terça-feira, 13 de maio de 2008

Portagem para São Bento


No "colo dos penedos "

No fim de semana passado, recebi em casa um amigo de longa data, natural do Porto e que trouxe outros amigos também. Ficaram fascinados com as belezas naturais ; com o património arquitectónico e construído; com o casario ainda caiado ou pintado de branco imaculado, do Norte Alentejano.
Por vezes somos tentados, ainda que motivados por interesses construtivos, a dizer mal da nossa terra, do nosso país ou até da nossa própria família, mas quando vem alguém de fora e tece conjecturas e adjectiva de forma negativa sobre aquilo que nos é mais querido, não raras vezes, ripostamos com igual veemência ainda que intimamente saibamos que esses juízos podem encerrar verdades indesmentíveis.
Relativamente ao exposto, o recíproco, também é verdadeiro : quando alguém reconhece os méritos das coisas ou das pessoas que mais estimamos, sentimo-nos confortados, pois sabemos, que regra geral, quem olha de fora para dentro, sem o lado emotivo a toldar-lhe os sentidos, vê com mais clareza. Vivi cinco anos em Portimão; sete no Porto e dois em Lisboa, mas sempre que podia, regressava a casa com a mesma ansiedade e nostalgia que sente um emigrante, exilado num país a milhares de quilómetros do seu torrão Natal . Vinha quase sempre de comboio e demorava quase um dia de viagem, apesar do “Ramal de Cáceres”, ainda estar na altura activo e para durar . Tinha sempre o meu pai à minha espera… até um certo dia, na estação da Beirã ( ou Beiram, como sugeriu brilhantemente o amigo Garraio ) .
Adoro a minha terra e consigo perdoar-lhe os defeitos, apesar de já ter tido oportunidades profissionais noutras paragens, que até me poderiam ter subtraído ao anonimato, mas tenho a certeza que não conseguiria viver o resto da vida noutro sitio qualquer : sinto necessidade do cheiro da giesta e do rosmaninho em flor; gosto de descansar no “colo dos penedos”; gosto do vento suão que nos agride a pele. Quem nasceu à beira mar, não consegue passar sem ele . Eu nasci nos Cabeçudos, rodeado de penedos graníticos agrestes, cujos espaços circundantes são polvilhados por giestas, rosmaninho e ancestrais sobreiros . Os cheiros deste tipo de flora, invadem-me os sentidos e são a minha brisa marítima .

sexta-feira, 9 de maio de 2008

POR ONDE COMEÇAR?


Em 1997, Manuel Bugalho é eleito presidente da Câmara Municipal de Marvão e com ele, traz um Projecto: elevar Marvão a Património Mundial, com a finalidade de, através desta promoção, pôr Marvão nas rotas do turismo mundial, fazendo dessa aposta, a sua principal prioridade política nos dois mandatos em que esteve à frente da autarquia marvanense.

Quis o destino, ou o vagar que os portugueses dão às resoluções das coisas, que só em 2006, um qualquer departamento do Governo Central, viesse aconselhar a autarquia marvanense, então já com nova Vereação presidida por Vítor Frutuoso, a retirar a candidatura, pois esta corria sérios riscos de não ser aceite pela UNESCO, ou por outras palavras, para ser mais abrangente, ser chumbada.

Não me vou debruçar muito sobre o “processo” percorrido em quase uma década em que durou o Projecto, certamente, haverá por aí alguém, que será capaz de o explicar por dentro muito melhor do que eu, que fui um mero espectador, mais ou menos atento.
O que eu gostaria de trazer aqui à análise e discussão, são alguns dos resultados desse Projecto político, independentemente, da opinião que dele se tenha, e qual a importância do impacto que teve sobre a vida dos marvanenses.

António Garraio, diz-nos na sua primeira intervenção neste Blog que “esse foi um tema muito importante na vida do Concelho, uma história muito mal contada, com um aproveitamento político indecente, e o fim ainda não está completamente esclarecido.”

Concordo perfeitamente com meu caro amigo, mas porque não começar aqui e agora a discussão sobre a coisa?
É minha opinião, que o deveríamos fazer. E porque não começar, meu caro Garraio?

Se o não fizermos, corremos o risco de passar à história, como aquilo que José Gil designa, pela “não-inscrição” de factos ou acontecimentos,na consciência colectiva dos marvanenses.
Se não formos ao âmago da coisa e nos ficarmos mais uma vez pela superficialidade, por um sacudir de responsabilidades, pelo esquecimento, pelo “não luto”…, estaremos a contribuir para passarmos, rapidamente, para outra aventura. Correndo-se o risco, de mais uma vez, desbaratarmos os escassos recursos que vamos tendo, com poucos ou nenhuns proveitos, como parece ser o caso do actual Projecto de adesão à Natur Tejo/GeoPark.

Por mim lanço aqui diversas questões que poderíamos debater, tais como:

- O que é que falhou para que o Projecto não tenha sido concretizado?
- Estão os marvanenses esclarecidos sobre os resultados do Projecto?
- Quem teve as maiores responsabilidades? O poder local ou central?
- Será Marvão, para o mundo, esse sítio de características únicas?
- Foi o Projecto bem liderado e tinha uma candidatura consistente e bem fundamentada?
- Quanto custou esse Projecto aos marvanenses? Os proveitos superaram os custos?
- Quem contou mal história? A quem aproveitou politicamente?
- Valerá a pena relançar a Candidatura? E em que moldes? Ou o Projecto está morto, enterrado e vamos assumir colectivamente o fracasso e assumir responsabilidades?

…ou vamos ficar à espera de mais um “conto do vigário”, ou que a árvore dê as “patacas” que nos faltam?

João Bugalhão

quinta-feira, 8 de maio de 2008

Champagne e bolinhos

 

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E HOUVE VONTADES!

Há tempos dizia:

“…Numa terra em que não existe qualquer publicação (jornal ou outra), onde não há espaço para a troca de ideias e para a crítica construtiva, onde o debate não se faz (ou faz-se apenas nas tascas reais), onde a massa crítica escasseia este “FÓRUM VIRTUAL” poderia ser algo positivo. E dar um pequeno contributo para “abanar” Marvão!...”

“…Penso, também, que seria um tema que despertaria interesse aos Marvanenses, quer aos residentes quer aos por aí “espalhados” (cujas diferentes experiências e visões seriam muito importantes) …”

“...Assim haja vontades...”

E houve vontades. Ainda bem!

A equipa agora constituída (em que todos os elementos são pilares com igual estatuto e importância) parece-me que tem a quantidade, qualidade e heterogeneidade suficientes para dar consistência a este projecto e possibilitar ao mesmo atingir aquilo a que se propõe.

E o ideal será que muitos outros se envolvam, também, permitindo que o “Fórum Marvão” possa ir perdurando, independentemente de vontades individuais!

Apelo, sobretudo, a que se faça o contraditório, através de comentários às diferentes intervenções. Do contraditório nasce o debate. E isso é que será enriquecedor.

Este blog é um espaço de cidadania!

Nesta primeira intervenção gostaria de deixar uma nota prévia:

Mesmo no período em que residia a 300 kms de distância do meu concelho (Marvão) sempre me senti envolvido no seu percurso. Informava-me do que nele se passava e emitia opiniões, mais ou menos públicas, sobre aquilo que eu considerava importante para o seu desenvolvimento.

Foi por isso (pelas ideias e opiniões) que, mais tarde, fui convidado a integrar, como independente, a lista do PSD à Assembleia Municipal. Como acreditava no projecto aceitei, tendo como único intuito disponibilizar a minha pequena contribuição para o desenvolvimento de Marvão. Estou, portanto, na Assembleia Municipal de Marvão como independente (puro e duro) regendo-me apenas, e só, pela minha consciência. Opino e voto, em cada matéria, subjugado somente à disciplina por ela imposta. Sou apartidário. Não sou apolítico.

Quero com isto dizer que, neste blog, não sou mandatário de ninguém! As minhas intervenções não serão de cariz partidário. Aqui, as minhas opiniões expressarão apenas, e só, as minhas análises das situações, as minhas ideias, as minhas sensações, as minhas perspectivas…

Como a prosa já vai longa apresento, de uma forma muito genérica e simplista, a minha análise da situação actual de MARVÃO:

Pontos Fortes

Marca Marvão; Património natural, gastronómico, paisagístico, arquitectónico e arqueológico riquíssimo; Experiência de décadas na actividade industrial; Proximidade com Espanha; proximidade com a capital de distrito; Principais eventos culturais...

Pontos Fracos

Interioridade; Desertificação; Envelhecimento da população; Forte clivagem no relevo e nas mentalidades; Falta de uma sede que fosse um núcleo urbano forte e agregasse vontades; Inexistência de condições físicas e outras que facilitem a criação e desenvolvimento de unidades de negócio/investimento; Más acessibilidades; Inexistência/deficiência de infra-estruturas sociais, culturais, desportivas e recreativas...

Ameaças

Crescimento da desertificação; Desaparecimento das unidades industriais de Santo António das Areias; Saída de serviços públicos; Inexistência de iniciativa privada; Diminuição dos postos de trabalho; Situação do projecto do golfe na Portagem; Extinção do estatuto de concelho...

Oportunidades

Desenvolvimento da marca Marvão; Desenvolvimento de “produtos” ligados ao turismo de natureza; Reestruturação da indústria existente; Criação de local para a instalação de pequenas unidades de negócio. Melhoramento da acessibilidade para Portalegre; Criação de nova acessibilidade para Espanha; Aprofundar o envolvimento com os vizinhos espanhóis. Parcerias ligadas ao turismo; QREN (novo quadro comunitário de apoio); Cidade da Ammaia; Golfe; Herdade do Pereiro; Termas da Fadagosa...

Eu acredito no futuro de Marvão. É uma terra com potencialidades enormes que ainda irá atrair investimentos importantes. Tem características que a distinguem de forma positiva relativamente, por exemplo, à maioria dos concelhos deste distrito. Apesar da sua interioridade, acredito que os seus pontos fortes e oportunidades, a prazo, vão suplantar os pontos fracos e ameaças e vejo, sobretudo, três vectores fundamentais para o seu desenvolvimento:

1 - Turismo de qualidade, aproveitando as suas extraordinárias características naturais e apoiado numa marca forte;

2 – Valorização e desenvolvimento da experiência acumulada (em décadas) na actividade empresarial em Santo António das Areias;

3 - Aproveitamento da localização geográfica (proximidade com Espanha)

Naturalmente, em futuras intervenções penso opinar sobre os mais variados temas. Contudo, no “pontapé de saída”, o tema óbvio era este: MARVÃO

Grande Abraço

Bonito Dias

quarta-feira, 7 de maio de 2008

AÍ ESTÁ O FÓRUM...

O “Fórum Marvão” é um espaço de debate livre e independente, criado por um grupo de amigos, que têm como ponto de partida Marvão e vão por aí…

O “Fórum Marvão” tem como principal finalidade, estimular o debate em torno do conceito “Marvão” em todas as vertentes, num concelho e num país, caracterizados por défice de análise e crítica social sérias, centradas na “coisa pública”.

O “Fórum Marvão” pretende assim, debater ideias, opiniões e fazer o seu contraditório, com base no respeito e na tolerância. Aqui haverá lugar para todos os temas: da política ao desporto, da poesia à musica, da vida em sociedade à sexualidade, da saúde ao consumo de drogas, do amor à felicidade, da televisão à literatura, etc., etc. A excepção, será o “ataque ou ofensa pessoal”.

O “Fórum Marvão” é um espaço de Liberdade, um dos valores que consideramos fundamentais, apenas superado pelo da Justiça. Sem Justiça a vida em sociedade não faz sentido e uma sociedade sem Justiça, torna-se uma sociedade ao sabor dos mais fortes e dos mais poderosos. Os outros valores que aqui gostaríamos de ver estimados são: o respeito pela Pessoa Humana, como valor em si mesmo; a Dignidade; a Tolerância; a Igualdade; a Amizade; a Fraternidade; a Coragem; e alguma Democracia.

O “Fórum Marvão” não pretende ser um espaço de intelectuais perfeccionistas, aqui todos poderão entrar desde que se identifiquem e respeitem as ideias dos outros, mesmo que com elas não concordem. Pretende-se, essencialmente, um espaço aberto e de troca.

O “Fórum Marvão” não pretende roubar, copiar, nem fazer mal a ninguém. Este espaço, embora simples, terá que valer por si. Ou então morrerá, tal como nasceu, sem deixar bens nem dívidas aos seus herdeiros.

O “Fórum Marvão” não se identifica com qualquer formação política e a responsabilidade das opiniões aqui expostas serão dos seus autores.

O “Fórum Marvão” brinda ao futuro…