no charuto – Olha, estou disposto a ajudar-te, de novo. Mas vamos fazer um acordo: eu fico com os teus concelhos fronteiriços, mas arranjas maneira das grandes empresas espanholas ganharem as obras que tu queres fazer. Se não sabes como isso se faz, perguntas ao Dias Loureiro, ou ao Paulo Portas. De acuerdo? Eu dou remédios aos teus velhos, mas preciso de ganhar essas obras. Prevê-se que em 2009, Espanha possa atingir 4 milhões de desempregados e tu vais dar trabalhinho a alguns. De todas as maneiras, não dizes que em Portugal ninguém quer trabalhar? Que os índices de produtividade estão tão baixos que é precisos por-nos de joelhos para os ver?
O nosso Zézito depressa percebeu que, se queria obras megalómanas tinha que engolir o sapo que o seu colega lhe acabava de colocar à frente, mas, estava num beco sem saída. E assumiu o compromisso.

Beberam um copo de água, pediram a conta, ficaram surpreendidíssimos ao pagar tão pouco e lá foram, cada um à sua vida.
Sócrates ainda voltou para trás a pedir desculpa à família portuguesa, por causa daquela coisa da ASAE, mas ele não levaram a mal e até lhe agradeceram, já que agora têm muito mais clientela.
NESTE MOMENTO ACORDEI... E ENTRE AGUARDENTES E COPOS DE ÁGUA, REPAREI QUE TINHA VONTADE DE IR À CASA DE BANHO. VOLTEI A CORRER PARA A CAMA, COM A ESPERANÇA DE REATAR O SONHO E VER O SEU DESENVOLVIMENTO FUTURO...

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

A PROPÓSITO DA RESTAURAÇÃO DO CONCELHO DE MARVÃO EM 1898


UM POUCO DE HISTÓRIA

(CAPÍTULO III)

De acordo com as fontes que consultámos, tudo aponta, para que integração do concelho de Marvão no de Castelo de Vide em 1895, se tenha feito de uma forma pacífica e com total concordância de todas as partes.

Em nossa opinião, se a reacção do povo nos parece normal, numa época em que a maioria dos habitantes do concelho era gente pobre e dependente de alguns proprietários endinheirados, preocupada muito mais com a sua sobrevivência, do que com questões politicas ou de poder, já muito nos admira a reacção passiva dos dirigentes do concelho, de quem não se conhece qualquer oposição ou resistência aos factos aqui relatados. Sinal que, ou estiveram de acordo, ou foram de facto aliciados pelo Partido Progressista a integrarem uma vereação futura conjunta em Castelo de Vide.

A bem da verdade histórica, é bom que se saiba, que a maioria dos dirigentes autárquicos da época não eram profissionais, eram grandes proprietários da região, que desempenhavam essas funções, mas que, simultaneamente, tinham poder sobre o povo, que deles dependia, e se quisessem (ou pudessem), com facilidade teriam liderado o povo a revoltar-se contra a integração no concelho vizinho. Ora tal, como sabemos não aconteceu!

Em jeito de conclusão do que descrevemos, ficam as palavras de Maria Ana Bernardo, autora da obra – Centenário da Restauração do Concelho de Marvão, quando nos diz que “… de tudo o que se mencionou sobre o sentido das informações inclusas em documentação da administração municipal e concelhia de Castelo de Vide ressalta, por um lado, a satisfação com que os responsáveis por Castelo de Vide receberam o preceituado do decreto de 26 de Setembro de 1895, por outro, o ambiente de normalidade administrativa em que decorreu a anexação e, finalmente, a ausência de indicações sobre protestos oficiais oriundos dos antigos dirigentes de Marvão, ou sobre levantamentos populares.”

Durante estes dois anos em que durou a integração, muito pouco nos chegou até hoje, já que em Marvão não são conhecidos quaisquer documentos de como terá decorrido a vida no concelho durante esse período. E em Castelo de Vide, também as referências são poucas, à excepção de referências a pequenos delitos ou fuga de mancebos ao recenseamento militar.

Ficamos assim sem saber se esta integração terá aproveitado alguma coisa aos marvanenses, pois já o mesmo, não se poderá dizer dos de Castelo de Vide, que em acta de 27 de Janeiro de 1898, da sua vereação, nos chegou a seguinte declaração, com que analisavam o final da anexação de Marvão: “… esta vereação concorreu quanto pode para assinalar as vantagens da anexação dos concelhos de Castelo de Vide e de Marvão, agora desanexados, com grave prejuízo dos povos dos dois concelhos, que sempre viveram na melhor harmonia e assim hão-de continuar, estreitando-se cada vez mais as relações de família que os ligam e a comunidade de interesses comerciais e industriais que convergem a Castelo de Vide pela sua situação e elementos da vida. Crê que a desanexação não será duradoura, por quanto ela não exprime a vontade geral e obedeceu apenas, às veleidades de alguns homens, que levados de “nimio” amor pelas suas ideias sacrificaram a consciência e legítimos interesses dos povos aos seus caprichos. Apela para os testemunhos dos mesmos povos e eles dirão como nos dois anos que estiveram unidos experimentaram benefícios e melhoramentos que chegaram aos lugares mais distantes e como em tudo se revelou melhoria na administração municipal, e d´ora em diante hão-de ver retraídos esses benefícios, principalmente nas freguesias de Marvão onde faltam indivíduos habilitados para a necessária rotação dos cargos públicos, e rendimentos para fazer face às despesas de administração e aos melhoramentos privativos das localidades…”


Parece ser sempre a mesma história os integradores ou colonizadores paternalistas, face aos "desgraçadinhos" integrados ou colonizados…

Passados cem anos, ainda por cá andamos e separados. Com prejuízo? Talvez!
Por muito mais tempo? O futuro dirá…, mas se houver junção, cá por mim e por uma questão de rotatividade (à boa maneira monárquica da época), a Sede, desta vez, será em Marvão.

Veremos como pensam os de Castelo de Vide…

domingo, 18 de janeiro de 2009

A PROPÓSITO DA RESTAURAÇÃO DO CONCELHO DE MARVÃO

UM POUCO DE HISTÓRIA

(CAPÍTULO II)


De facto, se em Marvão, não são conhecidos quaisquer actos nesses dois anos (1895-1897), que revelem que a integração no concelho de Castelo de Vide, tenha sido alvo de resistências ou insurreições por parte dos marvanenses, sobretudo por parte dos seus dirigentes, a quem, certamente, competia liderar essas reações, já o mesmo se não pode dizer em relação aos “integradores castelovidenses”, que esfregaram as mãos de contentes, por verem o seu pobre concelho, passar de 3ª para “2ª classe”, à custa dos marvanenses.

Assim, em Acta da Câmara Municipal de Castelo de Vide, de 1 de Outubro de 1895, uma semana depois da integração, o seu Presidente Pinto Sequeira da Costa (Regenerador), afirmava: “… sendo classificado em segunda ordem o concelho de Castelo de Vide, anexando-lhe o de Marvão, e resultando d’ esse facto, um grande melhoramento que a todo este município deve satisfazer, entendi convidar os meus colegas, para uma sessão solene e especial para comemorarmos este acontecimento e significarmos o nosso reconhecimento a todos os que contribuíram para tão grande benefício…”.

Propôs ainda Sequeira da Costa, que a vereação agradecesse ao Ministro do Reino e ao Governador Civil de Portalegre “… que muito cooperara para conseguir que o concelho fosse elevado a 2ª ordem.” (São sempre os mesmos, e já nessa altura nos lixavam, digo eu!).

Nessa mesma reunião, o Vereador Sequeira pronunciou-se também sobre o acontecido, mostrando igual satisfação, e disponibilizou-se para organizar todas as manifestações públicas relativas ao acto (não se sabe se os marvanenses, sobretudo os seus dirigentes, foram convidados como “animadores” das festividades!!!).
Já no fim dessa reunião, tomou a palavra o Administrador do concelho, Joaquim Fiusa Guião, que afirmou: “… associar-se ao justo contentamento da câmara, e agradecia como delegado do Poder Central, as manifestações endereçadas ao governo e ao magistrado distrital”

De realçar ainda, que na acta da reunião seguinte, o Secretário do Município de Castelo de Vide afirmou que de acordo com o as orientações “… se tinha deslocado à vila de Marvão onde tinha recebido, das mãos de Luís Pinto de Sousa Júnior, Secretário da extinta câmara, o respectivo arquivo”. Acrescentando também, “… que a transição se efectuara na melhor ordem e sossego e que isso ficava lançado em acta, para que a todos os tempos ser conhecido”.

POR ONDE ANDARIAM OS HEROIS DE MARVÃO?

Analise política do autor:

Como foi dito no Capítulo anterior, à data da supressão do concelho de Marvão em 1895 a Vereação de Marvão era presidida por Matos de Magalhães, conotado com o Partido Progressista; enquanto a Vereação de Castelo de Vide era presidida por Sequeira da Costa, do partido Regenerador, que por essa altura era também Governo do Reino, logo, como é lógico, os centralistas facilitaram o sentido dessa integração.

Consta ainda que, nessa altura o partido Progressista era liderado a nível distrital por Frederico Laranjo, que terá prometido e convencido os “dirigentes marvanenses” (Progressistas) a aceitarem a integração em Castelo de Vide, com a promessa de lhes arranjar “um tacho”, no próximo “elenco progressista” camarário de Castelo de Vide, em futuras eleições autárquicas que se realizaram em 1896, e que esses nossos “heróis” aceitaram sem fazer ondas…

Só que Frederico Laranjo nunca cumpriu a promessa. E mesmo que o fizesse, de nada lhe valeria, pois os Regeneradores voltaram a ganhar as eleições na “vala” de Castelo de Vide! O que não se sabe, é se terá sido com o voto dos marvanenses….

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

A PROPÓSITO DA RESTAURAÇÃO DO CONCELHO DE MARVÃO EM 1898

UM POUCO DE HISTÓRIA


(CAPÍTULO I)

Situação Política Nacional da Época

Em 26 de Setembro de 1895, por Decreto de Hintz Ribeiro do Partido Regenerador Monárquico, foi suprimido o concelho de Marvão e anexado ao de Castelo de Vide.
Para além de Marvão, foram suprimidos, simultaneamente, no distrito de Portalegre, os concelhos de Gavião, Sousel e Monforte. Pelo que a supressão do concelho de Marvão não deve ser vista como um caso isolado, mas fruto de uma política centralista seguida pelo Partido Regenerador, então no poder.

Mas esta visão centralista, não era apenas dos Regeneradores, já que, também o outro Partido da alternância, o Partido Progressista, concordava. José Luciano, chefe desse partido, afirmava em 1892: “… o Poder Local só servia para gastar impostos e contrair dívidas, são um embaraço e perigo para o futuro e que o melhor era fundir” (onde é que eu já ouvi isto?).

No entanto, a nível Regional, outros dirigentes Progressistas, como Frederico Laranjo em Portalegre, não pensavam assim, e dizia que isso era politica dos Regeneradores: “… que decepavam liceus, suprimiam distritos, extinguiam concelhos e que os povos se deviam revoltar!”

Situação Política Local da Época

Em Marvão em 1895 a então Vereação Camarária era conectada com o Partido Progressista, presidida por António Matos de Magalhães, que tinha como vice-presidente Manuel Rodrigues Pinheiro, e os vereadores José Maria Forte, José Serra Júnior e Francisco Rosado.

Dos documentos que nos chegaram até hoje, esta vereação reuniu pela última vez em 5 de Setembro de 1895, portanto antes da supressão do concelho, para decidir sobre um assunto que nada tinha a ver com este problema (escolher uma representação ao Rei, para que permitisse a entrada de pão vindo de Espanha, em ano de fome).

Até 24 de Janeiro de 1898, data em que se processou a devolução do concelho por parte de Castelo de Vide, não são conhecidos quaisquer actos ou iniciativas, que manifestassem por parte destes, ou restante população de Marvão, qualquer contrariedade ou revolta, contra a “integração centralista” em Castelo de Vide.

Um pouco estranho, não?

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

‘Paraíso’ dos Schweikert

‘Paraíso’ dos Schweikert

A melhor forma que tenho de começar este Post, é remeter-vos para o meu comentário, à “Ilha do Paraíso”.
Não existem verdades absolutas, no entanto jamais me poderei dissociar do facto de ser um funcionário da justiça, com formação em Serviço Social.

O que está em causa não é um modelo ou forma de vida, mas sim um grave atropelo aos direitos universais das crianças, o pai deu àquelas crianças a possibilidade de conhecer outras formas de vida?
– Parece-me que não!

O que poderia, segundo alguns ser uma moda, para outros foi uma realidade que os nossos avós e nalguns casos os pais sofreram!
Se o regresso às origens, fosse o caminho pretendido não teríamos saído das cavernas…

Levanto ainda outra questão; Porque vieram para o nosso país?
Será que não fogem de nada?

Realmente o que me preocupa é aquilo que fica nas entrelinhas, e agora não tenho duvidas a família vai abandonar o nosso país e alojar-se noutro paraíso até ser descoberta, é assim que estas comunidades funcionam…

Um abraço

Jorge Miranda

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

INFORMAÇÃO FÓRUM

Um dos temas mais debatidos em Dezembro passado, aqui no Fórum foi - A Ilha Paraíso, que volta agora à actualidade na Edição de Hoje do Jornal Fonte Nova, e que aqui vos deixamos na íntegra.

Paraíso’ dos Schweikert nas mãos da justiça

Em Outubro último, o nosso jornal deu a conhecer a história da família Schweikert e da sua ‘Paradise Island Family’, situada em Marvão, nomeadamente na freguesia da Beirã. Uma família alemã que vive longe da civilização, que apenas come aquilo que a terra lhe dá e que tem hábitos de vida indubitavelmente distintos dos tradicionais.

Esta família não voltaria a ser notícia, não fosse o facto de em Portugal existir uma escolaridade obrigatória e de naquele clã viverem seis menores que não frequentam, nem nunca frequentaram, qualquer estabelecimento de ensino. Posto isto, o Ministério Público decidiu conhecer melhor e averiguar esta história com o objectivo fulcral de saber se existe alguma espécie de perigo para os menores da família alemã.

No âmbito deste processo administrativo, no qual por enquanto está apenas a decorrer uma recolha de informação, Reinhold Schweikert, o patriarca da família, esteve no tribunal Judicial de Castelo de Vide, na passada sexta-feira. Dias antes, também técnicas da Segurança Social e dois militares da GNR haviam passado pelo tribunal para serem ouvidos, uma vez que conhecem a quinta e já lá estiveram.

Depois de cerca de cinco horas a falar com Alexandra Nunes, procuradora e curadora de menores do Ministério Público, Reinhold Schweikert era um homem sereno. À saída do tribunal Reinhold falou com os jornalistas para dizer que "expliquei muito, acho que foi bom". O patriarca da ‘Ilha Paraíso’ garantiu que "eles disseram-me para não ter medo, para não me preocupar porque não vão lá tirar as crianças à força".

Segundo as declarações de Reinhold, ter-lhe-á sido questionado se haveria a possibilidade de uma professora ir até à quinta dos Schweikert, pergunta à qual o alemão respondeu afirmativamente, dizendo que "qualquer pessoa pode lá entrar, é uma escola aberta a todos, com ou sem licença, há sempre algo para ensinar e aprender".

Reinhold explicou que "isto é um processo para explicar todas as nossas coisas, explicar como funciona a nossa escola e quando nos conhecem melhor, já nos entendemos".

Aliviado e satisfeito com a conversa que teve com a procuradora, Reinhold garantiu que "vou continuar por aqui", ao contrário do que havia dito antes de entrar no tribunal, quando deixou no ar a possibilidade de ir para outro país. Apesar de ter mudado de ideias ao longo das horas em que esteve no tribunal, Reinhold lembrou que "quero fazer mais ilhas lá fora, queremos conhecer mais países mas agora vou continuar aqui". Na Beirã ou em qualquer outro local, o patriarca dos Schweikert só tem um objectivo: "queremos viver em família, em contacto com a natureza e sem doenças".

O maior medo de Reinhold está relacionado com o contacto dos seus filhos com a civilização, que ele considera ser "uma droga e que só faz mal às pessoas". O patriarca da ‘ilha paraíso’ receia que "nos tentem trazer à força para a civilização porque quando se faz uma vida na natureza depois a adaptação não é fácil, isso custa muito", chegando mesmo a afirmar que "não quero trazer os meus filhos para esta porcaria porque depois é muito difícil voltarem a sair daqui".

Reinhold deixou a certeza que está disponível para aceitar as sugestões que a justiça lhe venha a apresentar, sublinhando que "agora vamos complementar a escola, ter aulas públicas e fazer tudo de forma mais transparente", referindo-se ao projecto que tem em mente de fazer uma escola dentro da sua quinta, ainda que seja mais direccionada para adultos.

Outra questão que também está certamente a ser averiguada neste processo está relacionada com a higiene, uma vez que na quinta ninguém usa casa-de-banho e, quando alguém tem de expelir fezes ou urina, essas necessidades são feitas na rua. Quanto a isso, Reinhold lembrou que "na casa temos isso, canalizações e tudo, mas isso para nós é uma vergonha, é um dos pecados grandes porque tiras tudo da terra e não devolves nada".

Reinhold terminou, dizendo que se sentiu bem durante toda a conversa com a procuradora e que "correu muito bem".

A ver vamos..., como diz o cego!

domingo, 11 de janeiro de 2009

Movimento por Marvão


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Ora aí está: mais uma candidatura independente às próximas eleições autárquicas em Marvão!

Este fim-de-semana surgiu o folheto acima digitalizado que publicita o Movimento por Marvão, o qual é constituído por dezassete jovens, com idades compreendidas entre os 21 e 40 anos. Este grupo assume-se como um movimento cívico e político que irá apresentar uma candidatura independente nas eleições autárquicas em Marvão.

Numa primeira análise diria o seguinte:

1 - Parece um grupo organizado (e com financiamento), visto ter apresentado este movimento num folheto atractivo e bem estruturado, com imagem e texto cuidadosamente escolhidos. Apresenta já o endereço do movimento, correio electrónico e um site http://www.movimentopormarvao.com/ já criado (mas ainda sem conteúdos).

2 – Os nomes dos elementos do movimento são apresentados por ordem alfabética, não destacando, propositadamente, nenhum líder. No entanto, parece claro que o mesmo será o Fernando Gomes. O objectivo poderá ser, nesta fase inicial, atrair o maior número possível de apoiantes para engrossar o grupo.

3 – O movimento destaca como objectivos prioritários para o concelho a formação e qualificação dos marvanenses, dinamização da actividade económica, enriquecimento cultural e salvaguarda do património histórico e atenção especial aos jovens e idosos. Contudo, não são, ainda, apontadas as políticas que o grupo preconiza para atingir estes objectivos. Aguardemos por novas comunicações!

4 – A escolha do slogan “Movimento por Marvão” não parece muito feliz já que lembra o da outra candidatura independente cujo slogan apresentado foi “Juntos por Marvão”.


Se todas as candidaturas já publicitadas forem concretizadas, serão pelo menos cinco os candidatos a presidente da Câmara de Marvão nas eleições deste ano. Será interessante esta campanha!

E será que ficamos por aqui?


Grande Abraço
Bonito Dias

Na raia da vergonha!

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Interessante texto, este, sobre um dos assuntos que ultimamente têm sido por aqui debatidos: a degradação do património na fronteira dos Galegos.

Tendo crescido perto da fronteira, o Garraio, tem uma visão impar sobre este assunto. Alia a razão, que qualquer um pode pôr em prática, com a emoção que, só quem ali cresceu, pode sentir.

Muito curioso este texto!

Deste assunto sublinho, ainda, a informação sobre o projecto da auto-estrada espanhola que, futuramente, poderá chegar até à fronteira. A concretização desse projecto espanhol seria muito importante para Marvão. Implicaria, com certeza, que este concelho tivesse melhores acessibilidades, também, para o lado português.

E isso era bom, muito bom!


Grande Abraço
Bonito Dias

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Análise política séria



E aqui estamos em 2009, ano de muita conversação política.
Como é sabido decide-se este ano quem vamos ter na orientação do país ao longo de mais quatro anos bem como, ao nível autárquico, teremos na condução do nosso concelho.

E a fazer jus do que foi debatido e aceite na Assembleia do passado dia 26, nada de bom se me afigura quer para 2009 quer para o período 2010-2013. E o porquê é muito simples.

Não se trata de dotar de mais verba esta ou aquela rúbrica, nem de fazer mais este ou aquele loteamento. A questão é que na falta de investimento privado deve haver investimento público para activar os poucos agentes económicos e para despoletar a vida deste concelho que definha a cada ano que passa.

Porém, com toda esta situação que se vem arrastando, assisto a uma passividade total do tipo 'laisser faire laisser passé ... la nature est bonne' de uns e o espartilhar das opções partidárias por outros na tentativa de demonstrar que a minha visão é que é a boa, tudo como se os recursos não fossem escassos.

Como uma andorinha por si só não define a Primavera e como para fazer um muro são precisos muitos tijolos, limito-me a trazer para este Forum a minha contribuição.

Assim para os mais estudiosos aconselho, neste dia em que os Reis Magos, entregam as suas prendas ao Menino, duas situações:
a) O livro do Medina Carreira e Ricardo Costa intitulado 'O dever da verdade' (preço 13€)
b) A exploração do site do Instituto Francisco Sá Carneiro em http://www.institutosacarneiro.pt/ onde a diversos níveis são feitas análises e concentradas informações desde o Instituto Nacional de Estatística ao Banco de Portugal, entre outros.

Na proposta a) encontrarão os leitores uma visão muito dura do nosso Portugal. Realista para mim, derrotista para outros. E não obstante o desafio do autor para ser proporcionado um debate com 'optimistas' o certo é que ainda não se verificou.

A proposta b) é uma proposta séria lançada recentemente e que me parece de muito boa qualidade. Poderá parecer tendenciosa por vir de onde vem, mas aconselho vivamente a sua consulta antes de emitirem qualquer opinião.


Termino recomendando a todos o melhor ano de 2009.

sábado, 3 de janeiro de 2009

Avém 2009

Entrámos em 2009, o ano que parece ser o de todas as desgraças, a julgar pelo que nos quer vender uma Imprensa catastrófica, que mais não pretende que nos prender aos ecrãs ou pasquins jornalísticos, pensando apenas nos seus lucros e tratando-nos como se fossemos meros carneirinhos ou formigas no carreiro.

A situação não é boa, a conjuntura não parece favorável, mas isso é uma situação que em Portugal tem quase nove séculos de história, e, isto por cá se vai mantendo…

Nunca fui um optimista genuíno, mas não quero embarcar em pessimismos "bacocos", e quero acreditar que havemos de ter futuro, crendo naquela máxima que “sempre que se fecha uma porta, se há-de abrir uma janela” e vamos em frente que atrás vem gente!

Quero começar este ano, trazendo aqui ao Fórum uma temática, com que terminámos 2008: A Música, e brindarmos com o Tema que aqui vos deixo. Tendo em conta que, enquanto existirem portugueses com esta criatividade e qualidade, este país tem futuro, assim saibamos expurgar algumas ervas daninhas que por aí têm crescido desmesuradamente.

Garanto-vos que quando ouvi pela primeira vez este tema me arrepiei…

Para todos vós, e, em especial para o meu amigo Pedro Sobreiro os MADREDEUS & A BANDA CÓSMICA. Como seria um concerto desta Banda em Marvão?





Os Madredeus estão de volta. Ou o que resta deles. Sem Teresa Salgueiro, mas com uma banda cósmica. Uma ruptura clara com as sonoridades a que nos habituámos.Especialmente depois do álbum “Faluas do Tejo”, em que a sonoridade do Fado parecia estar a intricar-se cada vez mais na música tradicional Portuguesa que os Madredeus tão garbosamente praticavam. O acordeão já houvera desaparecido. Os timbres eram pautados por delicadas cordas acústicas e sons etéreos. Tudo isso se foi.


Agora surge-nos um trabalho na qual a electrónica tem direito a entrar com protagonismo na guitarra e no baixo. Junte-se uma harpa. Mas sobretudo juntem-se violinos. Muito violino. E de repente parece que estamos num universo de Yann Tiersen ou Rodrigo Leão. As vozes não destoam muito, mesmo assim. A sua colocação ainda relembra a Teresa, embora destituídas do misticismo que a acompanhava.A duração do opus é outra mais-valia: robusta. Acompanha-nos e solidifica-se em nós. Não mais um efémero tom que se esvanece no marketing e na sociedade de consumo desenfreada.Depois, é só deleitarmo-nos por uma viagem por uma banda sonora de cores e sabores interculturais. Brasil e África aparecem-nos a espaços e a tempos.

Vivamos 2009, não existe outro!

João Bugalhão